Faculdade utiliza Histórias em quadrinhos para contar história da Apple

A Faculdade de Administração de Harvard está usando histórias em quadrinhos para ensinar os alunos. A mais recente utlizada pela instituição é a “Apple’s Core”, que conta a história de como Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a famosa empresa de computadores. As informações são do Wall Street Journal.

harvardapplequadrinhosrep

O estudo de caso original foi escrito pelo professor de gerenciamento empreendedor Noam Wasserman. A versão em quadrinhos, com estilo de mangá, foi idéia do professor do Instituto de Administração Asiático, Thomas Alexander. Ele teve a autorização de Wasserman, escreveu o roteiro e um artista filipino ilustrou a história.

Segundo Wasserman, a recepção da revista em quadrinhos pelos alunos foi positiva. Fora da Harvard, foram vendidas 30 cópias da história.

Fonte:http://tecnologia.terra.com.br/

Anúncios

HQ Brasileira será utilizada em Universidade do Tenessee.

A HQ Daytripper de Gabriel Bá e Fabio Moon foi escolhida pela Universidade do Tennessee para o programa “Life of the Mind”.
Este programa tem por objetivo integrar os alunos ingressando no primeiro ano e prepará-los para entrar na vida universitária. Todos os alunos ingressando na Universidade – por volta de 4500 – receberão o livro em Agosto, antes das aulas começarem, e devem ler e fazer um pequeno ensaio sobre ele, para depois participarem de uma série de debates sobre o livro e seus temas.

Daytripper é a primeira História em Quadrinhos selecionada neste programa, que já tem mais de dez anos.

O anúncio oficial da seleção foi feito nesta segunda feira, 7 de Abril

.Imagem

Dica de Leitura: Pobre Marinheiro

A História em Quadrinhos lançada pela Balão Editorial em 2013 foi roteirizada e desenhada pelo norte-americano Sammy Harkham, que se baseou livremente no conto do francês Guy de Maupassant (1850-1893) At Sea.

Henri René Albert Guy de Maupassant, era escritor e poeta que seguia estilo literário Naturalista, teve como amigo e como influência o escritor francês Gustave Flaubert, outros autores que o influenciaram foram:  Balzac, Hippolyte Taine, Émile Zola, Arthur Schopenhauer.

Maupassant deixou cerca de 300 contos entre eles At Sea. O autor teve um fim trágico falecendo internado em um manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis.

pobre_marinheiro-297x300

A HQ e o Conto são sobre a história de um jovem vive uma vida tranquila no interior quando seu irmão surge e o convida para uma expedição comercial no mar. Com possibilidades de ganhos financeiros e aventuras, o jovem aceita, partindo sem a anuência da esposa. Mas a viagem e seu retorno guardam experiências que mudarão o curso de sua história. A sua adaptação para os quadrinhos é um primor de sutileza, por mais que a história seja pesada, o uso de um quadro por página fazem com que o leitor tenha um ritmo de leitura calmo, deixando aquela expectativa de “e agora que vai acontecer” a cada virada de pagina. Outro ponto interessante foi a colorização, os tons de verde também amenizam o clima da história, assim como a ausência quase que total de balões, que faz o leitor construir os diálogos para os personagens.

images

O conto original é marcado os estilos literários Naturalista e Realista, que se baseia em tramas psicológica e em personagens inspirados na realidade. No Brasil tivemos como expoentes destes estilos Machado de Assis e Aluísio de Azevedo.

images-1

O conto original e a adaptação em Histórias em Quadrinhos se mostram interessantes para se trabalhar em sala de aula, até para fugir um pouco do tradicional Dom Casmurro e Memórias Póstumas… (que também possuem ótimas adaptações em HQ), ou até mesmo trabalhar todas as estas obras juntas.

Dica de Leitura: Antes de Watchmen

Antes de escrever sobre o que aprendi com esta série de HQs que contam o preludio da grande obra de Alan Moore e Dave Gibbons, gostaria de deixar alguns pontos bem claros.

A intenção desta série de textos relacionando as histórias em quadrinhos com a Educação não é demostrar que tudo que existe na arte sequencial pode ser usado em sala de aula. Buscarei fazer um paralelo com temas atuais e com algumas disciplinas que podem explorar melhor esta arte,  não tentarei tirar “leite de pedra” e é obvio que nem todas as histórias tem algum conteúdo que possa ser explorado, mas tentarei trazer algumas HQs que eu acredito, possam ser relevantes.

Vamos iniciar com esta série – Antes de Watchmen – lançada aqui no Brasil pela Panini  em oito volumes.

Imagem

A primeira edição conta a história do primeiro Coruja e  mostra como era a vida de Daniel Dreiberg antes de substituir Hollis Manson. A HQ é focada nas ações de Daniel quando era criança, adolescente e já adulto, atuando como o Coruja em suas primeiros missões ao lado de Rorschach. Realmente esta primeira história deixou a desejar por ser um primeiro volume, podemos destacar aqui a arte e a narrativa sequencial que está muito bem organizada, mas é só.

Imagem

Na sequencia foi lançada a HQ com a história da Espectral, contando a vida as personagens Laurie Jane (Espectral), filha de Sally Jupiter (Antiga Espectral). A narrativa lembra os mangás pelo humor e possui um toque que revista adolescente, o roteiro é bom e consegue dar enfoque as relações humanas, principalmente entre mãe e filha e  aos conflitos adolescentes. É interessante lembrar que a história se passa na década de 60, o movimento Hippie, as drogas alucinógenas, guerra do Vietnã estão dentro da HQ, algumas páginas fazem relação aos quadros de Salvador Dalí,  e ao O Grito do norueguês Edvard Munch, destaque também por explorar muito bem a linguagem não verbal, os estilos das fontes e os requadros. ( recomendado para História, Artes e Língua Portuguesa).

Imagem

O volume três é dedicado a Rorschach, mas irei citada apenas, toda a psicologia e a personalidade criada por Moore para este personagem foi quase que totalmente perdida nesta edição (nem mesmo o movimento da sua máscara – que simula o teste que dá nome ao personagem – é utilizado).

Imagem

Chegamos ao volume 4, com a história do Dr. Manhattan, o personagem mais poderoso das HQs. Dr Manhattan é o  alterego de Jonathan Osterman, que ao entrar em uma câmara de testes durante um experimento de Física Nuclear, é completamente desintegrado. Ao invés de morrer, Osterman ganha vastos poderes, o primeiro dos quais o da restituição de seu próprio corpo. Entre seus outros poderes estão força super-humana, telecinese (a habilidade de se teleportar para distâncias interplanetárias e até mesmo intergalácticas), a manipulação da matéria em nível subatômico, sim ele é quase um deus. Nesta HQ encontramos muitas referencias à Física Quântica, Teoria da Complexidade,  Paradoxo (com a teoria do Gato de Schrödinger) Guerra Fria e armas de destruição em massa. Para isso o autor utilizou muito bem os recursos gráficos, invertendo posição de páginas e quadros, a colorização e um roteiro excelente. Sendo assim,  a melhor história da coleção, e a única que consegui observar muitas possibilidades para utilizarmos em sala de aula.

ImagemImagemImagem

As edições seguintes foram Comediante, Ozymandias, Dollar Bill e Moloch, que não são totalmente dispensáveis, mas por não explorarem todo o potencial dos personagens, deixam passar batido muitos pontos interessantes como relação a questões políticas, econômicas, psicologias e sociais que deveriam ser citadas.

Imagem

Isto nos faz ir para o último volume da série, a HQ dedicada aos Minuteman, que narra o inicio dos heróis mascarados, nesta edição talvez o mais interessante tema a se abordar seria as relações sociais, e como os padrões de aceitação de grupos minoritários podem mudar de tempos em tempos, os Minuteman são um grupo de pessoas comuns que decidem usar mascaras e lutar contra o crime, é claro que cada personagem tem uma intenção ao se tornar um vigilante, e isso que faz esta ultima HQ ficar interessante, a questão sociológica aqui é o ponto forte da história, e, pode ser um bom tema disparador para uma aula.

Enfim, em oito volumes, Antes de Watchmen não chegou nem perto de ser um bom prelúdio a obra de Alan Moore e Dave Gibbons, tentei buscar alguns fatos pertinentes para serem usados em sala de aula, é claro, lembrando que esta é uma analise isolada, cada leitor pode encontrar outras possibilidades ou nenhuma de acordo com seu olhar para as obras citadas.

Lembrando que Antes de Watchmen é uma obra adulta, para maiores de 18 anos.