Revista em quadrinhos fala sobre solidariedade.

Aos 19 anos, Gustavo Majory, um jovem estudante de Divinópolis, apaixonado por poesias, decidiu reinventar a forma de escrever e passou a produzir revistas em quadrinhos. A edição de número um, foi lançada essa semana com o tema “Natal Solidário”. A intenção do jovem é conscientizar leitores que atitudes muitas vezes banalizadas, podem fazer a diferença na sociedade.

Revista estimula pessoas pensarem em atos cotidianos em Divinópolis (Foto: Gusttavo Majory/Arquivo Pessoal)

Segundo Gustavo o estilo de escrita não chamava muito a atenção dele, já que sempre esteve ligado à poesias. Há um ano quando decidiu que faria as revistas, com ajuda de um amigo desenhista, passou a pesquisar temas de venturas que pudessem despertar a consciência das pessoas com relação a atos banalizados, como ajudar um menino de rua. “A decisão por fazer gibi veio naturalmente. Acho que as pessoas que escrevem passam por fases, já escrevi muitas poesias, crônicas, ao decorrer do tempo vamos mudando e agora decidi investir em histórias de quadrinhos”, disse.

Com o tema “Natal Solidário”, a revista conta a história de uma turma chamada pelo autor de “Turminha do Itapecerica”, onde três personagens principais, que são crianças com idades de sete e oito anos, se unem para proporcionar um Natal diferente para um menino de rua. Juntos eles acionam outros amigos e recolhem roupa, brinquedos e até comida. Em seguida fazem a entrega dos presentes juntos. “A ação é mobilizada pelas próprias crianças. A intenção é mostrar que é possível fazer algumas coisas que ao final vão gerar satisfação para a sociedade. O menino ficou feliz e as crianças que ajudaram também”,disse.

Fonte: G1

Indianos criam super-heroína dos quadrinhos que foi vítima de estupro.

Uma nova HQ que tem como superheroína uma vítima de estupro foi lançado na Índia para chamar a atenção sobre o problema da violência sexual no país.

O Priya’s Shakti, inspirado por histórias motológicas hindus, conta a história de Priya, uma jovem que sobreviveu ao ataque de uma gangue de estupradores, e da deusa Parvati. As duas lutam juntas contra os crimes de gênero na Índia.

O cineasta indiano-americano Ram Devineni, um dos criadores da obra, disse à BBC que teve a ideia de fazer a história em quadrinhos em 2012, quando uma onda de protestos se espalhou pela Índia após o estupro e o assassinato brutal de uma estudante de 23 anos em um ônibus de Nova Déli.

“Eu estava em Déli quando os protestos começaram e me envolvi em alguns deles. Eu conversei com um policial e ele disse uma coisa que me surpreendeu. Disse que garotas sérias não andam sozinhas à noite”, afirmou Devineni.

“A ideia começou desse jeito. Eu percebi que o estupro e a violência sexual na Índia eram culturais e que se sustentavam pelo patriarcalismo, misoginia e percepção popular”.

Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual (Foto: Divulgação)Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual (Foto: Divulgação)
Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro (Foto: Divulgação)Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro (Foto: Divulgação)

Na sociedade indiana, muitas vezes é a vítima do estupro – e não o agressor – que é tratada com ceticismo e acaba sendo submetida ao ridículo e à exclusão social.

“Eu conversei com sobreviventes de ataques de gangues de estupradores e elas disseram que foram desencorajadas por familiares e pela comunidade a procurar justiça, elas também foram ameaçadas pelos estupradores e suas famílias. Até a polícia não as levou à sério”, disse Devineni.

Os quadrinhos refletem uma realidade severa: quando Priya conta a seus pais sobre o estupro, ela é culpada por ele e expulsa de casa.

Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários (Foto: Divulgação)Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários (Foto: Divulgação)

A personagem representa uma mulher indiana genérica e suas aspirações. “Ela é como todos os rapazes e moças que querem viver seus próprios sonhos. Mas esses sonhos foram destruídos após o estupro”, disse Devineni.

No livro, com alguma ajuda de Shiva e Parvati – o casal de deuses mais poderoso na cultura hindu – Priya consegue transformar sua tragédia em uma oportunidade.

No final ela volta à cidade montada em um tigre e derrota seus adversários.

Devineni disse que escolheu usar elementos da mitologia poque o hinduísmo é a religião majoritária do país – 80% da população, ou 1,2 bilhão de pessoas, são hindus – e seus mitos e histórias estão enraizadas em sua vida cultural.

Ele convenceu artistas de rua e criadores de pôsteres de filmes de Bollywood a pintar murais inspirados na história em quadrinhos na favela de Dharavi, em Mumbai, considerada a maior da Ásia.

As pinturas têm “recursos de realidade aumentada”, que permitem às pessoas ver figuras “saltarem” da parede quando são vistas por meio das câmeras de smartphones.

É possível baixar da internet cópias do livro em hindi e em inglês. O trabalho será exibido em uma feira de quadrinhos em Mumbai em dezembro.

“Nosso público alvo vai desde crianças entre 10 e 12 anos a jovens adultos. É uma idade crítica nas vidas deles e por isso estamos fazendo uma tentativa de conversar com eles”.

Na Índia, onde em média um estupro é comunicado a cada 21 minutos, o crime ocorrido em Déli no ano de 2012 foi um divisor de águas. A brutalidade dos seis agressores deflagrou uma série de protestos e forçou o governo a criar leis antiestupro, prevendo inclusive a pena de morte para violência sexual muito grave.

Mas analistas dizem que as leis mais duras resolvem apenas parte do problema. Ele seria resolvido apenas com a criação de consciência e mudança de atitudes sociais.

Davineni diz que esse é o objetivo do livro.

Urvashi Butalia, líder da editora feminista Zubaan Books, diz que o sucesso ou fracasso dependerá “muito da história” e de “quantas pessoas ela atinge”. Segundo ela, tudo que gera um diálogo ajuda.

Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet (Foto: Divulgação)Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet (Foto: Divulgação)

“Muitas das mudanças do mundo começaram como ideias. E essa é uma ideia interessante – não há muitas super heroínas”, disse ela.

Jasmeen Patheja é fundadora do Projeto Blank Noise, que realiza uma campanha chamada “eu nunca pedi isso” – referindo-se a agressões sexuais.

O projeto cria instalações urbanas e galerias de imagens na internet com as roupas que as vítimas estavam usando quando foram abusadas em uma campanha para “rejeitar a culpa”.

Cineasta criou heroína depois de ter contato com protestos contra a violência sexual na Índia (Foto: Divulgação)

A maior mudança, segundo ela, será quando “as pessoas entenderem que não há desculpa que justifique a violência sexual, como as roupas que as vítimas estava usando, a hora ou o lugar em que estavam”.

“Romances, quadrinhos, livros de histórias, filmes – todos têm grande potencial para ajudar”, ela disse.

Fonte: G1

História da Arte ganha cores e traços de quadrinhos

“A Provença deve ser um lugar lindo. Tenho certeza de que você vai se recuperar lá”, diz um esperançoso Theo van Gogh, que ouve como reposta do irmão Vincent, prestes a embarcar em um trem para a bucólica Arles, na França: “Acima de tudo preciso produzir muito”. O diálogo revelador é um dos primeiros da graphic novel “Vincent” (R$ 29,90), de Barbara Stok, que acaba de ganhar edição brasileira pela Editora L&PM.

A obra retrata os últimos anos da vida do pintor holandês Van Gogh, que se mudou para a pequena cidade francesa com o objetivo de fundar uma colônia de artistas. Porém a falta de dinheiro e de perspectivas para o futuro, além da culpa que sentia por ser sustentado pelo irmão, fez os tormentos psicológicos de Vincent se agravarem, culminando com o conhecido episódio em que o artista decepou parte da sua orelha direita.

São esses embates internos e acontecimentos da fase mais rica e revolucionária do gênio pós-impressionista que Stok retrata em quadrinhos de traços pop, singelos e coloridos. Barbara ainda incorpora ao livro trechos de cartas escritas ao irmão Theo e telas do próprio pintor, assim como seu processo criativo e suas ideias sobre pintura. Para chegar a isso, a ilustradora trabalhou por três anos com apoio do Museu Van Gogh, de Amsterdã.

A história de Van Gogh rendeu outros trabalhos em quadrinhos

“Vincent” é um exemplo de como as histórias em quadrinhos podem levar novos e diferentes públicos a conhecerem um pouco mais de arte por meio da biografia dos seus grandes mestres. Para a professora doutora Luciane Páscoa, especialista em História da Arte, a experiência que une entretenimento e informação é mais do que válida.

“É uma ótima iniciativa para tentar atingir um público mais jovem porque torna o assunto mais acessível, ainda que na abordagem vida e obra. É uma forma até de sensibilizar os leitores de publicações do universo HQ para que eles possam vir a ter uma relação diferente com o museu e a História da Arte propriamente dita”, afirma.

Mais Van Gogh

A história de Van Gogh já rendeu outros trabalhos em quadrinhos. É o caso da obra do ilustrador Marc Verhaegen, que contou com pesquisa de Jan Kragt. Disponível em inglês e holandês, a publicação de 44 páginas é uma parceria entre a Fundação Eureducation e o Museu Van Gogh. O livro retrata cenários de várias cidades holandesas onde o pintor morou, além de Paris e de Borinage, na Bélgica.

De acordo com os autores, a escolha pelo formato HQ foi estratégica. “O público alvo do livro são crianças e adolescentes que se interessam muito mais por um assunto quando ele é contado de maneira divertida”, disse Verhaegen.

Já “Vincent & Van Gogh”, do sérvio Gradimir Smudja, revisita o universo impressionista por meio de imagens e um enredo fictício, com direito a aparição de outros mestres da pintura (e suas obras), como Monet, Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin.A obra parte da premissa que Van Gogh não foi o verdadeiro autor das pinturas atribuídas a ele. Elas seriam criações de um gato misterioso chamado Vincent, que o holandês teria resgatado certa noite em Arles.

“‘Vincent & Van Gogh’ permanecerá sempre único, justamente porque é daí que deverá partir a imaginação de meus leitores para formularem, à vontade, a sequência da história. Esse relato não tem limites e pode certamente emocionar a todos”, declarou o ilustrador

Fonte:http://acritica.uol.com.br/ (adaptado)