Obras de importantes filósofos ganham versões em quadrinhos

Pensadores como Karl Marx, un Tzu e Rousseau podem ser lidos em novelas gráficas.

Se alguém contar, em uma conversa, que leu uma peça de Shakespeare em quadrinhos, ouvinte nenhum se espantará demais. Afinal, as obras do dramaturgo inglês têm roteiro elaborado, repleto de personagens e conflitos que podem ser bem retratados em imagens. Mas, se o autor em questão for um filósofo que escreveu livros cheios de conceitos complexos e reflexões teóricas, é bem possível que a surpresa seja maior.

É isso, porém, que está acontecendo com livros de autores teóricos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Jean-Jacques Rousseau, entre outros nomes consagrados. Tratados, artigos e reflexões desses pensadores ganharam adaptações em narrativas gráficas nos últimos tempos e chegaram às lojas brasileiras em coleções como Clássicos em mangá, que lançou, até agora, cinco obras do mundo acadêmico.

Quadrinhos incorporam personagens aos textos teóricos (Divulgação)

Para o professor Vinicius Rodrigues, pesquisador sobre quadrinhos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as HQs são um campo de atuação vasto que não precisa se limitar a trabalhos de narrativa mais comum. No entanto, o especialista reconhece que levar o texto teórico a esse suporte é um obstáculo. “Parece-me que, nesse caso, estaríamos lidando com a mesma dificuldade da adaptação cinematográfica caso o filme não fosse um documentário”, compara.

Os clássicos publicados pela coleção traçam o percurso apontado pelo professor. Acrescentam personagens e histórias que estão ausentes na obra original. Responsável pelas publicações, o tradutor Alexandre Boide acredita que essas mudanças podem facilitar o entendimento dos textos. “O leitor pode compreender de forma mais vívida o tipo de sofrimento humano que estimulou o surgimento dessas ideias, e também seu potencial efeito sobre a vida das pessoas”, esclarece.

Clássicos em mangá

Coleção com quadrinhos adaptados de textos teóricos de importantes pensadores. LP&M, cinco volumes, R$ 17,90 (a unidade).

Fonte:http://divirta-se.uai.com.br/

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=510927&SubsecaoID=0&Serie=Mang%E1s

Publicado em Educação, Histórias em Quadrinhos, Noticia | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Projeto em História em Quadrinhos discute o aumento de casos de Bullying nas escolas

De autoria de Kleber Santos e Paco Steinberg a HQ conta a história do personagem Gabriel, um garoto que resolve lutar contra o bullying que sofre dentro da escola. E, graças à sua iniciativa, o garoto consegue indiretamente imobilizar a escola contra esse mal social.

A obra mostra apenas uma das maneiras de pais, professores e alunos lidarem com o problema, mas a partir da identificação com o personagem, as crianças podem escolher qual caminho seguir.

O projeto foi criado com o propósito de ser distribuído gratuitamente nas escolas.

Interessados entrem em contato na Pagina do projeto “FORA BULLYING” no Facebook https://www.facebook.com/pages/Fora-bullying/551611654967589?sk=info10560575_551613484967406_2159599981554210786_o

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Marvel Comics usa capas para campanha anti-bullying

Marvel Comics divulgou que lançará em outubro uma série de capas alternativas que farão parte de uma campanha anti-bullying, sincronizada com outras iniciativas nacionais para prevenir esse tipo de problema nas escolas.

Os títulos cujas capas temáticas estão ligadas à campanha são: Rocket Raccoon # 4, Guardians of the Galaxy # 20, Avengers # 36, Inhuman # 7, Hulk # 7, Captain America # 25 eLegendary Star-Lord # 4.

Nos Estados Unidos, a primeira segunda-feira do mês de outubro – que marca o retorno dos alunos á escola após as férias de verão, no hemisfério Norte – foi transformada no Dia da Camisa Azul, um símbolo de solidariedade relacionado à prevenção do bullying.

Axel Alonso, editor-chefe da Marvel Comics, ressaltou que o bullying é um elemento ligado à origem de diversos super-heróis, basta lembrar da relação entre Peter Parker e Flash Thompson, nas histórias do Homem-Aranha das décadas de 1960 e 1970.

Fonte: Universo HQ -Sérgio Codespoti

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Ex-aluno de Design Gráfico da PUCPR lança álbum de quadrinhos sobre lendas de Curitiba.

Curitiba tem muita história pra contar. Com esse lema é que Walki​r Fernandes, formado em design gráfico pela PUCPR, em conjunto com seus sócios Antonio Eder e Carol Sakura, criaram “Bocas Malditas – Curitiba e suas histórias de gelar o sangue”.

O álbum de quadrinhos narra as mais famosas e curiosas lendas urbanas da nossa cidade. As histórias ganharam beleza nas mãos de mais de 30 artistas curitibanos, ilustradores, designers e roteiristas, dentro os quais contamos com alunos e ex-alunos de Design da PUCPR, como Giuliano Bulara e Carlos Iubel. Outra participante é Rafaela Lech, aluna do oitavo período do curso de design gráfico da PUCPR. Rafaela idealizou o projeto gráfico e o design de títulos da publicação.

O lançamento ocorrerá na Gibicon, que este ano será no MUMA – Museu Municipal de Arte, no dia 05/09 a partir das 19h30. Os participantes estarão autografando os álbuns no stande da Quadrinhopole.

 

Lançamento acontece nesta sexta-feira, na Gibicon

Fonte: PUCPR

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Alunos do TECPUC lançam Fanzine na Gibicon nº2

Aconteceu neste final de semana em Curitiba a Gibicon nº2 que reuniu mais de 20 mil pessoas nos quatro dias de evento. 

Entre os convidados estavam os internacionais como David Loyd (V de Vingança), Kim Jung Gi, Eduardo Risso (100 Balas), e artistas nacionais também como Fábio Moon, Will Conrad, José Aguiar entre outros.

2 

A convite do quadrinista Antônio Eder ( O Gralha, Cidade Sorriso dos mortos-vivos), os alunos do Ensino Médio Técnico, Ricardo Zen, Leonardo Higashi e João Basso estiveram lançando o terceiro volume da revista Café Impresso, além de poder vender a revista, tiveram a oportunidade de ter contato com artistas de todo Brasil, trocando experiências, participando de oficinas e palestras.

3

 

 

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Evento: II Simpósio de Histórias em Quadrinhos

Aconteceu no último dia 14 de agosto na Pontifícia Universidade Católica do Paraná o II Simpósio de Histórias em Quadrinhos, uma parceria do Projeto HqE! e TECPUC.

Este ano o tema os convidados foram Antônio Eder e Walkir Fernandes, da Dogzilla Studio, o quadrinista José Aguiar e André Caliman, que falaram um pouco de suas experiências e suas atividades voltadas para a área de Histórias em Quadrinhos.

Além das palestras os convidados fizeram uma manhã de autógrafos para os alunos.

14190_571641059625003_4040384905346781749_n 995605_10203905652097400_6500734697217869984_n 997012_676970249056406_4527589433350282507_n 1453218_10203905735099475_6063096522144271068_n 1504098_676970362389728_7430171523572047666_n 1544459_553767224749897_1963982853956244186_n 1551668_10203905296208503_4149384260227460090_n 1920534_676969829056448_8822181055303431941_n 10013617_676970145723083_7486911340070504493_n 10368245_682621915157463_7285461472340990050_n 10392590_676970325723065_3257068865230854263_n 10402538_10203905233326931_3623524318797818335_n 10406874_553767238083229_4313054352007307164_n 10426139_884637938230243_8693252841886110871_n 10486468_676970179056413_7319473525936316821_n 10487604_682622011824120_5943812214043271192_n 10516715_682621715157483_6682194482696986534_n 10537013_884637748230262_1777097720074154935_n 10547407_884693308224706_1898295449427823511_n 10553636_884719181555452_3978380290882410879_n 10556284_682621795157475_1709332809402521818_n 10556312_884720358222001_5842758141357302790_n 10565248_682621755157479_3721228264815274793_n 10568798_676969789056452_7621753029688442289_n 10606583_10203905412411408_2580552918943440355_n 10609627_884637718230265_8625163712387067120_n 10609690_676969752389789_3499765072294967799_n 10616528_884637881563582_3677722911629706628_n 10616648_682621981824123_4002656918567882844_n 10616722_676970112389753_4581967561900793910_n

Fotos de: José Aguiar, Walkir Fernandes, Victória Bittencourt e Carol Sakura.

Publicado em Educação, Eventos, Histórias em Quadrinhos | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

II Simpósio de Histórias em Quadrinhos: Histórias em Quadrinhos e sua representação da Sociedade

O evento, uma realização do Projeto de Histórias em Quadrinhos na Escola (HqE!), parte integrante da pesquisa de Iniciação Científica do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná PUCPR e do Colégio  Técnico Integrado ao Ensino Médio (TECPUC), ocorrerá no dia  14 de agosto de 2014, no câmpus Curitiba da PUCPR.

image002

O tema do Simpósio será “Histórias em Quadrinhos e sua representação da Sociedade”, com palestras dos quadrinistas José Aguiar, André Caliman, Antônio Eder e Walkir Fernandes.

O público alvo do evento são alunos de Ensino Médio, o Simpósio tem por objetivo relacionar a teoria com a pratica em relação aos conteúdos trabalhados em sala de aula e promovendo o contato dos alunos com profissionais da área de Histórias em Quadrinhos, Design Gráfico, Ilustração, Animação Digital e áreas afins, além de apresentar os trabalhos realizados pelos alunos durante o ano letivo.

 

 

Publicado em Educação, Eventos, Histórias em Quadrinhos | Marcado com , , | Deixe um comentário

Cérebro em quadrinhos

Narrativa fragmentada: Para Farinella (no alto) e Hana, histórias em quadrinhos, como a Neurocomic (ao lado), são o formato ideal para discutir ciência e outros temas mais complexos (Foto: Divulgação)NARRATIVA FRAGMENTADA: PARA FARINELLA (NO ALTO) E HANA, HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, COMO A NEUROCOMIC (AO LADO), SÃO O FORMATO IDEAL PARA DISCUTIR CIÊNCIA E OUTROS TEMAS MAIS COMPLEXOS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

 

Ambos possuem pós-doutorado na área de neurociência e são pesquisadores conceituados pelas Universidades de Londres e Yale. Mas, na sua última obra, a croata Hana Ros e o italiano Matteo Farinella trocaram a tradicional “introdução, metodologia e conclusão” dos trabalhos acadêmicos por ilustrações sobre “florestas de neurônios e castelos da ilusão”. O resultado é Neurocomic, história em quadrinhos lançada na Inglaterra no final de 2013 (ainda não está previsto lançamento no Brasil). A ideia é explicar de maneira acessível princípios básicos do funcionamento do cérebro. GALILEU conversou com os autores (ambos trabalharam no roteiro e as ilustrações são de Farinella), que falaram sobre a relação entre a formação da nossa memória e a linguagem dos quadrinhos.

P: Qual a origem do livro?
Matteo Farinella:
Eu sempre desenhei, mesmo depois que decidi trabalhar com ciência. Particularmente, gosto dos quadrinhos por serem tão acessíveis e ao mesmo tempo tão poderosos em expressar ideias complexas. Quando conheci a Hana, logo começamos a falar em um quadrinho sobre o cérebro.
Hana Ros: Eu sou fascinada por arte, mesmo sempre tendo trabalhado como neurocientista. Quando me dedicava apenas à ciência, sentia que ela não podia me satisfazer por completo. Tive sorte de conhecer o Matteo, que me apresentou a rota para esse mundo.

P: O que torna o cérebro humano um cenário típico de jornadas como a de Alice no País das Maravilhas?
MF:
O cérebro está no cerne da nossa própria existência e ainda há muita coisa sobre ele que não compreendemos. É um território não explorado onde ainda podemos ter esperança de encontrar respostas para todas as nossas dúvidas.
HR: O fato de não entendermos o funcionamento do cérebro é o que o torna o cenário ideal para aventuras de ficção.

ILUSTRADORES CLÁSSICOS DE LIVROS CIENTÍFICOS, COMO FRITZ KAHN E DA VINCI, FORAM A INSPIRAÇÃO

P: É possível vermos mais trabalhos acadêmicos apresentados como HQs num futuro próximo?
MF: Os quadrinhos viraram um meio respeitado e há uma pressão crescente para tornar pesquisas mais abertas e acessíveis. Acho que os quadrinhos podem ser o formato ideal, mas talvez não em um futuro próximo.
HR: Quadrinhos têm a vantagem de oferecer algo diferente do texto acadêmico. No entanto, não acho que eles irão, ou deverão, substituir a pesquisa acadêmica. É necessário ter ambos servindo para seus respectivos propósitos.

P: Que público tinham em mente?
MF: Talvez alguns conceitos sejam complexos para jovens leitores, mas espero que o fator estético chame a atenção deles. Já os profissionais da ciência podem apreciar o assunto visto de outra forma.
HR: Nunca pensei em quem poderia ler esse livro. Era algo que eu queria fazer para mim, como uma forma de expressar coisas que estavam na minha cabeça. Não sabíamos se iria funcionar. Era bastante experimental, então nunca presumi que um determinado público iria ler.

P: O quadrinista norte-americano Chris Ware disse que os “quadrinhos são por definição uma arte da memória”. O que vocês acham dessa afirmação?
MF: Foi ao conhecer o trabalho do Chris que entendi que HQs podiam ser usadas para falar de ciência. Não percebemos a realidade como uma sequência linear de eventos, mas como uma confusão repleta de camadas que mesclam presente, passado, futuro, memória e expectativas.
HR: A forma como os quadrinhos nos fornecem fragmentos é similar ao modo como construímos nossas memórias. É a transitoriedade e a desordem dos quadrinhos que me conectam a eles.

Fonte: Revista Galileu.

 

Publicado em Educação, Histórias em Quadrinhos, Noticia | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário

Quadrinhos silencioso, a Linguagem de Sinais nas HQs

No próximo dia 30/07 será lançada nos Estados Unidos a HQ nº 19 do Hawkeye, ou Gavião Arqueiro como queiram, o interessante é que ela terá legenda em linguagens de sinais, (LIBRAS no Brasil).

A HQ tem roteiro de Matt Fraction e arte de David Aja.

Hawkeye19 Hawkeye-Sign-Language-470x976

A intenção da História é conectar o leitor as novas necessidades do personagem que perde a audição momentaneamente após uma batalha.

Hawkeye19P2
O bacana que os responsáveis pela História em Quadrinhos tiveram a consultoria de Rachel Coleman, integrante do grupo Signing Time, que ajuda crianças surdas com a linguagem de sinais.

Com o lançamento desta revista observamos uma nova forma de se aplicar a Arte Sequencial, utilizando ao máximo a sequência de imagens para contar uma história e a mescla das duas linguagens (Sequencial e Libras) pode gerar uma terceira linguagem, já que ela não se difere da “Literatura Surda”.

“A literatura surda está relacionada com a cultura surda. A literatura da cultura surda, contada na língua de sinais de determinada comunidade lingüística, é constituída pelas histórias produzidas em língua de sinais pelas pessoas surdas, pelas histórias de vida que são frequentemente relatadas, pelos contos, lendas, fábulas, piadas, poemas sinalizados, anedotas, jogos de linguagem e muito mais.”

 

A utilização de Histórias em Quadrinhos pode ser uma nova ferramenta para a aproximação do leitor surdo com a Leitura, principalmente pelo fato dos surdos possuírem uma memória visual.

Aqui no Brasil, já tivemos essa experiência com os quadrinhos da Turma da Mônica que trazia a linguagem de sinais em seu gibi.

Aprendendo a falar 7 (Turma da Mônica)

Aprendendo a falar 9 (Turma da Mônica)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para aplicação na escola do uso das Hqs com os alunos com deficiência auditiva pode diminuir as dificuldades de comunicação e ambientar os alunos podendo criar histórias com fatos que acontecem no seu dia a dia.

Referências:

McCLOUD, Scott. Desvendando os quadrinhos. São Paulo. Makron Books, 1993.

http://ensinodelibras.blogspot.com.br/2009/02/dica-de-atividade-3-ideias-para-uso-de.html

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/10/literatura-em-libras-estimula-inclusao-e-desenvolvimento-de-criancas-surdas.html

http://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/26/literatura-surda/

‘Hawkeye’ #19 to tackle deafness with sign language, empty word bubbles. http://popwatch.ew.com/2014/07/24/hawkeye-19-to-tackle-deafness-with-sign-language-empty-word-bubbles/

Publicado em Artigo, Educação, Histórias em Quadrinhos, Noticia | Deixe um comentário

Uma norma para acabar com os quadrinhos nacionais.

Por Gian Danton.

“No dia 13 de março de 2014 o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente aprovou, de forma unânime, a resolução n. 163 que considera abusiva toda e qualquer publicidade e comunicação mercadológica dirigidas às crianças.

A resolução é apoiada por muitos como uma forma de proteger as crianças contra os abusos, mas, se for colocada na prática, vai ter resultados muito mais amplos.

Legislações restritivas à publicidade infantil existem em outros países do mundo. Na Suécia, por exemplo, estão proibidos os comerciais na TV aberta. Países como Chile e Peru proíbem anúncios de determinados alimentos e bebidas. Na Grécia, anúncios de brinquedos só podem ser anunciados na TV aberta em horário adulto. No Irã, bonecos dos Simpsons e da Barbie não podem ser comercializados ou anunciados. Mas esse é o primeiro caso de proibição total e absoluta de qualquer tipo de comunicação comercial voltada ao público infantil.

A resolução considera abusiva “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. Estão proibidos linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

A resolução define a ‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.

Ou seja: a legislação, na prática, proíbe qualquer comunicação voltada às crianças. O maior prejudicado com a norma é, claro, Maurício de Sousa. Muitos têm comemorado o fato de que ele não pode mais colocar seus personagens em produtos infantis, como pacotes de maçãs.

Mas a legislação é tão ampla que afeta quase toda a produção nacional destinada às crianças. As revistas em quadrinhos infantis, por exemplo, dificilmente se sustentam sem publicidade. Produzir um gibi infantil é um processo caro que quase nunca se paga apenas com as vendas de revistas (até porque essas vendas se reduzem a cada ano). Da mesma forma, os desenhos animados só são exibidos por causa da publicidade. Não por acaso, as TVs abertas estão tirando desenhos animados de sua programação. Há de se perguntar como ficarão os canais infantis da TV por assinatura, até porque eles não poderão mais ser anunciados e também não poderão mais exibir publicidade.

Na prática, a resolução joga uma pá de cal no mercado de desenhos animados infantis, que vinha apresentando um crescimento invejável, com personagens como Peixonauta e Turma da Mônica, e coloca em situação difícil as revistas infantis nacionais, já que não é permitida nem mesmo a publicidade das próprias publicações. Ou seja: a revista do Cebolinha não pode mais anunciar o conteúdo da revista do Cascão.

Mas essa é uma visão otimista. A legislação é tão ampla que, na prática, pode proibir até mesmo as capas dos gibis infantis. Veja-se: a legislação considera “‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos”.

Todo manual de marketing explica que um dos elementos essenciais da comunicação mercadológica é o merchandising, ou apelo no ponto de venda. No caso das bancas de revista, o apelo comercial é feito através das capas das revistas. Ou seja, sob qualquer aspecto, a capa de um gibi é uma comunicação mercadológica. Se a norma realmente for seguida, os editores de revistas infantis terão que se adaptar, uma vez que não poderão mais exibir personagens nas capas de suas revistas. Uma solução talvez seja vender as revistas lacradas, com tarjas escondendo os personagens da mesma forma como hoje se faz com as revistas pornográficas. Num mercado em que gibis vendem cada vez menos, a resolução pode ser a pá de cal no mercado de quadrinhos nacionais.

Lendo a legislação lembrei do amigo desenhista Antonio Eder, que, mesmo depois de adulto, ainda tinha o álbum de figurinhas do Palhaço Zequinha, lançado pelo governo do Paraná no final dos anos 1970. O álbum era gratuito e as figurinhas eram trocadas por notas fiscais. Um incentivo para que a população exigisse notas fiscais que fez a alegria de muitas crianças curitibanas. Pela nova legislação, a iniciativa seria ilegal, uma vez que a norma proíbe a “promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis”.

No pior dos cenários, até mesmo as coleções de miniaturas de personagens de quadrinhos (como os da Marvel e DC, que temos visto nas bancas) ficam comprometidas. Explica-se: a legislação atual já proíbe vender em banca de revista algo que não seja revista. Assim, quando se pretende lançar algo do gênero, coloca-se uma revista junto, e diz-se que o boneco é brinde para quem comprou a revista. Como agora brindes são proibidos e como a maioria das pessoas vê quadrinhos como coisa exclusivamente de crianças…

Uma legislação que coíba abusos na publicidade infantil seria bem vinda. Mas a proibição total, com uma lei tão ampla que pode afetar até as capas dos gibis nacionais interessaria a quem? Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas diretamente do site do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente.”

Fonte: Digestivo Cultural.

Lendo a Resolução do CONADE, as proibições e restrições me parecem mais uma tentativa de diminuir a produção cultural para o público infantil do que uma forma de proteção contra propaganda abusiva. Artistas e produtoras e o próprio público serão prejudicados, pois sabemos sem apoio (patrocínio e propaganda) dificilmente um projeto consegue se manter, e os poucos que existem se enfraquecerão muito em breve. Se um dia pensamos em ter no Brasil mais produtoras e e editoras voltadas para o público infantil de qualidade, podemos esquecer a partir de agora.

Ao que me parece é mais fácil proibir do que resolver um problema de educacional e de conscientização da população. Quando um cidadão comprar um produto pelo fato dele estar vinculado a um desenho ou filme não é culpa da propaganda, mas sim de um déficit educacional e cultural que o próprio Estado é culpado, e pelo jeito, não tem intenção nenhuma de resolver esse problema tão cedo.

 

Publicado em Artigo, Educação, Noticia | Deixe um comentário