Aplicativo para leitura de Quadrinhos Nacionais

Desde o Dia do Quadrinho Nacional, 30 de janeiro, um aplicativo inovador ganhou os smartphones e tablets que utilizam sistema operacional iOS. Trata-se do Comix Trip, uma loja que oferece HQs nacionais digitais para leitura, que, em breve, também irá para Androids.

Segundo um dos criadores do app, o editor, quadrinista e dono da Qualidade em Quadrinhos Editora, Alexandre Timmers Montandon, 47 anos, o objetivo do Comix Trip é divulgar e comercializar as histórias, criando uma alternativa para um dos principais problemas dos quadrinhos nacionais: a distribuição.

Alexandre revela que o embrião dessa ideia surgiu em 2014. “Na época, fizemos nosso primeiro aplicativo, em parceria com a Business Intelligence, para um convênio entre Sebrae e ABNT (esse aplicativo está disponível na Apple Store e Google Play). Uma coleção gratuita de revistas em quadrinhos sobre normas para ser lida em tablets e smartphones. A resposta foi tão positiva que nos motivou a ir além”, explica.

Com o pé direito

Conforme o editor, o lançamento já teve um boa adesão. “Além do Brasil, já tivemos downloads na Alemanha, Portugal e Índia.” Mas, apesar do entusiasmo, o quadrinista é racional. “Claro que ainda é um mercado em formação, e ainda é preciso criar o hábito da leitura digital no País, mas essa é uma tendência natural em todo o mundo, e aqui não será diferente.”

Como vantagens da mídia digital, Alexandre destaca a acessibilidade, a praticidade de ler e levar para onde quiser, a economia e o conforto. “No Brasil, já se estima que existam mais de 5 milhões de tablets no mercado, no mundo já são mais de 100 milhões. Esse público está sempre em busca de novidades e bons conteúdos. Os quadrinhos nacionais evoluíram muito nesses últimos cinco anos, e muitos lançamentos de qualidade aconteceram, principalmente entre os independentes, que nem sempre conseguem fazer sua obra chegar ao grande público. Entendo que aí exista um potencial imenso de formar novos leitores.”

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A equipe por trás do aplicativo trabalha atualmente no Conselho Editorial, formado por autores e jornalistas, que irão ajudar a dar uma cara ao aplicativo, selecionando produtos que mantenham um padrão de qualidade para os leitores. “Esse mesmo Conselho nos ajuda, indicando as novidades nesse mercado. E também estaremos nos principais eventos de quadrinhos esse ano, acompanhando a evolução dos autores. Nosso objetivo é apresentar histórias que atinjam os mais diversos públicos, oferecendo uma grande variedade de assuntos e temas”, garantiu Alexandre.

Sobre o quadrinista independente, o empresário afirma que este é sempre bem-vindo. Quem quiser pode entrar em contato e enviar uma amostra do trabalho pelo hq@comixtrip.com.br e enviar uma amostra do seu trabalho. O material será avalidado pelo Conselho Editorial.

“A partir daí, participar é muito simples e fácil, é como colocar sua obra em uma livraria, mas, ao invés de deixar os livros impressos, ele deixará conosco o arquivo digital. Não existe exclusividade nem tempo de permanência. Pense no Comix Trip como uma livraria, simples assim.”

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O idealizador do projeto afirma que eles já estão em contato com algumas editoras para aumentar o acervo da “livraria”. Ele destaca que quanto mais obras puderem oferecer, maior será o público leitor.

“O Comix Trip é uma iniciativa pioneira no Brasil, que está começando agora com todo o entusiasmo e adrenalina a mil. Ao longo do ano, iremos trabalhar forte para promover melhorias constantes no app. Para isso, os feedbacks dos leitores serão sempre bem-vindos. Nossa meta é oferecer quadrinhos nacionais em formato digital a preços acessíveis ao grande público, formando uma nova geração de leitores dessa arte no Brasil”, concluiu.

No momento do lançamento, estavam disponíveis 48 obras. A meta é que se chegue a 100 até abril, sempre mantendo um padrão de qualidade nos produtos ofertados. Segundo o empresário, o Comix Trip é uma livraria digital preocupada em fazer o público conhecer toda a beleza e produção do melhor dos quadrinhos nacionais.

Entre os autores disponíveis estão: André Diniz (Morro da Favela, Duas Luas), Flavio Luiz (Aú, o Capoeirista, O Cabra), Aloisio Castro (Carcará), Carlos Ruas (Um Sábado Qualquer), Gilmar (Caroço no Angú, De Quatro, Mistifório), Will e Daniel Esteves (O Louco, A Caixa e O Homem), Felipe Cagno (3, 2, 1 Fast Comics, Lost Kids), André Caliman (Revolta, Um Rock Para Caçador), Gabriel Jardim (Café), Bira Dantas (Bira Zine), Brão Barbosa (Feliz Aniversário, Minha Amada), Rico (Aí o Pau Quebra!), Marília Bruno (Cara, Eu Sou Legal), Lucas Lima (Nicolau), Eric Peleias (Eu, Super), Gian Danton e Ricardo Manhaes (Turma da Tribo), Amorim (Rua Paraíso), Omar Viñole (Coelho Nero), Thiago Spyked (Editora Crás), Paulo Santos e André Farias (Draconian), Giorgio Cappelli (Rastreadores da Taça Perdida), entre tantos outros…

Por: Francisco Costa

Fonte: http://www.dm.com.br/revista/2015/02/na-era-digital.html

As Histórias em Quadrinhos como incentivo a leitura.

Buscar novas formas de incentivar a leitura no âmbito escolar está cada vez mais difícil por parte de professores, principalmente com as novas formas de informação que chamam a atenção cada vez mais cedo das crianças.

As novas gerações que “já nascem com um tablet na mão” cada vez mais tem menos interesse pela leitura, e principalmente menos paciência. Conseguir que um aluno tenha cinco minutos de atenção na leitura de um livro é quase impossível, e esta falta de interesse na leitura reflete diretamente no aprendizado.

Alunos que não sabem interpretar textos, compreender problemas matemáticos, não tem repertório histórico e que não sabem escrever. Todos problemas influenciados pela falta de hábito de leitura.

Uma possibilidade para a melhoria nesse déficit de leitura seria pela inserção das Histórias em Quadrinhos nas séries iniciais. Por ser um meio de comunicação de massa, o acesso pode acontecer tanto dentro quanto fora da sala de aula, em bancas de jornal e livrarias existem espaços dedicados a essa linguagem e o preço na maioria das vezes é acessível.

Hoje com algumas políticas educacionais, a leitura das Histórias em Quadrinhos já é recomendada nas escolas, como por exemplo, os Cadernos de Alfabetização da Prefeitura de Curitiba que recomenda o uso dos gibis pelos professores para o incentivo da leitura; assim como os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) para o ensino da Língua Portuguesa que recomendam atividade com Histórias em Quadrinhos e tiras de jornais para a ampliação do repertório dos alunos.

Mas, mesmo com as políticas de ensino recomendando o uso de histórias em quadrinhos para o incentivo à leitura objetivando ampliação do repertório dos alunos, percebemos que professores e instituições de ensino ainda encontram problemas com a utilização dessa linguagem.

Um desses fatores é exatamente o fato de que os educadores não entendem as Histórias em Quadrinhos como uma linguagem, muitas vezes confundidas com uma forma de literatura, as HQs são consideradas uma linguagem por utilizarem de imagens em sequência para transmitir uma informação, o traço do artista dá o tom da história, assim como as cores, os tamanhos dos quadros e os tipos de balões e até as fontes utilizadas nos textos tem uma informação própria antes mesmo do texto em si. Além de ser uma linguagem autônoma os quadrinhos também são considerados uma forma de Arte, a Arte Sequencial (definição de Will Eisner autor de Quadrinhos e a Arte Sequencial – Martins Fontes.) ou a 9º arte (assim como a pintura, a dança, a literatura, a escultura), um fato totalmente desconsiderado pelos educadores quando utilizam os quadrinhos em sala de aula. Posto isto, quadrinhos são quadrinhos e ponto final.

Atualmente coleções como Graphic Novels, e Adaptações Literárias em quadrinhos que são indicadas nos PNBE (Plano Nacional da Biblioteca na Escola) e mesmo assim não encontramos educadores utilizando essa linguagem.

O que podemos nos perguntar é, como uma linguagem que desperta o interesse dos alunos há décadas ainda não é explorada em sua totalidade nas escolas?

Falta de políticas de incentivo não é, pois nas últimas décadas tivemos PCN, LDB, PNBE citando o uso de quadrinhos e outras linguagens em sala de aula; interesse dos alunos também não, pois mesmo com a tecnologia, ainda encontramos alunos lendo os gibis da Turma da Mônica ou mangás quase que diariamente fora de sala de aula. Seria a falta de divulgação dos quadrinhos? Também não, quase que bimestralmente temos adaptações nos cinemas de Histórias em Quadrinhos com sucesso de bilheteria. Então sobraram as escolas e os professores: qual seria o interesse desses educadores em buscar novos métodos para que a aprendizagem se torne mais significativa para os alunos?

Por fim, para mudarmos esse panorama da falta de interesse dos alunos à leitura, devemos buscar novas (ou não tão novas assim) estratégias. As Histórias em Quadrinhos poderiam ser uma ferramenta a ser explorado, repensar nossos planejamentos e respeitar o que os educandos já conhecem deve ser outro ponto a ser pensado.

Talvez a solução da maioria dos problemas educacionais que enfrentamos hoje, esteja na banca mais próxima.