Evento: 1 Ciclo de Quadrinhos das Livrarias Curitiba

Aconteceu ontem o 1 Ciclo de Palestras das Livrarias Curitiba com o quadrinista José Aguiar, conversamos sobre a história dos Vingadores nas HQs, no cinema e também sobre o “filme” Homem de Ferro 3. É muito bom ter um evento para debater sobre Histórias em Quadrinhos em nossa cidade. Que venha a próxima edição.

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Dicas de leitura na internet

Excelente artigo sobre o Laerte, de Diogo Guedes no Suplemento Pernambuco [AQUI]

Esse é o primeiro ponto em que é impossível ver Laerte: definir sua obra é sempre falar do seu passado, porque o presente será atualizado amanhã, talvez de forma radical. É como se só houvesse a pegada do autor, nunca as suas pernas, e como se cada novo rastro indicasse que quem caminha mudou de direção.

Uma entrevista interessantíssima com Chris Ware [AQUI], feita pelo Ramon Vitral como preparação para uma matéria para revista Galileu [AQUI].

Acho que o potencial dos quadrinhos para capturar o fluxo e refluxo da consciência em toda sua complexidade visual e linguística foi muito pouco explorado, principalmente por eu achar que histórias em quadrinhos são por definição uma arte da memória. E eu tento expandir essa concepção em quase tudo o que faço,de preferência sem alienar o leitor durante esse processo. A utilidade desse meu esforço pode ser questionada, é claro.

Quadro de Planeta Ruiva, uma das séries do site Outros Quadrinhos

E aqui um punhado de HQs online e traduzidas para o português, no site Outros Quadrinhos, que é atualizado toda semana com novas páginas. Tem pra todos os gostos. Visite [AQUI] e escolha uma série para acompanhar.

viaDicas de leitura na internet.

Artigo: Gêneros textuais e a diversidade do trabalho pedagógico no ensino da língua portuguesa: arte sequencial

Resumo do projeto que será apresentado este ano O Seminário de Iniciação Científica (SEMIC) e a Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação da PUCPR e que já foi apresentando na 2a Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da USP.

GARCIA, Marcio Roberto da Silva 1
OLIVEIRA, Fabiane Lopes de 2
PIBIC – Bolsa PUCPR-PIBIC

Introdução: Segundo SILVA e NETO (2011): “Nosso fascínio pela imagem, bem como a necessidade de se comunicar, data desde os primórdios da história da humanidade”. Partimos do principio que utilizar imagens em sequencia para contarmos uma história poderia auxiliar os alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio com suas dificuldades de leitura e interpretação de textos. Objetivo: Verificar como estão sendo elaboradas as políticas de incentivo a leitura dentro do âmbito escolar, quais são as ferramentas utilizadas, e como objetivo específico, buscamos identificar se as histórias em quadrinhos estão sendo usadas em sala de aula pelos professores e os benefícios que elas trazem para o aprendizado, propondo espaços adequados dentro das bibliotecas escolares para a leitura das histórias em quadrinhos. Metodologia: Consultamos os PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais – que citam a necessidade de uma nova releitura das práticas pedagógicas dentro da escola, mencionando os quadrinhos. Como arcabouço teórico utilizamos, autores como EISNER (1995), RAMOS (2012), VERGUEIRO (2010) para melhor entendimento da linguagem das HQs. Inicialmente visitamos o espaço da Escola de Ensino Fundamental e diálogo com a direção e professores do primeiro ciclo para verificar qual o entendimento que tinham sobre o assunto. Na Escola de Ensino Médio foi preparada uma apresentação para os professores no Núcleo de Linguagens e Códigos e logo em seguida foram preparadas cerca de cinco aulas abordando a origem e como ler uma HQs, além de discutir com os alunos assuntos relacionados à língua portuguesa e as HQs, utilizando os princípios da necessidade da “alfabetização necessária” apresentados por VERGUEIRO (2012). Resultados: Com o acompanhamento do professor de Literatura, trabalhamos com os alunos a obra de Álvares de Azevedo “Noite na Taverna”, em um primeiro momento a leitura da obra original, publicada em 1855, onde os alunos apontavam suas impressões e dificuldades, após o contato com a obra original, apresentamos a adaptação em História em Quadrinhos lançada em 2011 para fazermos um comparativo. Posteriormente os alunos produzirão seus próprios contos que serão adaptados em quadrinhos para uma futura exposição ou publicação. Conclusões: A partir da pesquisa feita e aplicada, na Escola de Ensino Fundamental, foram firmadas parcerias para a criação de um espaço para apreciação da Arte Sequencial para os alunos e professores, com o intuito de ampliar essa atividade para outras disciplinas e modalidades.

Palavras-chave: Arte Sequencial; Leitura e escrita; Criatividade e metodologia diferenciada

Semana Literária do SESC – IX Feira Universitária do Livro UFPR

Aconteceu ontem (sábado dia 21/09) a mesa redonda com Rafael Coutinho e Fábio Moon, falando sobre Quadrinhos, Adaptações Literárias e sobre o uso das HQs na escola.

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Foi muito interessante ouvir dos próprios quadrinistas suas impressões sobre o mercado das Adaptações Literárias e como são vistos os Quadrinhos por aqueles que não conhecem sua linguagem.

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Estávamos lá eu (Marcio), professora Géssica Peniche e a aluna Isabelle Lemes. Pegamos autógrafos, conversamos com os quadrinistas. Muito Legal!

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Video: Mudança de Paradigmas da Educação

Esta animação foi criada a partir da adaptação de uma palestra na RSA, feita por Sir Ken Robinson, personalidade de renome mundial, especialista em educação, que recebeu o Prêmio da RSA Benjamin Franklin. A tradução e a legendagem em português foi feita no site DotSub.
Neste vídeo mostra como a aprendizagem colaborativa é deixada de lado no ambiente escolar e sua importância na vida social, as mudanças na estrutura educacional e as dificuldades de aprendizagem.

RECOMENDADÍSSIMO PARA QUEM SE INTERESSA NA EDUCAÇÃO.

http://dotsub.com/view/58707cf2-f861-46dd-95c3-62020b4ec8c8

Dica de Leitura: Turma da Mônica – Laços – Lu e Victor Cafaggi- Editora:MSP/PANINI

Esperei alguns meses antes de escrever algo sobre a HQ Laços, que integra o selo Graphic MSP, que reúne artistas que dão sua percepção à obra de Maurício de Sousa. Eu precisava refletir sobre essa HQ tão sensível e de alta qualidade.

Nesta edição Lu Cafaggi (MixTape) e Vitor Cafaggi (Valente) desenham e escrevem a história da turma mais emblemática das Histórias em Quadrinhos. Convenhamos que escrever sobre a Turma da Mônica é uma imensa responsabilidade, já que (acredito eu) que não exista uma pessoa em nosso país que não tenha lido pelo menos um gibi desta galera.

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A sinopse da história é a seguinte: Cebolinha e Cascão estão aprontando suas estripulias, para azar da Mônica. Mas Floquinho, o cãozinho do menino troca-letras, foge de casa e o deixa arrasado. A amizade da turminha será testada e fortalecida na busca pelo querido animal de estimação do Cebolinha.

 

Vamos começar pelo roteiro, que seria digno a qualquer filme da Sessão da Tarde (Conta Comigo e Goonies) e nos faz sentir parte daquilo, a cada pagina que é lida parece situações que vivemos na infância, que moramos na Vila do Limoeiro e que foi o cachorro vizinho que fugiu…

Outro ponto bacana são os Ester Eggs que remetem as histórias antigas da turma, como algumas imagens e personagens.

 

As ilustrações e as cores, e principalmente os flashbacks são de uma delicadeza pouco vista em uma história em quadrinhos, não tem como não se emocionar em ver a turma e sua versão baby e não abrir um sorriso largo com os planos infalíveis do Cebolinha já “maiorzinho”. O traço de Vitor para turma também mostra mais da personalidade de cada um, a página que mostra a volta da turma depois da busca pelo Floquinho é o maior exemplo disso.

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Posso dizer que, Turma da Mônica – Laços é a Melhor HQ de 2013 (recomendado para trabalhar com alunos da Educação Infantil ao Ensino Superior ) nota 10.

HQs trabalham conteúdos de forma superficial, diz Instituto Pró-Livro

Duas frases que explicam o olhar “oficial” sobre uso dos quadrinhos no ensino.

Primeira frase: “Eu acho que [uso de histórias em quadrinhos no ensino] pode ser um meio, nunca um fim. Porque o quadrinho pode até trabalhar algum conteúdo, mas o faz de forma superficial. Como incentivo à leitura, ele pode ser um mobilizador”.

Segunda frase: “… seria inteligente usar essa ferramenta [quadrinhos] como uma forma de trazer a garotada seja para a leitura, seja para conteúdos mais complexos”.

As duas declarações são da mesma pessoa, Zoraya Failla, gerente-executiva do Instituto Pró-Livro, órgão que reúne editoras e que patrocina a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Os depoimentos foram reproduzidos em reportagem veiculada no portal “Terra” em 9 de setembro.

O que se observa é uma visão equivocada e antiga sobre o papel do quadrinhos como leitura, e leitura estritamente infantil.

Os quadrinhos seriam uma “ferramenta” para leitura de “conteúdos mais complexos”. As HQs até poderiam “trabalhar algum conteúdo”, mas o fariam “de forma superficial”.

Há uma infinidade de obras que poderiam ser utilizadas como exemplos do quão equivocada é essa leitura.


O porém é que essa mesma interpretação que tem pautado políticas governamentais de uso dos quadrinhos no ensino, entre elas o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

Fonte:http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

Semana Literária do SESC e Feira do livro da UFPR abre espaço para os Quadrinhos e recebe dia 21/09 Rafael Coutinho e Fábio Moon.

No dia 21/09 acontecerá a mesa redonda com o tema “Pela porta dos quadrinhos” com os quadrinistas  Fábio Moon e Rafael Coutinho, que no mesmo dia também estarão autografando suas HQs.

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A temática abordada será:

Autores e ilustradores têm realizado parcerias de sucesso no mundo dos quadrinhos, com adaptações ou textos inéditos. Os quadrinhos são uma importante porta de entrada para a leitura? Como eles ajudam na formação de novos leitores?

mais informações:

http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/evento/pela-porta-dos-quadrinhos/

Artigo:O negócio dos quadrinhos

Ao sinalizar interesse na compra de clássicos adaptados, o governo pauta as editoras e desperdiça o que há de melhor nas HQs, a sua produção autônoma

Por Paulo Ramos, professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo — publicado na edição 79, de setembro de 2013

Não é algo explícito, mas há uma espécie de recado sugerido pelo governo federal às editoras brasileiras interessadas em ter obras incluídas nas gordas compras do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). A sugestão dada é que inscrevam clássicos da literatura universal adaptados na forma de histórias em quadrinhos. Há chances reais de um livro nesses moldes ser selecionado.

A opção por dar destaque a adaptações literárias vem desde 2006, data em que os quadrinhos foram incluídos nas listas do programa, que tem por objetivo compor acervos de bibliotecas escolares públicas em todo o País. Neste ano, das 28 obras em quadrinhos compradas pelo PNBE para ser distribuídas, 61% são versões de clássicos.

A lista de adaptações que chega às escolas públicas é ampla. Vai de romances brasileiros como O Guarani e Dom Casmurro a clássicos universais, casos dos shakespearianos Otelo e Hamlet. A Ilha do Tesouro, não se sabe por que, teve duas adaptações selecionadas, cada uma delas produzida por editoras diferentes.

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Do ponto de vista comercial, as editoras já perceberam que há aí um bom negócio. De poucos pares de adaptações existentes em 2005 o mercado saltou para cerca de quatro dezenas ao ano. O principal dado a ser observado é que tais publicações não têm apenas como leitor imediato o interessado em literatura ou o apreciador de histórias em quadrinhos. As listas governamentais de fomento à leitura parecem ser o público-alvo majoritário.

A inclusão de uma obra no PNBE, seja ela em quadrinhos ou não, garante uma venda direta bem superior à tiragem inicial dos livros, que varia entre mil e 3 mil exemplares. Os números costumam saltar para a casa dos dois dígitos.

A questão que se coloca é analisar esses mesmos dados à luz dos pontos de vista que realmente interessam a programas desse porte. Se analisados sob os ângulos do fomento à leitura literária e da inclusão de quadrinhos em acervos de bibliotecas públicas, os critérios utilizados na seleção são bastante questionáveis.

Parte da raiz do problema está nos próprios editais do PNBE, destinados às editoras interessadas em inscrever obras para o programa. O texto associa as histórias em quadrinhos à literatura, sem deixar clara, porém, a natureza dessa aproximação. Outro senão é a tendência de sinalizar que obras quadrinizadas devam ter como conteúdo versões de clássicos.

É o que ocorre, por exemplo, no edital deste ano, destinado a compras de acervo para 2014. Na categorização das obras para alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental e para Educação de Jovens e Adultos, o texto especifica haver interesse na aquisição de quadrinhos, “dentre os quais se incluem obras clássicas da literatura universal”. Pergunta-se: por que há a necessidade de os quadrinhos versarem sobre clássicos literários? Tais publicações não configuram uma leitura válida per se? O edital e os resultados das compras sugerem alguns caminhos de resposta.

A primeira resposta é que se prioriza o conteúdo literário presente nos quadrinhos, e não apenas os quadrinhos em si. É como se estes fossem usados apenas como ferramentas para instar o aluno ao livro romanceado em que a obra foi baseada. Um sinal claro disso é a sistemática presença de adaptações nas listas compradas pelo governo.

A segunda resposta que o texto do edital do PNBE sugere é que os quadrinhos são vistos como uma linguagem mais atraente, possivelmente por conta da mescla entre palavra e imagem, que pode ser uma porta de entrada para o texto literário.

Trata-se de descoberta tardia. Faz quase cem anos que os quadrinhos são o primeiro contato que muitos jovens têm com as letras. Há gerações que cresceram lendo revistas como “Pato Donald”, “Mônica” e “O Tico-Tico”, para ficar em três casos.

Se os quadrinhos são uma porta de entrada, por que não optar pelo que eles têm de melhor, ou seja, sua produção autônoma? Há mais oferta de conteúdo entre o rol de obras em quadrinhos vendidas em bancas e em livrarias do que nas adaptações literárias em si, muitas delas de qualidade discutível e que trazem o sério risco de apresentar ao estudante uma narrativa diversa do texto-fonte.

Consequência disso tudo, e de triste registro, é evidenciar que os quadrinhos estão sendo mal utilizados para contornar a inabilidade de se estimular a leitura dos clássicos literários, algo insubstituível. É só ler uma adaptação em quadrinhos e compará-la com seu romance original para perceber que se trata de obras completamente diferentes, embora ancoradas num mesmo enredo.

Apesar da necessidade de ajustes, há de se louvar a iniciativa do governo federal de compor bibliotecas escolares. Há de se elogiar também a inclusão tardia de títulos em quadrinhos nos acervos e de sinalizar que estes possam compor uma forma válida de leitura – por mais óbvia que possa ser essa constatação, ela ocorre com atraso de décadas no País.

Trata-se de um inegável avanço a inclusão de obras em quadrinhos em bibliotecas escolares e o estímulo à leitura delas, que historicamente foram vistas como produções infantis e de baixa qualidade. O que se sugere é uma revisão nas obras incluídas nos acervos e o descolamento delas das adaptações de clássicos literários.

Para isso, os editais deveriam aliar as compras de obras literárias originais, cuja leitura é necessária e insubstituível, à de outras, de cunho quadrinizado e também original e exemplar, sem a associação com versões dos clássicos, como ocorre no edital que selecionará as obras de 2014. Hoje, tais publicações são minoria no PNBE.

É necessário também que se oriente bem quem seleciona tais produções, priorizando pessoas versadas no tema. Do contrário, uma iniciativa bem intencionada vai alimentar um bom negócio editorial – as adaptações literárias – e privar alunos e professores dos bons conteúdos existentes em quadrinhos.

Fonte:http://www.cartanaescola.com.br/single/show/198/o-negocio-dos-quadrinhos