Quadrinhos silencioso, a Linguagem de Sinais nas HQs

No próximo dia 30/07 será lançada nos Estados Unidos a HQ nº 19 do Hawkeye, ou Gavião Arqueiro como queiram, o interessante é que ela terá legenda em linguagens de sinais, (LIBRAS no Brasil).

A HQ tem roteiro de Matt Fraction e arte de David Aja.

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A intenção da História é conectar o leitor as novas necessidades do personagem que perde a audição momentaneamente após uma batalha.

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O bacana que os responsáveis pela História em Quadrinhos tiveram a consultoria de Rachel Coleman, integrante do grupo Signing Time, que ajuda crianças surdas com a linguagem de sinais.

Com o lançamento desta revista observamos uma nova forma de se aplicar a Arte Sequencial, utilizando ao máximo a sequência de imagens para contar uma história e a mescla das duas linguagens (Sequencial e Libras) pode gerar uma terceira linguagem, já que ela não se difere da “Literatura Surda”.

“A literatura surda está relacionada com a cultura surda. A literatura da cultura surda, contada na língua de sinais de determinada comunidade lingüística, é constituída pelas histórias produzidas em língua de sinais pelas pessoas surdas, pelas histórias de vida que são frequentemente relatadas, pelos contos, lendas, fábulas, piadas, poemas sinalizados, anedotas, jogos de linguagem e muito mais.”

 

A utilização de Histórias em Quadrinhos pode ser uma nova ferramenta para a aproximação do leitor surdo com a Leitura, principalmente pelo fato dos surdos possuírem uma memória visual.

Aqui no Brasil, já tivemos essa experiência com os quadrinhos da Turma da Mônica que trazia a linguagem de sinais em seu gibi.

Aprendendo a falar 7 (Turma da Mônica)

Aprendendo a falar 9 (Turma da Mônica)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para aplicação na escola do uso das Hqs com os alunos com deficiência auditiva pode diminuir as dificuldades de comunicação e ambientar os alunos podendo criar histórias com fatos que acontecem no seu dia a dia.

Referências:

McCLOUD, Scott. Desvendando os quadrinhos. São Paulo. Makron Books, 1993.

http://ensinodelibras.blogspot.com.br/2009/02/dica-de-atividade-3-ideias-para-uso-de.html

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/10/literatura-em-libras-estimula-inclusao-e-desenvolvimento-de-criancas-surdas.html

http://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/26/literatura-surda/

‘Hawkeye’ #19 to tackle deafness with sign language, empty word bubbles. http://popwatch.ew.com/2014/07/24/hawkeye-19-to-tackle-deafness-with-sign-language-empty-word-bubbles/

Uma norma para acabar com os quadrinhos nacionais.

Por Gian Danton.

“No dia 13 de março de 2014 o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente aprovou, de forma unânime, a resolução n. 163 que considera abusiva toda e qualquer publicidade e comunicação mercadológica dirigidas às crianças.

A resolução é apoiada por muitos como uma forma de proteger as crianças contra os abusos, mas, se for colocada na prática, vai ter resultados muito mais amplos.

Legislações restritivas à publicidade infantil existem em outros países do mundo. Na Suécia, por exemplo, estão proibidos os comerciais na TV aberta. Países como Chile e Peru proíbem anúncios de determinados alimentos e bebidas. Na Grécia, anúncios de brinquedos só podem ser anunciados na TV aberta em horário adulto. No Irã, bonecos dos Simpsons e da Barbie não podem ser comercializados ou anunciados. Mas esse é o primeiro caso de proibição total e absoluta de qualquer tipo de comunicação comercial voltada ao público infantil.

A resolução considera abusiva “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. Estão proibidos linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

A resolução define a ‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.

Ou seja: a legislação, na prática, proíbe qualquer comunicação voltada às crianças. O maior prejudicado com a norma é, claro, Maurício de Sousa. Muitos têm comemorado o fato de que ele não pode mais colocar seus personagens em produtos infantis, como pacotes de maçãs.

Mas a legislação é tão ampla que afeta quase toda a produção nacional destinada às crianças. As revistas em quadrinhos infantis, por exemplo, dificilmente se sustentam sem publicidade. Produzir um gibi infantil é um processo caro que quase nunca se paga apenas com as vendas de revistas (até porque essas vendas se reduzem a cada ano). Da mesma forma, os desenhos animados só são exibidos por causa da publicidade. Não por acaso, as TVs abertas estão tirando desenhos animados de sua programação. Há de se perguntar como ficarão os canais infantis da TV por assinatura, até porque eles não poderão mais ser anunciados e também não poderão mais exibir publicidade.

Na prática, a resolução joga uma pá de cal no mercado de desenhos animados infantis, que vinha apresentando um crescimento invejável, com personagens como Peixonauta e Turma da Mônica, e coloca em situação difícil as revistas infantis nacionais, já que não é permitida nem mesmo a publicidade das próprias publicações. Ou seja: a revista do Cebolinha não pode mais anunciar o conteúdo da revista do Cascão.

Mas essa é uma visão otimista. A legislação é tão ampla que, na prática, pode proibir até mesmo as capas dos gibis infantis. Veja-se: a legislação considera “‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos”.

Todo manual de marketing explica que um dos elementos essenciais da comunicação mercadológica é o merchandising, ou apelo no ponto de venda. No caso das bancas de revista, o apelo comercial é feito através das capas das revistas. Ou seja, sob qualquer aspecto, a capa de um gibi é uma comunicação mercadológica. Se a norma realmente for seguida, os editores de revistas infantis terão que se adaptar, uma vez que não poderão mais exibir personagens nas capas de suas revistas. Uma solução talvez seja vender as revistas lacradas, com tarjas escondendo os personagens da mesma forma como hoje se faz com as revistas pornográficas. Num mercado em que gibis vendem cada vez menos, a resolução pode ser a pá de cal no mercado de quadrinhos nacionais.

Lendo a legislação lembrei do amigo desenhista Antonio Eder, que, mesmo depois de adulto, ainda tinha o álbum de figurinhas do Palhaço Zequinha, lançado pelo governo do Paraná no final dos anos 1970. O álbum era gratuito e as figurinhas eram trocadas por notas fiscais. Um incentivo para que a população exigisse notas fiscais que fez a alegria de muitas crianças curitibanas. Pela nova legislação, a iniciativa seria ilegal, uma vez que a norma proíbe a “promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis”.

No pior dos cenários, até mesmo as coleções de miniaturas de personagens de quadrinhos (como os da Marvel e DC, que temos visto nas bancas) ficam comprometidas. Explica-se: a legislação atual já proíbe vender em banca de revista algo que não seja revista. Assim, quando se pretende lançar algo do gênero, coloca-se uma revista junto, e diz-se que o boneco é brinde para quem comprou a revista. Como agora brindes são proibidos e como a maioria das pessoas vê quadrinhos como coisa exclusivamente de crianças…

Uma legislação que coíba abusos na publicidade infantil seria bem vinda. Mas a proibição total, com uma lei tão ampla que pode afetar até as capas dos gibis nacionais interessaria a quem? Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas diretamente do site do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente.”

Fonte: Digestivo Cultural.

Lendo a Resolução do CONADE, as proibições e restrições me parecem mais uma tentativa de diminuir a produção cultural para o público infantil do que uma forma de proteção contra propaganda abusiva. Artistas e produtoras e o próprio público serão prejudicados, pois sabemos sem apoio (patrocínio e propaganda) dificilmente um projeto consegue se manter, e os poucos que existem se enfraquecerão muito em breve. Se um dia pensamos em ter no Brasil mais produtoras e e editoras voltadas para o público infantil de qualidade, podemos esquecer a partir de agora.

Ao que me parece é mais fácil proibir do que resolver um problema de educacional e de conscientização da população. Quando um cidadão comprar um produto pelo fato dele estar vinculado a um desenho ou filme não é culpa da propaganda, mas sim de um déficit educacional e cultural que o próprio Estado é culpado, e pelo jeito, não tem intenção nenhuma de resolver esse problema tão cedo.

 

Diagram for Deliquents – entendendo a cabeça de Fredric Whertam

Será lançado em agosto o documentário Diagram for Deliquents, com produção da Sequart Organization.

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O documentário traz aspectos da cultura americana no final dos anos 1940 e início dos 50 e tenta explicar, por meio de entrevistas com artistas e editores, documentos e vídeos históricos, os motivos que colocaram os quadrinhos no meio do fogo cruzado. Mais que isso, tenta desvendar a controvertida personalidade de Fredric Whertam.

Em seu livro A Sedução do Inocente, ele não se limitou a relacionar os crimes cometidos por jovens às histórias de terror e suspense, mas foi além e fez ilações sobre o incentivo à homossexualidade em personagens como Batman e Mulher-Maravilha.

Leia também o post: O doutor que odiava os heróis aqui no blog https://pedagogiaequadrinhos.wordpress.com/2013/12/02/o-doutor-que-odiava-herois/

Fonte: Revista O Grito

Entendendo a linguagem das Histórias em Quadrinhos

O objetivo desse artigo é dar apenas uma introdução a linguagem dos quadrinhos, uma apresentação para educadores que tem interesse em utilizar as HQs em algum momento de suas aulas. De forma alguma as definições abaixo esgotam o assunto e muito menos são definitivas, mas podem ajudar a nortear o início de uma atividade.

Vamos lá!

O que são as Histórias em Quadrinhos?

A História em Quadrinhos não é apenas uma coleção de imagens e palavras em uma página. Para ser considerada uma História em quadrinhos estas imagens e palavras trabalham juntas formando uma linguagem única.

E para que servem essas Histórias?

Essas histórias podem servir para transmitir informações, relatando vários tipos de ideias.

Os quadrinhos são compostos de imagens e diálogos,  por meio dos balões.

Os balões podem se diferenciam pela forma e seu conteúdo também pode ser diferenciado pela grafia das palavras.

Alguns autores não dão forma ao balão colocando apenas a fala e o apêndice para indicar que personagem está discursando. O cartunista Henfil adotava esta técnica.

As letras dentro de um balão podem variar como uma “entonação” da “voz” do personagem. Bons exemplo são os personagem Thor e Sandman.

Os personagens da série Sandman, criados por Neil Gaiman, têm não só as letras, mas os balões diferenciados como Os Perpétuos, irmãos do protagonista.

Alguns autores também podem utilizar o recurso de colocar imagens dentro dos balões.

Ou ainda…
Podem existir quadrinhos sem balões.
Que pode fazer o leitor ter sua própria interpretação dos fatos que ocorrem nas páginas.

Falando em símbolos…

 Onomatopeias!

Onomatopeia. O termo onomatopeia designa o processo de criação de palavras através da imitação de sons naturais e também as palavras formadas através deste processo, como Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas ou até mesmo o timbre de voz.

Ou segundo CIRNE (1970) – “O ruído, nos quadrinhos, mais que sonoro, é visual”. RAMOS pg. 69 (2012)

Um modelo peculiar é o uso nos quadrinhos japoneses – Mangás – , onde as onomatopeias são elementos fundamentais, fazendo parte da ação e, sobretudo, da arte em si.

Isso a torna praticamente impossível de ser “traduzida” devido aos detalhes e entrelaçamento da arte pelos ideogramas.
“As onomatopeias se associam muito à língua do país de onde foram produzidas.” RAMOS pg.79 (2012).

As onomatopeias apensar de ser uma linguagem importante dentro dos Gibis, não são necessariamente uma unanimidade nas produções  existem obras que preferem abolir o recurso, apesar da existência do som, como no caso de V de Vingança, do Alan Moore e David Lloyd.

Os quadros são onde os desenhos são colocados, e sua ordem e dão sequencia à história.

Para introduzir uma história o autor pode utilizar de uma imagem que abrange toda a pagina, normalmente é nela que está o título e informações gerais da HQ. Esta pagina é chamada de Splash page. “Geralmente a primeira página, com um ou duas imagens, incorporando título, logotipo (se houver), créditos e outras informações desse tipo”O´ NEIL pg.11 (2005)

Os quadros podem variar de forma de acordo com o que o autor quer passar na pagina, dando ritmo a história.
“o ritmo da leitura exige que as imagens estejam realmente conectadas para que a ação fique mais clara”. EISNER pg. 74 (2005).

Algumas referências

Dissecando as Histórias em Quadrinhos (III): Balões http://www.quadrinho.com

EISNER, Will. Narrativas Gráficas. São Paulo: Devir, 2005.

RAMOS, Paulo. A leitura dos Quadrinhos. 2ª Ed., São Paulo: Contexto, 2012.

O´NEIL, Dennis. Guia Oficial DC Comics – Roteiros. São Paulo: Opera Graphica Editora, 2005.

O que é onomatopeia ?- PORTAL EDUCAÇÃO – http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/7626/o-que-e-onomatopeia#ixzz2Hx2kXEE6.