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Paul Gravett: “Não é mais possível ignorar os quadrinhos no ambiente acadêmico”

Entrevista de Paul Gravett para o site Vitralizado, antes de sua vinda ao Brasil para a 3as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da USP realizada no mês passado (agosto) de 2015.Gravett4

Autor de livros como  Manga: 60 Years of Japanese Comics (2004) e 1001 Comics You Must Read Before You Die (2011), além de editar Violent Cases de Neil Gaiman e Dave McKean.

Leia a entrevista na íntegra do site vitralizado

Vale a pena ler também o artigo ” Learning to read from comics: comics as gateway to literacy” onde Paul Gravett faz um panorama dos estudos realizados sobre os uso das Histórias em Quadrinhos para a alfabetização, entrevistando professores da cidade de Londres.

Faz sentido levar Charlie Brown a sério?

Ensaio escrito pelo escritor Umberto Eco publicado originalmente no jornal The New York Times, traduzido por Rogério W. Galindo para o Jornal Gazeta do Povo.

Cinquenta anos atrás escrevi um livro em que, entre outras coisas, analisava tirinhas como “Peanuts”, “Krazy Kat” e até “Superman”. Um crítico do livro – intitulado “Apocalípticos e Integrados” – reclamou que usei técnicas literárias de alta cultura para analisar fenômenos de baixa cultura. Essas técnicas eram mais adequadas para assuntos mais importantes, ele escreveu, de nariz empinado.

O crítico expressou o temor de que Platão e Elvis Presley logo fossem vistos como dignos de igual consideração. E então ele fez uma previsão: “Não sei se existe algum risco de isso acontecer”, ele escreveu. “Mas, se acontecesse, em poucos anos a maior parte dos intelectuais italianos vai estar produzindo filmes, canções e tirinhas (…) enquanto jovens professores universitários vão estar analisando o fenômeno da cultura de massa”.

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Que oráculo ele foi. Já na época em que ele escrevia, no início dos anos 1960, Italo Calvino e Franco Fortini estavam escrevendo canções, e Pier Paolo Pasolini e Alain Robbe-Grillet estavam fazendo filmes. Nos anos 70, certas universidades na Itália estavam oferecendo cursos sobre comunicação de massa.

Mas talvez nem esse crítico pudesse jamais imaginar que neste março as pessoas estariam celebrando o 50.° aniversário do nascimento da “Linus”, a gloriosa revista italiana dedicada principalmente a histórias em quadrinhos, na universidade estadual de Milão.

Cofundada e editada durante muitos anos por Giovanni Gandini, a “Linus” veio à luz pela primeira vez na histórica livraria Milano Libri. A revista publicava tirinhas norte-americanas, entre elas “Peanuts”, “Pogo”, “Ferdinando” e “Dick Tracy”, ao lado de textos que falavam sobre o espírito de 1968 e outras questões. Mais tarde, a “Linus” publicou histórias em quadrinhos de artistas italianos como Guido Crepax e Hugo Pratt.

Ampliando o legado da Linus, a Rizzoli-Lizard recentemente publicou “Linus: A História de uma Revolução Nascida da Graça”, de Paolo Interdonato, que reconstitui a história da revista e do ambiente milanês, ao mesmo tempo em que rastreia a influência da “Linus” em pelo menos uma geração de fãs de revistas em quadrinhos.

Mas vamos recuar por um momento. Como foi que Gandini e seus amigos vieram a gostar das histórias em quadrinhos norte-americanas no início dos anos 60, apesar de ninguém na Itália publicá-las na época? Na banca de jornais Algani, na Piazza dela Scala, em Milão, eu me lembro de ver revistas em quadrinhos americanas, mas normalmente eram histórias como “Superman” e “O Pato Donald”, da Disney. Claro, Giandini podia ter ido aos EUA e encontrado as revistas na fonte. Ou talvez as tivesse encontrado nas mãos dos primeiros libertadores americanos – que foi exatamente o que aconteceu comigo.

Mas mesmo antes de a guerra acabar, uma pequena revista apareceu em Roma em 1945 com o nome de “Robinson”. Ela publicava “Dick Tracy”, “Ferdinando”, “Terry e os Piratas”, de Milton Caniff, e “Agente Secreto X-9”, entre outras. A revista não durou muito e seu tema era novo demais para agradar crianças ou adultos (embora os adultos nessa época não lessem quadrinhos de qualquer maneira).

Mesmo assim, é totalmente possível que tenha sido nas páginas que Gandini, aos 16 anos, tenha descoberto essas histórias em quadrinhos proibidas pela primeira vez, assim como eu descobri aos 13. Mas nunca saberemos. Gandini morreu, e hoje em dia é muito difícil achar exemplares da “Robinson” (agora muito caros) em livrarias.

Aquele crítico esnobe não tinha como prever que um dia não só estaríamos estudando a linguagem e a história cultural dos quadrinhos mas também fazendo sua arqueologia e colecionando as revistas.

Meio século mais tarde, fazia sentido levar Charlie Brown a sério? Certamente eu achava que sim. Encontrei Charles M. Schulz, o criador de Charlie Brown, apenas uma vez – em um bar em Paris pouco antes de ele morrer em 2000. Ele me agradeceu por um prefácio que eu tinha escrito para seu primeiro livro de “Peanuts” publicado em italiano, que a revista “The New York Review of Books” republicou 20 anos depois.

O que Schulz me perguntou quase imediatamente? Ele queria saber o que eu pensava sobre Jesus Cristo. Não me lembro da minha resposta – provavelmente porque ela não era especialmente digna de nota – mas naquele momento me convenci de que Schulz não só desenhava adoráveis personagens de quadrinhos. Ele era também um poeta com questionamentos filosóficos.

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Fonte: Gazeta do Povo.

Estudante quer banir graphic novels de faculdade dos Estados Unidos.

Achei a notícia tão absurda que resolvi repassar aqui no blog:

Por Samir Naliato

“Até parece que voltamos a 1954, quando o psiquiatra alemão Fredric Wertham lançou o livroSeduction of the Innocent (leia review aqui) e causou furor no mercado dFun_Homee quadrinhos nos Estados Unidos, com efeitos devastadores na indústria.

Em pleno ano de 2015, conteúdos de graphic novelscausaram espanto à aluna Tara Shultz, de 20 anos, e seus pais, que agora querem que esses materiais sejam banidos da biblioteca do Crafton Hills College(Yucaipa, Califórnia), onde ela faz curso de inglês (similar ao curso de Letras, no Brasil). Dentre os álbuns citados por ela, estão Sandman – A Casa de Bonecas, Y – O Último Homem, Persépolis e Fun Home.

De acordo com a aluna, essas histórias seriam muito violentas e pornográficas, mesmo com algumas delas sendo autobiográficas. Ou seja, ocorrem na realidade, mas, ao serem transportadas para a mídia, se tornam obscenas.

“Eu não espPersepolisCompletoerava abrir esses livros e ver esse tipo de material gráfico. Eu esperava Batman e Robin, não pornografia”, disse ela. “Gostaria que esses livros fossem erradicados do sistema. Não quero que sejam mais usados para ensinar. Não quero que outras pessoas tenham que ler este lixo.”

A leitura foi feita como exercício de classe, passado pelo professor Ryan Bartlett, cuja matéria, English 250, se dedica justamente ao estudo de graphic novels como mídia viável de literatura, e inclui análise de obras e discussões em classe.”

Leia Notícia completa no Universo HQ

É só entregar lápis e papel.

Para a criança e logo traços mais finos em meio a outros mais grossos começam a compor um desenho. “A criança começa a se interessar pela leitura por meio dos quadrinhos, por volta dos 4 ou 5 anos de idade. O humor gráfico e os quadrinhos atingem todos os estudantes, da Educação Infantil ao Ensino Médio”, comenta o cartunista e jornalista José Alberto Lovetro. Com a experiência de quem atuou em grandes veículos de comunicação, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Veja e TV Globo, José Alberto Lovetro garante que o uso de quadrinhos como ferramenta pedagógica pode resultar em atividades que se enquadram em qualquer disciplina e, ao inserir o próprio aluno no roteiro da tirinha, o educador traz ainda mais impacto para o trabalho. “Todos nós gostamos de ser personagens de uma historinha na qual podemos ser super-heróis ou apenas nós mesmos no dia a dia. Tive uma experiência na antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), de São Paulo (SP), com o uso de quadrinhos: sugeri aos professores que solicitassem aos jovens o desenho da própria história, já que quando desenhamos nossa história, conseguimos nos enxergar de uma forma diferenciada. Foi como estar em um divã, os meninos tiveram a oportunidade de refletir sobre os seus atos e reagir positivamente contra a violência. O resultado foi sensacional”, lembra.

Leia mais: http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/87/artigo225133-1.asp

As Histórias em Quadrinhos como incentivo a leitura.

Buscar novas formas de incentivar a leitura no âmbito escolar está cada vez mais difícil por parte de professores, principalmente com as novas formas de informação que chamam a atenção cada vez mais cedo das crianças.

As novas gerações que “já nascem com um tablet na mão” cada vez mais tem menos interesse pela leitura, e principalmente menos paciência. Conseguir que um aluno tenha cinco minutos de atenção na leitura de um livro é quase impossível, e esta falta de interesse na leitura reflete diretamente no aprendizado.

Alunos que não sabem interpretar textos, compreender problemas matemáticos, não tem repertório histórico e que não sabem escrever. Todos problemas influenciados pela falta de hábito de leitura.

Uma possibilidade para a melhoria nesse déficit de leitura seria pela inserção das Histórias em Quadrinhos nas séries iniciais. Por ser um meio de comunicação de massa, o acesso pode acontecer tanto dentro quanto fora da sala de aula, em bancas de jornal e livrarias existem espaços dedicados a essa linguagem e o preço na maioria das vezes é acessível.

Hoje com algumas políticas educacionais, a leitura das Histórias em Quadrinhos já é recomendada nas escolas, como por exemplo, os Cadernos de Alfabetização da Prefeitura de Curitiba que recomenda o uso dos gibis pelos professores para o incentivo da leitura; assim como os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) para o ensino da Língua Portuguesa que recomendam atividade com Histórias em Quadrinhos e tiras de jornais para a ampliação do repertório dos alunos.

Mas, mesmo com as políticas de ensino recomendando o uso de histórias em quadrinhos para o incentivo à leitura objetivando ampliação do repertório dos alunos, percebemos que professores e instituições de ensino ainda encontram problemas com a utilização dessa linguagem.

Um desses fatores é exatamente o fato de que os educadores não entendem as Histórias em Quadrinhos como uma linguagem, muitas vezes confundidas com uma forma de literatura, as HQs são consideradas uma linguagem por utilizarem de imagens em sequência para transmitir uma informação, o traço do artista dá o tom da história, assim como as cores, os tamanhos dos quadros e os tipos de balões e até as fontes utilizadas nos textos tem uma informação própria antes mesmo do texto em si. Além de ser uma linguagem autônoma os quadrinhos também são considerados uma forma de Arte, a Arte Sequencial (definição de Will Eisner autor de Quadrinhos e a Arte Sequencial – Martins Fontes.) ou a 9º arte (assim como a pintura, a dança, a literatura, a escultura), um fato totalmente desconsiderado pelos educadores quando utilizam os quadrinhos em sala de aula. Posto isto, quadrinhos são quadrinhos e ponto final.

Atualmente coleções como Graphic Novels, e Adaptações Literárias em quadrinhos que são indicadas nos PNBE (Plano Nacional da Biblioteca na Escola) e mesmo assim não encontramos educadores utilizando essa linguagem.

O que podemos nos perguntar é, como uma linguagem que desperta o interesse dos alunos há décadas ainda não é explorada em sua totalidade nas escolas?

Falta de políticas de incentivo não é, pois nas últimas décadas tivemos PCN, LDB, PNBE citando o uso de quadrinhos e outras linguagens em sala de aula; interesse dos alunos também não, pois mesmo com a tecnologia, ainda encontramos alunos lendo os gibis da Turma da Mônica ou mangás quase que diariamente fora de sala de aula. Seria a falta de divulgação dos quadrinhos? Também não, quase que bimestralmente temos adaptações nos cinemas de Histórias em Quadrinhos com sucesso de bilheteria. Então sobraram as escolas e os professores: qual seria o interesse desses educadores em buscar novos métodos para que a aprendizagem se torne mais significativa para os alunos?

Por fim, para mudarmos esse panorama da falta de interesse dos alunos à leitura, devemos buscar novas (ou não tão novas assim) estratégias. As Histórias em Quadrinhos poderiam ser uma ferramenta a ser explorado, repensar nossos planejamentos e respeitar o que os educandos já conhecem deve ser outro ponto a ser pensado.

Talvez a solução da maioria dos problemas educacionais que enfrentamos hoje, esteja na banca mais próxima.

Will Eisner, Robert Crumb e os grandes da literatura

Depois de consideradas material para crianças e analfabetos durante boa parte do século 20, as histórias em quadrinhos principiaram há cerca de duas décadas uma fase consagradora, definida pelo editor Russ Kick como “uma idade de ouro”. “As narrativas sequenciais desenvolveram-se como uma forma de arte completa graças à experimentação constante e à criatividade ilimitada”, diz Kick a CartaCapital. Por unirem “uma autoexpressão livre” e “uma habilidade técnica impressionante”, os quadrinistas produziram obras que desde os anos 2000 se tornaram fonte para filmes multimilionários de Hollywood, além de alvo de exposições em museus prestigiosos como o Museum of Contemporary Art, em Los Angeles, e o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York. A cultura dominante tem incorporado aos poucos o que era antes marginal. “Embora tenham conquistado mais respeito, as HQs e os romances gráficos terão de percorrer um longo caminho para ser verdadeiramente adotados pelos leitores e pelas universidades”, afirma.

Quando decidiu organizar os três volumes da antologia Cânone Gráfico, Clássicos da Literatura Universal em Quadrinhos (Boitempo, 118 reais, o primeiro volume com 456 páginas), um best seller nos Estados Unidos após seu lançamento em 2012, Kick pensou na diversidade de estilos e na abordagem inovadora dos artistas nos últimos anos. Mais de cem quadrinistas, ilustradores, serigrafistas e designers gráficos adaptaram 190 textos literários, filosóficos, religiosos e científicos. A maioria das adaptações é inédita. “Pedi para serem fiéis aos personagens e aos enredos dos textos. Mas do ponto de vista visual eles poderiam fazer tudo o que desejassem. Não deveriam se autocensurar mesmo com os livros que contivessem cenas de violência e sexo.”

O editor refere-se a assuntos transformados em tabu nas histórias em quadrinhos. A Comics Code Authority (CCA), uma associação criada em 1954, fustigou por décadas HQs com temas considerados impróprios. Fundada para ser uma alternativa independente à fiscalização governamental, desativada apenas em 2011, a CCA propunha ser um representante das editoras e um órgão autorregulador da arte sequencial. A sua existência impeliu uma geração de quadrinistas nos anos 1960 a produzir material clandestinamente e distribuí-lo por canais poucos convencionais, como lojas de tabaco. Essa cena underground, desenvolvida, sobretudo em São Francisco, ganhou o apelido decomix (sendo o xis uma alusão à letra usada pelo sistema de classificação do cinema norte-americano para atestar se um filme é apropriado somente para os maiores de idade).

Cânone Gráfico, Kick disse ter evitado a falta de criatividade de projetos anteriores, entre eles as 169 edições da série Classic Comics, publicadas entre 1941 e 1971. Ele considera essas adaptações pasteurizadas e superficiais, excessivamente concentradas na reprodução literal das obras de ficção. Embora responsabilize o sistema educacional americano pelo desinteresse em relação à literatura, Kick não organizou a sua coleção como um atalho aos clássicos ou por motivos didáticos. Cânone Gráfico seria uma colaboração entre artistas e escritores. “No fundo”, ele escreve na introdução, “esta antologia titânica, em três volumes, é uma obra artística e literária independente, um fim em si mesmo”. A julgar por pesquisas recentes, Kick teria razão. Em The Visual Language of Comics (Bloomsbury), o psicólogo Neil Cohn defende a teoria de que as histórias em quadrinhos são processadas neurologicamente como uma língua, com vocabulário, gramática e sintaxe próprios. Nesse sentido, mais do que uma adaptação, Cânone Gráfico pode ser entendido como uma compilação de clássicos reescritos para o idioma das imagens.

O primeiro volume (tradução de Magda Lopes), disponível nas livrarias brasileiras, vai de A Epopeia de GilgameshAs Ligações Perigosas, o romance de Choderlos de Laclos. O segundo tomo, cuja publicação é prevista para 2015, aborda a literatura oitocentista, de Kubla Khan (Samuel Taylor Coleridge) a O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde). O terceiro, com lançamento em 2016, restringe-se ao século XX: de Coração das Trevas (Joseph Conrad) a Infinite Jest (David Foster Wallace). Kick convidou artistas consagrados e emergentes. No primeiro volume, Will Eisner adaptou Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, Robert Crumb dedicou-se a Diário Londrino, de James Boswell, e Peter Kuper explorou Modesta Proposta, de Jonathan Swift. Entre os autores em ascensão, Yejin Yun fez três ilustrações coloridas sobre o Simpósio, de Platão, e Edie Fake transformou em desenhos os escritos espirituais de Santa Teresa D’Ávila.

Kevin Dixon ilustrou o episódio Touro Celeste, de A Epopeia de Gilgamesh, por motivos familiares. O seu pai, Kent Dixon, traduziu o poema épico escrito em tábuas de argila, na Babilônia (em torno de 1000a.C.), pois estava insatisfeito com as versões anteriores para o inglês. “As primeiras traduções eram muito recatadas. Elas suprimiram da língua inglesa qualquer cena minimamente ousada ou sexual”, explica Dixon a CartaCapital. “Um tradutor da era vitoriana, escandalizado com os temas mais maduros da história, não iria destacar os duplos sentidos, os trocadilhos obscenos e as piadas vulgares entranhados no barro.” Segundo o quadrinista, A Epopeia de Gilgamesh tem várias passagens criadas para desencadear uma catarse pelo humor. “Mas, por muito tempo, a comicidade foi alijada por ser considerada de mau gosto”, ele afirma. “A minha adaptação é respeitosa e academicamente rigorosa quando trata de nudez e de escatologia. Se as ignorasse, eu seria infiel à história original.”

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Dica de Leitura: Metrópolis- Osamu Tezuka.

“…Mas será que não vai chegar o dia que os humanos vão se desenvolver tanto a ponto de se extinguirem com sua própria Ciência?” com esta pergunta que incia a história em um futuro “não tão distante” de Metrópolis.

A história  inicia-se com a Convenção Internacional de Cientistas, entre as discussões ocorridas, está a da criação das células sintéticas, desenvolvida pelo Dr. Charles Lawton mas para essas células funcionarem é necessário a radiação emitida de manchas negras que surgiram no Sol.

Infiltrado na Convenção está o Duque Red, líder do Partido Red, que onde cientista  Dr. Lawton e o obriga a criar uma criança, através da pesquisa de células sintéticas (Michi) para transformá-la em arma, e a partir daí o enredo se desenvolve.

Com medo que essa criança se torne uma ameaça, Lawton simula uma explosão do se laboratório e foge com Michi,o criando como seu próprio filho.

Publicada originalmente em 1949 com mais de 150 páginas o mangá de ficção científica, traz de uma forma bem humorada temas sérios, sendo voltada para o público infantil e infanto-juvenil, podendo ser utilizado em sala de aula como ferramenta da discussão, por exemplo “Qual o limite da Ciência?”, Ética, Homem X Ciência, ou o contexto histórico (Pós Guerra) em que a obra foi criada.

Quadrinhos silencioso, a Linguagem de Sinais nas HQs

No próximo dia 30/07 será lançada nos Estados Unidos a HQ nº 19 do Hawkeye, ou Gavião Arqueiro como queiram, o interessante é que ela terá legenda em linguagens de sinais, (LIBRAS no Brasil).

A HQ tem roteiro de Matt Fraction e arte de David Aja.

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A intenção da História é conectar o leitor as novas necessidades do personagem que perde a audição momentaneamente após uma batalha.

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O bacana que os responsáveis pela História em Quadrinhos tiveram a consultoria de Rachel Coleman, integrante do grupo Signing Time, que ajuda crianças surdas com a linguagem de sinais.

Com o lançamento desta revista observamos uma nova forma de se aplicar a Arte Sequencial, utilizando ao máximo a sequência de imagens para contar uma história e a mescla das duas linguagens (Sequencial e Libras) pode gerar uma terceira linguagem, já que ela não se difere da “Literatura Surda”.

“A literatura surda está relacionada com a cultura surda. A literatura da cultura surda, contada na língua de sinais de determinada comunidade lingüística, é constituída pelas histórias produzidas em língua de sinais pelas pessoas surdas, pelas histórias de vida que são frequentemente relatadas, pelos contos, lendas, fábulas, piadas, poemas sinalizados, anedotas, jogos de linguagem e muito mais.”

 

A utilização de Histórias em Quadrinhos pode ser uma nova ferramenta para a aproximação do leitor surdo com a Leitura, principalmente pelo fato dos surdos possuírem uma memória visual.

Aqui no Brasil, já tivemos essa experiência com os quadrinhos da Turma da Mônica que trazia a linguagem de sinais em seu gibi.

Aprendendo a falar 7 (Turma da Mônica)

Aprendendo a falar 9 (Turma da Mônica)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para aplicação na escola do uso das Hqs com os alunos com deficiência auditiva pode diminuir as dificuldades de comunicação e ambientar os alunos podendo criar histórias com fatos que acontecem no seu dia a dia.

Referências:

McCLOUD, Scott. Desvendando os quadrinhos. São Paulo. Makron Books, 1993.

http://ensinodelibras.blogspot.com.br/2009/02/dica-de-atividade-3-ideias-para-uso-de.html

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/10/literatura-em-libras-estimula-inclusao-e-desenvolvimento-de-criancas-surdas.html

http://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/26/literatura-surda/

‘Hawkeye’ #19 to tackle deafness with sign language, empty word bubbles. http://popwatch.ew.com/2014/07/24/hawkeye-19-to-tackle-deafness-with-sign-language-empty-word-bubbles/

Uma norma para acabar com os quadrinhos nacionais.

Por Gian Danton.

“No dia 13 de março de 2014 o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente aprovou, de forma unânime, a resolução n. 163 que considera abusiva toda e qualquer publicidade e comunicação mercadológica dirigidas às crianças.

A resolução é apoiada por muitos como uma forma de proteger as crianças contra os abusos, mas, se for colocada na prática, vai ter resultados muito mais amplos.

Legislações restritivas à publicidade infantil existem em outros países do mundo. Na Suécia, por exemplo, estão proibidos os comerciais na TV aberta. Países como Chile e Peru proíbem anúncios de determinados alimentos e bebidas. Na Grécia, anúncios de brinquedos só podem ser anunciados na TV aberta em horário adulto. No Irã, bonecos dos Simpsons e da Barbie não podem ser comercializados ou anunciados. Mas esse é o primeiro caso de proibição total e absoluta de qualquer tipo de comunicação comercial voltada ao público infantil.

A resolução considera abusiva “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. Estão proibidos linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

A resolução define a ‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.

Ou seja: a legislação, na prática, proíbe qualquer comunicação voltada às crianças. O maior prejudicado com a norma é, claro, Maurício de Sousa. Muitos têm comemorado o fato de que ele não pode mais colocar seus personagens em produtos infantis, como pacotes de maçãs.

Mas a legislação é tão ampla que afeta quase toda a produção nacional destinada às crianças. As revistas em quadrinhos infantis, por exemplo, dificilmente se sustentam sem publicidade. Produzir um gibi infantil é um processo caro que quase nunca se paga apenas com as vendas de revistas (até porque essas vendas se reduzem a cada ano). Da mesma forma, os desenhos animados só são exibidos por causa da publicidade. Não por acaso, as TVs abertas estão tirando desenhos animados de sua programação. Há de se perguntar como ficarão os canais infantis da TV por assinatura, até porque eles não poderão mais ser anunciados e também não poderão mais exibir publicidade.

Na prática, a resolução joga uma pá de cal no mercado de desenhos animados infantis, que vinha apresentando um crescimento invejável, com personagens como Peixonauta e Turma da Mônica, e coloca em situação difícil as revistas infantis nacionais, já que não é permitida nem mesmo a publicidade das próprias publicações. Ou seja: a revista do Cebolinha não pode mais anunciar o conteúdo da revista do Cascão.

Mas essa é uma visão otimista. A legislação é tão ampla que, na prática, pode proibir até mesmo as capas dos gibis infantis. Veja-se: a legislação considera “‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos”.

Todo manual de marketing explica que um dos elementos essenciais da comunicação mercadológica é o merchandising, ou apelo no ponto de venda. No caso das bancas de revista, o apelo comercial é feito através das capas das revistas. Ou seja, sob qualquer aspecto, a capa de um gibi é uma comunicação mercadológica. Se a norma realmente for seguida, os editores de revistas infantis terão que se adaptar, uma vez que não poderão mais exibir personagens nas capas de suas revistas. Uma solução talvez seja vender as revistas lacradas, com tarjas escondendo os personagens da mesma forma como hoje se faz com as revistas pornográficas. Num mercado em que gibis vendem cada vez menos, a resolução pode ser a pá de cal no mercado de quadrinhos nacionais.

Lendo a legislação lembrei do amigo desenhista Antonio Eder, que, mesmo depois de adulto, ainda tinha o álbum de figurinhas do Palhaço Zequinha, lançado pelo governo do Paraná no final dos anos 1970. O álbum era gratuito e as figurinhas eram trocadas por notas fiscais. Um incentivo para que a população exigisse notas fiscais que fez a alegria de muitas crianças curitibanas. Pela nova legislação, a iniciativa seria ilegal, uma vez que a norma proíbe a “promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis”.

No pior dos cenários, até mesmo as coleções de miniaturas de personagens de quadrinhos (como os da Marvel e DC, que temos visto nas bancas) ficam comprometidas. Explica-se: a legislação atual já proíbe vender em banca de revista algo que não seja revista. Assim, quando se pretende lançar algo do gênero, coloca-se uma revista junto, e diz-se que o boneco é brinde para quem comprou a revista. Como agora brindes são proibidos e como a maioria das pessoas vê quadrinhos como coisa exclusivamente de crianças…

Uma legislação que coíba abusos na publicidade infantil seria bem vinda. Mas a proibição total, com uma lei tão ampla que pode afetar até as capas dos gibis nacionais interessaria a quem? Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas diretamente do site do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente.”

Fonte: Digestivo Cultural.

Lendo a Resolução do CONADE, as proibições e restrições me parecem mais uma tentativa de diminuir a produção cultural para o público infantil do que uma forma de proteção contra propaganda abusiva. Artistas e produtoras e o próprio público serão prejudicados, pois sabemos sem apoio (patrocínio e propaganda) dificilmente um projeto consegue se manter, e os poucos que existem se enfraquecerão muito em breve. Se um dia pensamos em ter no Brasil mais produtoras e e editoras voltadas para o público infantil de qualidade, podemos esquecer a partir de agora.

Ao que me parece é mais fácil proibir do que resolver um problema de educacional e de conscientização da população. Quando um cidadão comprar um produto pelo fato dele estar vinculado a um desenho ou filme não é culpa da propaganda, mas sim de um déficit educacional e cultural que o próprio Estado é culpado, e pelo jeito, não tem intenção nenhuma de resolver esse problema tão cedo.

 

Entendendo a linguagem das Histórias em Quadrinhos

O objetivo desse artigo é dar apenas uma introdução a linguagem dos quadrinhos, uma apresentação para educadores que tem interesse em utilizar as HQs em algum momento de suas aulas. De forma alguma as definições abaixo esgotam o assunto e muito menos são definitivas, mas podem ajudar a nortear o início de uma atividade.

Vamos lá!

O que são as Histórias em Quadrinhos?

A História em Quadrinhos não é apenas uma coleção de imagens e palavras em uma página. Para ser considerada uma História em quadrinhos estas imagens e palavras trabalham juntas formando uma linguagem única.

E para que servem essas Histórias?

Essas histórias podem servir para transmitir informações, relatando vários tipos de ideias.

Os quadrinhos são compostos de imagens e diálogos,  por meio dos balões.

Os balões podem se diferenciam pela forma e seu conteúdo também pode ser diferenciado pela grafia das palavras.

Alguns autores não dão forma ao balão colocando apenas a fala e o apêndice para indicar que personagem está discursando. O cartunista Henfil adotava esta técnica.

As letras dentro de um balão podem variar como uma “entonação” da “voz” do personagem. Bons exemplo são os personagem Thor e Sandman.

Os personagens da série Sandman, criados por Neil Gaiman, têm não só as letras, mas os balões diferenciados como Os Perpétuos, irmãos do protagonista.

Alguns autores também podem utilizar o recurso de colocar imagens dentro dos balões.

Ou ainda…
Podem existir quadrinhos sem balões.
Que pode fazer o leitor ter sua própria interpretação dos fatos que ocorrem nas páginas.

Falando em símbolos…

 Onomatopeias!

Onomatopeia. O termo onomatopeia designa o processo de criação de palavras através da imitação de sons naturais e também as palavras formadas através deste processo, como Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas ou até mesmo o timbre de voz.

Ou segundo CIRNE (1970) – “O ruído, nos quadrinhos, mais que sonoro, é visual”. RAMOS pg. 69 (2012)

Um modelo peculiar é o uso nos quadrinhos japoneses – Mangás – , onde as onomatopeias são elementos fundamentais, fazendo parte da ação e, sobretudo, da arte em si.

Isso a torna praticamente impossível de ser “traduzida” devido aos detalhes e entrelaçamento da arte pelos ideogramas.
“As onomatopeias se associam muito à língua do país de onde foram produzidas.” RAMOS pg.79 (2012).

As onomatopeias apensar de ser uma linguagem importante dentro dos Gibis, não são necessariamente uma unanimidade nas produções  existem obras que preferem abolir o recurso, apesar da existência do som, como no caso de V de Vingança, do Alan Moore e David Lloyd.

Os quadros são onde os desenhos são colocados, e sua ordem e dão sequencia à história.

Para introduzir uma história o autor pode utilizar de uma imagem que abrange toda a pagina, normalmente é nela que está o título e informações gerais da HQ. Esta pagina é chamada de Splash page. “Geralmente a primeira página, com um ou duas imagens, incorporando título, logotipo (se houver), créditos e outras informações desse tipo”O´ NEIL pg.11 (2005)

Os quadros podem variar de forma de acordo com o que o autor quer passar na pagina, dando ritmo a história.
“o ritmo da leitura exige que as imagens estejam realmente conectadas para que a ação fique mais clara”. EISNER pg. 74 (2005).

Algumas referências

Dissecando as Histórias em Quadrinhos (III): Balões http://www.quadrinho.com

EISNER, Will. Narrativas Gráficas. São Paulo: Devir, 2005.

RAMOS, Paulo. A leitura dos Quadrinhos. 2ª Ed., São Paulo: Contexto, 2012.

O´NEIL, Dennis. Guia Oficial DC Comics – Roteiros. São Paulo: Opera Graphica Editora, 2005.

O que é onomatopeia ?- PORTAL EDUCAÇÃO – http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/7626/o-que-e-onomatopeia#ixzz2Hx2kXEE6.