Indianos criam super-heroína dos quadrinhos que foi vítima de estupro.

Uma nova HQ que tem como superheroína uma vítima de estupro foi lançado na Índia para chamar a atenção sobre o problema da violência sexual no país.

O Priya’s Shakti, inspirado por histórias motológicas hindus, conta a história de Priya, uma jovem que sobreviveu ao ataque de uma gangue de estupradores, e da deusa Parvati. As duas lutam juntas contra os crimes de gênero na Índia.

O cineasta indiano-americano Ram Devineni, um dos criadores da obra, disse à BBC que teve a ideia de fazer a história em quadrinhos em 2012, quando uma onda de protestos se espalhou pela Índia após o estupro e o assassinato brutal de uma estudante de 23 anos em um ônibus de Nova Déli.

“Eu estava em Déli quando os protestos começaram e me envolvi em alguns deles. Eu conversei com um policial e ele disse uma coisa que me surpreendeu. Disse que garotas sérias não andam sozinhas à noite”, afirmou Devineni.

“A ideia começou desse jeito. Eu percebi que o estupro e a violência sexual na Índia eram culturais e que se sustentavam pelo patriarcalismo, misoginia e percepção popular”.

Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual (Foto: Divulgação)Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual (Foto: Divulgação)
Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro (Foto: Divulgação)Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro (Foto: Divulgação)

Na sociedade indiana, muitas vezes é a vítima do estupro – e não o agressor – que é tratada com ceticismo e acaba sendo submetida ao ridículo e à exclusão social.

“Eu conversei com sobreviventes de ataques de gangues de estupradores e elas disseram que foram desencorajadas por familiares e pela comunidade a procurar justiça, elas também foram ameaçadas pelos estupradores e suas famílias. Até a polícia não as levou à sério”, disse Devineni.

Os quadrinhos refletem uma realidade severa: quando Priya conta a seus pais sobre o estupro, ela é culpada por ele e expulsa de casa.

Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários (Foto: Divulgação)Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários (Foto: Divulgação)

A personagem representa uma mulher indiana genérica e suas aspirações. “Ela é como todos os rapazes e moças que querem viver seus próprios sonhos. Mas esses sonhos foram destruídos após o estupro”, disse Devineni.

No livro, com alguma ajuda de Shiva e Parvati – o casal de deuses mais poderoso na cultura hindu – Priya consegue transformar sua tragédia em uma oportunidade.

No final ela volta à cidade montada em um tigre e derrota seus adversários.

Devineni disse que escolheu usar elementos da mitologia poque o hinduísmo é a religião majoritária do país – 80% da população, ou 1,2 bilhão de pessoas, são hindus – e seus mitos e histórias estão enraizadas em sua vida cultural.

Ele convenceu artistas de rua e criadores de pôsteres de filmes de Bollywood a pintar murais inspirados na história em quadrinhos na favela de Dharavi, em Mumbai, considerada a maior da Ásia.

As pinturas têm “recursos de realidade aumentada”, que permitem às pessoas ver figuras “saltarem” da parede quando são vistas por meio das câmeras de smartphones.

É possível baixar da internet cópias do livro em hindi e em inglês. O trabalho será exibido em uma feira de quadrinhos em Mumbai em dezembro.

“Nosso público alvo vai desde crianças entre 10 e 12 anos a jovens adultos. É uma idade crítica nas vidas deles e por isso estamos fazendo uma tentativa de conversar com eles”.

Na Índia, onde em média um estupro é comunicado a cada 21 minutos, o crime ocorrido em Déli no ano de 2012 foi um divisor de águas. A brutalidade dos seis agressores deflagrou uma série de protestos e forçou o governo a criar leis antiestupro, prevendo inclusive a pena de morte para violência sexual muito grave.

Mas analistas dizem que as leis mais duras resolvem apenas parte do problema. Ele seria resolvido apenas com a criação de consciência e mudança de atitudes sociais.

Davineni diz que esse é o objetivo do livro.

Urvashi Butalia, líder da editora feminista Zubaan Books, diz que o sucesso ou fracasso dependerá “muito da história” e de “quantas pessoas ela atinge”. Segundo ela, tudo que gera um diálogo ajuda.

Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet (Foto: Divulgação)Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet (Foto: Divulgação)

“Muitas das mudanças do mundo começaram como ideias. E essa é uma ideia interessante – não há muitas super heroínas”, disse ela.

Jasmeen Patheja é fundadora do Projeto Blank Noise, que realiza uma campanha chamada “eu nunca pedi isso” – referindo-se a agressões sexuais.

O projeto cria instalações urbanas e galerias de imagens na internet com as roupas que as vítimas estavam usando quando foram abusadas em uma campanha para “rejeitar a culpa”.

Cineasta criou heroína depois de ter contato com protestos contra a violência sexual na Índia (Foto: Divulgação)

A maior mudança, segundo ela, será quando “as pessoas entenderem que não há desculpa que justifique a violência sexual, como as roupas que as vítimas estava usando, a hora ou o lugar em que estavam”.

“Romances, quadrinhos, livros de histórias, filmes – todos têm grande potencial para ajudar”, ela disse.

Fonte: G1

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História da Arte ganha cores e traços de quadrinhos

“A Provença deve ser um lugar lindo. Tenho certeza de que você vai se recuperar lá”, diz um esperançoso Theo van Gogh, que ouve como reposta do irmão Vincent, prestes a embarcar em um trem para a bucólica Arles, na França: “Acima de tudo preciso produzir muito”. O diálogo revelador é um dos primeiros da graphic novel “Vincent” (R$ 29,90), de Barbara Stok, que acaba de ganhar edição brasileira pela Editora L&PM.

A obra retrata os últimos anos da vida do pintor holandês Van Gogh, que se mudou para a pequena cidade francesa com o objetivo de fundar uma colônia de artistas. Porém a falta de dinheiro e de perspectivas para o futuro, além da culpa que sentia por ser sustentado pelo irmão, fez os tormentos psicológicos de Vincent se agravarem, culminando com o conhecido episódio em que o artista decepou parte da sua orelha direita.

São esses embates internos e acontecimentos da fase mais rica e revolucionária do gênio pós-impressionista que Stok retrata em quadrinhos de traços pop, singelos e coloridos. Barbara ainda incorpora ao livro trechos de cartas escritas ao irmão Theo e telas do próprio pintor, assim como seu processo criativo e suas ideias sobre pintura. Para chegar a isso, a ilustradora trabalhou por três anos com apoio do Museu Van Gogh, de Amsterdã.

A história de Van Gogh rendeu outros trabalhos em quadrinhos

“Vincent” é um exemplo de como as histórias em quadrinhos podem levar novos e diferentes públicos a conhecerem um pouco mais de arte por meio da biografia dos seus grandes mestres. Para a professora doutora Luciane Páscoa, especialista em História da Arte, a experiência que une entretenimento e informação é mais do que válida.

“É uma ótima iniciativa para tentar atingir um público mais jovem porque torna o assunto mais acessível, ainda que na abordagem vida e obra. É uma forma até de sensibilizar os leitores de publicações do universo HQ para que eles possam vir a ter uma relação diferente com o museu e a História da Arte propriamente dita”, afirma.

Mais Van Gogh

A história de Van Gogh já rendeu outros trabalhos em quadrinhos. É o caso da obra do ilustrador Marc Verhaegen, que contou com pesquisa de Jan Kragt. Disponível em inglês e holandês, a publicação de 44 páginas é uma parceria entre a Fundação Eureducation e o Museu Van Gogh. O livro retrata cenários de várias cidades holandesas onde o pintor morou, além de Paris e de Borinage, na Bélgica.

De acordo com os autores, a escolha pelo formato HQ foi estratégica. “O público alvo do livro são crianças e adolescentes que se interessam muito mais por um assunto quando ele é contado de maneira divertida”, disse Verhaegen.

Já “Vincent & Van Gogh”, do sérvio Gradimir Smudja, revisita o universo impressionista por meio de imagens e um enredo fictício, com direito a aparição de outros mestres da pintura (e suas obras), como Monet, Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin.A obra parte da premissa que Van Gogh não foi o verdadeiro autor das pinturas atribuídas a ele. Elas seriam criações de um gato misterioso chamado Vincent, que o holandês teria resgatado certa noite em Arles.

“‘Vincent & Van Gogh’ permanecerá sempre único, justamente porque é daí que deverá partir a imaginação de meus leitores para formularem, à vontade, a sequência da história. Esse relato não tem limites e pode certamente emocionar a todos”, declarou o ilustrador

Fonte:http://acritica.uol.com.br/ (adaptado)

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Lançamento da revista PAÇOCABUM! em Curitiba

Publicado originalmente em Zine Brasil:

Na próxima Sexta, dia 28 de novembro, acontecerá o lançamento da revista PAÇOCABUM! que reúne trabalhos dos alunos da Oficina de Quadrinhos Autorais ministrada por José Aguiar (Nada com Coisa Alguma) no Sesc Paço da Liberdade. Quadrinista e artistas responsaveis pela produção da Revista estarão presentes entregando as cópias das edições gratuitamente  no evento, que acontece na abertura da exposição aMoSTRA14! A partir das 18h tem show da Banda Labrador em frente ao Paço e às 19h será a abertura da exposição.

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A publicaçao reúne projetos dos alunos: Natan Caricaturista, Edson Kohatsu, Luri Koh, Davi Alexandre de Souza, Fabbio Fratt, Cenilson Rodrigies, Gustavo Stella,
Ricardo Salvador Ramalho, Izaías Marques e Leonardo Higashi
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Para outras informações acesse o evento no Facebook clicando aqui.

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Revolução dos estudantes chilenos é transformada em HQ

Baseada em fatos reais, se transformou na história em quadrinhos Al Sur de la Alameda, escrita por Lola Larra e ilustrada por Vicente Reinamontes.

Publicada pelaEdiciones Ekaré em espanhol, a obra recebeu o Prêmio de Edição em 2014 no Chile e foi selecionada pelo prestigioso catálogo alemão The White Ravens 2014, que reúne os títulos infantis e juvenis de mais destaque no ano.

A “Revolução dos Pinguins” foi uma mobilização estudantil de 2006 realizadas por estudantes secundaristas do Chile entre abril e junho de 2006 e entre setembro e outubro do mesmo ano.

A história foi introduz elementos mais políticos, como uma homenagem ao movimento estudantil contra Pinochet, dos anos 80, reprimido com mortes e desaparecidos, mas sem abandonar o tom intimista e literário do diário o personagem Nicolás, que a história de Al Sur de la Alameda apresenta.

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Leitura em sala ajuda a popularizar as adaptações em HQ

A editora Peirópolis levou um susto este ano ao inscrever quatro adaptações de clássicos literários em HQ no Prêmio Jabuti. Foram todas desclassificadas de cara por não serem consideradas obras inéditas – requisito da premiação. Renata Farhat Borges, que além de editora da casa é pesquisadora de quadrinhos, esbravejou, argumentou, e o conselho curador voltou atrás. Não se trata de um gênero novo que justifique a confusão.

O leitor brasileiro teve seu primeiro contato com clássicos em HQ no século 20, em bancas, porque Adolfo Aizen, da Editora Brasil América, importou a pioneira coleção Classics Illustrated e publicou quadrinizações de obras brasileiras, lembra Renata. José de Alencar, Bernardo Guimarães, Manuel Antônio de Almeida e Camilo Castelo Branco estavam entre os autores.

A lista não difere muito do que encontramos hoje na livrarias. Ou melhor, nas escolas. A nova fase de clássicos em quadrinhos foi iniciada em 2006, quando os editais de compras de livros para escolas incluíram esse tipo de livro. “O Governo em suas diferentes instâncias entende as adaptações literárias como instrumentos interessantes de formação do leitor literário e porta de entrada para a leitura de grandes obras da literatura universal. Além disso, vem cada vez mais valorizando esse tipo de publicação por seu resultado estético”, diz a editora que tem, em catálogo, 12 adaptações feitas por artistas e roteiristas brasileiros, como A Mão e a Luva (Machado de Assis), por Alex Genaro e Alex Mir, e A Morte de Ivan Ilitch (Tolstoi), feita por Caeto.

E se o Governo compra, as editoras fazem. Ainda mais se o livro estiver em domínio público – caso dos clássicos. Uma exceção: Fábio Moon e Gabriel Bá estão adaptando Dois Irmãos, romance lançado por Milton Hatoum em de 2000, para a Companhia das Letras. E a L&PM editou recentemente A Invenção de Morel, de Bioy Casares, em HQ.

A editora gaúcha, aliás, que publica o gênero desde os anos 1980, investe agora também em adaptações para o mangá. O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, é um exemplo. Não desistiu, porém, de editar a coleção Grandes Clássicos da Literatura em Quadrinhos, que já conta com cerca de 10 títulos. Mesmo depois do anúncio de que a Del Prado começa a vender a mesma coleção, composta de 26 volumes (nenhum de autor brasileiro) em bancas de todo o país – a volta às origens. Tanto que ela cedeu os direitos de sua tradução.

Fonte:http://www.dgabc.com.br/Noticia/1035497/leitura-em-sala-ajuda-a-popularizar-as-adaptacoes-em-hq?referencia=minuto-a-minuto-topo

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Will Eisner, Robert Crumb e os grandes da literatura

Depois de consideradas material para crianças e analfabetos durante boa parte do século 20, as histórias em quadrinhos principiaram há cerca de duas décadas uma fase consagradora, definida pelo editor Russ Kick como “uma idade de ouro”. “As narrativas sequenciais desenvolveram-se como uma forma de arte completa graças à experimentação constante e à criatividade ilimitada”, diz Kick a CartaCapital. Por unirem “uma autoexpressão livre” e “uma habilidade técnica impressionante”, os quadrinistas produziram obras que desde os anos 2000 se tornaram fonte para filmes multimilionários de Hollywood, além de alvo de exposições em museus prestigiosos como o Museum of Contemporary Art, em Los Angeles, e o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York. A cultura dominante tem incorporado aos poucos o que era antes marginal. “Embora tenham conquistado mais respeito, as HQs e os romances gráficos terão de percorrer um longo caminho para ser verdadeiramente adotados pelos leitores e pelas universidades”, afirma.

Quando decidiu organizar os três volumes da antologia Cânone Gráfico, Clássicos da Literatura Universal em Quadrinhos (Boitempo, 118 reais, o primeiro volume com 456 páginas), um best seller nos Estados Unidos após seu lançamento em 2012, Kick pensou na diversidade de estilos e na abordagem inovadora dos artistas nos últimos anos. Mais de cem quadrinistas, ilustradores, serigrafistas e designers gráficos adaptaram 190 textos literários, filosóficos, religiosos e científicos. A maioria das adaptações é inédita. “Pedi para serem fiéis aos personagens e aos enredos dos textos. Mas do ponto de vista visual eles poderiam fazer tudo o que desejassem. Não deveriam se autocensurar mesmo com os livros que contivessem cenas de violência e sexo.”

O editor refere-se a assuntos transformados em tabu nas histórias em quadrinhos. A Comics Code Authority (CCA), uma associação criada em 1954, fustigou por décadas HQs com temas considerados impróprios. Fundada para ser uma alternativa independente à fiscalização governamental, desativada apenas em 2011, a CCA propunha ser um representante das editoras e um órgão autorregulador da arte sequencial. A sua existência impeliu uma geração de quadrinistas nos anos 1960 a produzir material clandestinamente e distribuí-lo por canais poucos convencionais, como lojas de tabaco. Essa cena underground, desenvolvida, sobretudo em São Francisco, ganhou o apelido decomix (sendo o xis uma alusão à letra usada pelo sistema de classificação do cinema norte-americano para atestar se um filme é apropriado somente para os maiores de idade).

Cânone Gráfico, Kick disse ter evitado a falta de criatividade de projetos anteriores, entre eles as 169 edições da série Classic Comics, publicadas entre 1941 e 1971. Ele considera essas adaptações pasteurizadas e superficiais, excessivamente concentradas na reprodução literal das obras de ficção. Embora responsabilize o sistema educacional americano pelo desinteresse em relação à literatura, Kick não organizou a sua coleção como um atalho aos clássicos ou por motivos didáticos. Cânone Gráfico seria uma colaboração entre artistas e escritores. “No fundo”, ele escreve na introdução, “esta antologia titânica, em três volumes, é uma obra artística e literária independente, um fim em si mesmo”. A julgar por pesquisas recentes, Kick teria razão. Em The Visual Language of Comics (Bloomsbury), o psicólogo Neil Cohn defende a teoria de que as histórias em quadrinhos são processadas neurologicamente como uma língua, com vocabulário, gramática e sintaxe próprios. Nesse sentido, mais do que uma adaptação, Cânone Gráfico pode ser entendido como uma compilação de clássicos reescritos para o idioma das imagens.

O primeiro volume (tradução de Magda Lopes), disponível nas livrarias brasileiras, vai de A Epopeia de GilgameshAs Ligações Perigosas, o romance de Choderlos de Laclos. O segundo tomo, cuja publicação é prevista para 2015, aborda a literatura oitocentista, de Kubla Khan (Samuel Taylor Coleridge) a O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde). O terceiro, com lançamento em 2016, restringe-se ao século XX: de Coração das Trevas (Joseph Conrad) a Infinite Jest (David Foster Wallace). Kick convidou artistas consagrados e emergentes. No primeiro volume, Will Eisner adaptou Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, Robert Crumb dedicou-se a Diário Londrino, de James Boswell, e Peter Kuper explorou Modesta Proposta, de Jonathan Swift. Entre os autores em ascensão, Yejin Yun fez três ilustrações coloridas sobre o Simpósio, de Platão, e Edie Fake transformou em desenhos os escritos espirituais de Santa Teresa D’Ávila.

Kevin Dixon ilustrou o episódio Touro Celeste, de A Epopeia de Gilgamesh, por motivos familiares. O seu pai, Kent Dixon, traduziu o poema épico escrito em tábuas de argila, na Babilônia (em torno de 1000a.C.), pois estava insatisfeito com as versões anteriores para o inglês. “As primeiras traduções eram muito recatadas. Elas suprimiram da língua inglesa qualquer cena minimamente ousada ou sexual”, explica Dixon a CartaCapital. “Um tradutor da era vitoriana, escandalizado com os temas mais maduros da história, não iria destacar os duplos sentidos, os trocadilhos obscenos e as piadas vulgares entranhados no barro.” Segundo o quadrinista, A Epopeia de Gilgamesh tem várias passagens criadas para desencadear uma catarse pelo humor. “Mas, por muito tempo, a comicidade foi alijada por ser considerada de mau gosto”, ele afirma. “A minha adaptação é respeitosa e academicamente rigorosa quando trata de nudez e de escatologia. Se as ignorasse, eu seria infiel à história original.”

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I Seminário de Histórias em Quadrinhos da Biblioteca Pública de Niterói

Estão abertas as inscrições para apresentação de trabalhos acadêmicos no I Seminário de História em Quadrinhos da Biblioteca Pública de Niterói, nos dias 26, 27 e 28 de novembro, promovido em parceria com o Programa de Pós-graduação em História da UFF. Esse espaço é dedicado para graduandos e graduados que tem como objeto de estudo o universo dos Quadrinhos. Com o objetivo de ser um evento interdisciplinar, serão aceitos trabalhos nas áreas de História, Ciências Sociais, Comunicação, Letras, Cinema, Filosofia e áreas afins.

Os resumos devem ser enviados até o dia 16 de novembro de 2014, para o e-mail cursos.bpn@ bibliotecasparquerj.org.br, com no mínimo de 150 e no máximo 300 palavras, informando palavras-chave. Os textos deverão ser digitados em Word, 1,5 de espaçamento, fonte Times New Roman, tamanho 12 e configuração da página padrão, não esquecendo de informar o nome do autor/grupo de pesquisa e instituição de origem. O resultado dos trabalhos escolhidos se dará no dia 19 de novembro.

As apresentações serão nos dias 27 e 28 de novembro, das 10h às 11h30, com tempo de apresentação oral de 20 minutos. Todo o equipamento audiovisual necessário para a apresentação de power point e vídeos será disponibilizado pela BPN.
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O Que eu aprendi lendo: Metrópolis- Osamu Tezuka.

“…Mas será que não vai chegar o dia que os humanos vão se desenvolver tanto a ponto de se extinguirem com sua própria Ciência?” com esta pergunta que incia a história em um futuro “não tão distante” de Metrópolis.

A história  inicia-se com a Convenção Internacional de Cientistas, entre as discussões ocorridas, está a da criação das células sintéticas, desenvolvida pelo Dr. Charles Lawton mas para essas células funcionarem é necessário a radiação emitida de manchas negras que surgiram no Sol.

Infiltrado na Convenção está o Duque Red, líder do Partido Red, que onde cientista  Dr. Lawton e o obriga a criar uma criança, através da pesquisa de células sintéticas (Michi) para transformá-la em arma, e a partir daí o enredo se desenvolve.

Com medo que essa criança se torne uma ameaça, Lawton simula uma explosão do se laboratório e foge com Michi,o criando como seu próprio filho.

Publicada originalmente em 1949 com mais de 150 páginas o mangá de ficção científica, traz de uma forma bem humorada temas sérios, sendo voltada para o público infantil e infanto-juvenil, podendo ser utilizado em sala de aula como ferramenta da discussão, por exemplo “Qual o limite da Ciência?”, Ética, Homem X Ciência, ou o contexto histórico (Pós Guerra) em que a obra foi criada.

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Obras de importantes filósofos ganham versões em quadrinhos

Pensadores como Karl Marx, un Tzu e Rousseau podem ser lidos em novelas gráficas.

Se alguém contar, em uma conversa, que leu uma peça de Shakespeare em quadrinhos, ouvinte nenhum se espantará demais. Afinal, as obras do dramaturgo inglês têm roteiro elaborado, repleto de personagens e conflitos que podem ser bem retratados em imagens. Mas, se o autor em questão for um filósofo que escreveu livros cheios de conceitos complexos e reflexões teóricas, é bem possível que a surpresa seja maior.

É isso, porém, que está acontecendo com livros de autores teóricos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Jean-Jacques Rousseau, entre outros nomes consagrados. Tratados, artigos e reflexões desses pensadores ganharam adaptações em narrativas gráficas nos últimos tempos e chegaram às lojas brasileiras em coleções como Clássicos em mangá, que lançou, até agora, cinco obras do mundo acadêmico.

Para o professor Vinicius Rodrigues, pesquisador sobre quadrinhos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as HQs são um campo de atuação vasto que não precisa se limitar a trabalhos de narrativa mais comum. No entanto, o especialista reconhece que levar o texto teórico a esse suporte é um obstáculo. “Parece-me que, nesse caso, estaríamos lidando com a mesma dificuldade da adaptação cinematográfica caso o filme não fosse um documentário”, compara.

Os clássicos publicados pela coleção traçam o percurso apontado pelo professor. Acrescentam personagens e histórias que estão ausentes na obra original. Responsável pelas publicações, o tradutor Alexandre Boide acredita que essas mudanças podem facilitar o entendimento dos textos. “O leitor pode compreender de forma mais vívida o tipo de sofrimento humano que estimulou o surgimento dessas ideias, e também seu potencial efeito sobre a vida das pessoas”, esclarece.

Clássicos em mangá

Coleção com quadrinhos adaptados de textos teóricos de importantes pensadores. LP&M, cinco volumes, R$ 17,90 (a unidade).

Fonte:http://divirta-se.uai.com.br/

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=510927&SubsecaoID=0&Serie=Mang%E1s

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Projeto em História em Quadrinhos discute o aumento de casos de Bullying nas escolas

De autoria de Kleber Santos e Paco Steinberg a HQ conta a história do personagem Gabriel, um garoto que resolve lutar contra o bullying que sofre dentro da escola. E, graças à sua iniciativa, o garoto consegue indiretamente imobilizar a escola contra esse mal social.

A obra mostra apenas uma das maneiras de pais, professores e alunos lidarem com o problema, mas a partir da identificação com o personagem, as crianças podem escolher qual caminho seguir.

O projeto foi criado com o propósito de ser distribuído gratuitamente nas escolas.

Interessados entrem em contato na Pagina do projeto “FORA BULLYING” no Facebook https://www.facebook.com/pages/Fora-bullying/551611654967589?sk=info10560575_551613484967406_2159599981554210786_o

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