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“Tudo tem sua hora” – Chico Bento Arvorada.

Saber esperar, não ter pressa, ir devagar, são coisas que ouvimos muito durante nossa infância. Ser criança é correr, brincar e pensar que nunca teremos tempo de fazer tudo em um dia.

Em pensar que em menos de 20 anos , a noção de tempo mudou completamente para crianças e adolescentes. Nos dias de hoje, mais ainda, crianças dividem seu tempo entre os estudos e as novas tecnologias, o judô, aulas de canto, psicólogos e tudo vai passando rápido demais.

Em sala de aula é visível a falta de paciência de alguns alunos, os professores tem que se desdobrar para transmitir informações importantes o mais rápido possível, alunos que lêem pouco, não conseguem ver  filmes até o final,  se distraem fácil, ou tentam fazer tudo ao mesmo tempo. Isso é um sinal do “tudo tem sua hora” se torna necessário.

É então que o quadrinista Orlandeli, nos presenteia com “Chico Bento – Arvorada”. Com uma história simples e cativante, como uma história do Chico deve ser, e gente… ela toca lá no fundo do nosso coração.

O tempo é uma das linhas da história, o medo também é outro ponto importante na narrativa, que levam Chico a refletir sobre sua ações, principalmente relacionadas a Vó Dita.

Não vou entrar em mais detalhes da história, mas “Arvorada” nos faz pensar sobre tempo, como deixamos coisas importantes passarem …

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e percebemos que certas coisas não devem ser deixadas para depois.

 

 

 

O Árabe do Futuro – Uma Juventude no Oriente Médio (1978-1984)

Uma História em Quadrinho com caráter autobiográfico sempre nos chama a atenção, assim como um filme que inicia com a frase “baseada em fatos reais”.

O trabalho de Riad Sattouf tem o mesmo poder quando começamos a leitura, outro motivo que chama a atenção foi período retratado, mostrando a Líbia nos primeiros anos do governo ditatorial de Muamar Kadafi (morto em 2011 no movimento conhecido com A Primavera Árabe) e o governo na Síria de Hafez AL Assad.

Porém durante a leitura da HQ os fatos do cotidiano retratados por Sattouf foram deixando a história mais interessante. Como o fato que na Líbia a propriedade privada havia sido abolida, assim se uma casa estivesse vazia, qualquer pessoa tinha o direito de se instalar no lugar, ou a luta pela comida, que era racionada para cada família.

 

 

Além de uma boa leitura, esta HQ nos leva a conhecer como são os costumes, a arquitetura e as peculiaridades do mundo árabe. Observando também como conceitos religiosos, políticos interferem no cotidiano dos cidadãos comuns e principalmente na vida e na formação de uma criança.

O traço cartunesco de Riad Sattouf e a escolha das cores para retratar cada capítulo da história dão ao “Árabe do Futuro” personalidade e complementam a narrativa, criando uma espécie de “respiro” entre os capítulos.

Outro ponto interessante, como é retratado a relação educacional do personagem, que por muitas vezes é visto como uma criança superdotada, observadora e criativa, mas o próprio ambiente (familiar/escolar) o fez questionar estas habilidades.

 

Resenha: CENA CON AMIGOS

PERSPECTIVA TEÓRICA DA OBRA

Rodolfo Santullo, Mexico D.F., 1979, é jornalista, escritor, roteirista e editor de Histórias em Quadrinhos do Grupo Belerofonte, desde 1999. Santullo já ganhou vários prêmios por seus trabalhos, como o do (Fundos Concursais para a Cultura), ofertado pelo Ministério da Educação e Cultura do Uruguai. Já Marcos Vergara, San Nicolás, Argentina, 1973, é desenhista formado pela Escuela Superior de Diseño Gráfico e Bibliotecário graduado pelo Instituto Fray Luis Beltrán. Desde 2008 faz parte do grupo de “Historietistas Latinoamericanos – Historietas Reales”.

Em se tratando da obra gráfica “Cena con Amigos” Santullo (roteirista) e Vergara (desenhista) receberam o prêmio de “Melhor Roteirista” no evento “Solano López” outorgado pela Feira do Livro de Buenos Aires, 2010. Rodolfo e Marcos se apoiaram nos relacionamentos e experiências vividas no cotidiano, para compor esta narrativa gráfica.

BREVE SÍNTESE DA OBRA

A presente resenha tratará da narrativa gráfica “Cena con Amigos”, dos autores Rodrigo Santullo e Marcos Vergara.

A obra é a primeira versão de HQs do Uruguai apresentada em Webcómic e posteriormente impressa. Nesta narrativa, Santullo e Vergara iniciam o diálogo retratando o cotidiano de um grupo de amigos composto por Cristian, Marcela, Bernardo, Silvia, Jorge, Cinthia e Germán, que partilham diversas situações que permeiam os mais diferentes grupos e esferas sociais.

Em meio a traições, morte, violações, festas, piadas, jantares, companheirismo e questionamento de caráteres, Santullo e Vergara nos embarcam na viagem deste grupo, rumo a muitas descobertas e mistérios.

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Figura 1 – Foto capa da História em Quadrinhos Cena Con Amigos. Fonte: Historietasreales – https://historietasreales.wordpress.com/category/cena-con-amigos/ (2015).

A PROVOCAÇÃO FILOSÓFICA POR TRÁS DO ENREDO

Além de o tema envolver uma intriga policial, a obra apresenta uma identidade critico-reflexiva, no que tange ao comportamento social, uma vez que aborda os traços mais sórdidos da personalidade humana. Desde o início, o caráter duvidoso de Bernardo, fica exposto ao leitor, entretanto, através dos diálogos, observa-se que nenhum dos integrantes da turma tem seu caráter ilibado ou, ao menos, um histórico limpo. Nota-se, portanto, a tentativa do autor em despir toda a sociedade, no

concernente ao “politicamente correto”. O teor da obra nos remete a Nelson Rodrigues, quando afirma: “Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante”, ou seja, não há ser humano livre de desvios de caráter.

O autor deixa claro que existe um período etário de amadurecimento, no qual todo ser humano deve optar por se adequar às regras impostas pela sociedade, ou manter-se livre delas, sendo que, qualquer das opções resultará em uma potencialização do comportamento escolhido.

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Figura 2 – Foto Primeira Festa na nova casa de Bernardo – p.4 Cena Con Amigos. Fonte: Historietasreales – https://cenaconamigos.wordpress.com/ (2015)

Há uma dicotomia entre as perspectivas para a mesma situação: De um lado, considerando os valores morais, pode-se encarar Bernardo como uma pessoa de má índole, porém, partindo de uma perspectiva diferente, este personagem é o único que assume sua natureza humana.

O direcionamento à reflexão mais interessante desta HQ, é a afirmação implícita de que toda falsidade e ironia são recursos utilizados para a manutenção de um grupo social, que necessita da aceitação mútua de seus integrantes.

Fica bastante clara, a potência desta *** para transmitir uma quantidade significativa de informações. Um livro puramente descritivo necessitaria de muitas páginas caso quisesse transmitir todo o conteúdo desta historieta. As imagens, aliadas aos diálogos escritos, conseguem condensar um notável volume de informações, facilitando e agilizando o entendimento da mensagem do autor.

A presente resenha não objetiva trazer à tona, a discussão sobre a terceirização do imaginário do leitor. A proposta da ilustração, neste caso, é justamente promover a clareza, para o entendimento adequado e, nota-se nitidamente, que este propósito é alcançado.

Quanto à linguagem utilizada nesta obra, os autores optaram pelo nível informal, já que tratam de temas do cotidiano de um grupo jovem.

No que tange a ilustração dos cenários e os traços dos personagens, estes são nítidos e caracterizam com realismo, cada integrante e local, bem como complementam a entonação e emoção sentida por cada individuo da narrativa.

As pinceladas em preto e branco, também contribuem para a sintonia entre os espaços da narrativa e as experiências partilhadas.

 CONHECENDO O ENREDO

Tudo começa quando os colegas se reúnem na nova casa de Bernardo, para dar as boas vindas ao rapaz. À mesa, Cristian conta uma história de humor negro e todos dão muitas gargalhadas.

Logo após colocarem o papo me dia, Bernardo, o mais destemido e atrevido do grupo, comete mais um de seus gracejos desagradáveis, propiciando desconforto e desavenças entre os colegas, que não tardam em ir embora.

No dia seguinte, descobre-se que Bernardo está morto, e que este não estava sozinho no momento em que faleceu, por haver duas taças de vinho ao seu lado.

Com o passar do tempo, descobrimos que todos de certa forma, ocultam alguma informação para manterem-se bem diante do grupo, e que a relação entre eles, se dá por meio de ponderação e aparência, a fim de manter o grupo conectado.

Para esquecer todos esses desgostos e reforçar os laços, os amigos resolvem fazer uma viagem ao Glacial, a Perito Moreno, local que Bernardo tinha planejado levá-los.

Na viagem os conflitos começam a surgir e as máscaras caem. Questões como indiferenças, sexo, caráter, fidelidade, amizade e mentiras, são colocadas em cheque, para testar os limites do ser humano, frente aos laços básicos que unem os seres humanos. Por fim, Rodolfo e Marcos, parecem usar o personagem principal da história, Bernardo, um cara solitário, frio e destemido, que sem pudor, comete os mais grosseiros e vulgares atos, como uma armadilha para criar no leitor a curiosidade sobre os limites e disposição para mantermos um relacionamento “sadio”, ante a sociedade.

Ana Paula Rodrigues Ferro: Mestranda em Comunicação e Inovação – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Graduada em Letras Língua Portuguesa e Espanhola, Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Faculdade campos Elíseos, Especialista em Ensino de Espanhol para Brasileiro – PUC. Professora do Ensino fundamental e Médio do Colégio Cristo Rei e na Pós Graduação da Faculdade de Conchas – FACON. paula_verani@hotmail.com

Dica de Leitura: Pequenos Guardiões

A série Pequenos Guardiões (Mouse Guard), lançada originalmente em 2006 por David Petersen conta a história da Guarda, organizada pela sociedade dos Ratos, que lutam diariamente para defender seu grupo de seus predadores: Doninhas, Caranguejos e Serpentes.

Após a vitória da guerra do Inverno de 1149, a Guarda passou a ter outras funções na sociedade de Lockhaven, é neste momento que os Guardas Lieam, Kenzie e Saxon são enviados para encontrar um comerciante que havia desaparecido que estava indo em direção da cidade de Rootwallow. A partir daí inicia-se a aventura medieval dos Pequenos Guardiões.

No Brasil foram lançados pela Conrad os primeiros seis volumes da série: Na Barriga do Monstro, Nas Sombras, O Retorno do Machado, O Fantasma das Trevas, A Marcha de Midnight e Retorno à Honra.

Com a obra David Petersen foi vencedor do prêmio EISNER, nas categorias, Melhor Publicação Infantil e Melhor Álbum Gráfico.

A série Pequenos Guardiões entrou em 2009 na lista do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), sendo indicado para a leitura de alunos do Ensino Fundamental.

Dica de Leitura: Revolução do Gibi: A Nova cara dos Quadrinhos no Brasil

Resumo

Uma coletânea de publicações do jornalista e autor Paulo Ramos, que tem como objetivo explicar as raízes do atual momento do mercado brasileiro de quadrinhos, descrevendo e analisando toda essa última década de transições do gênero no Brasil.

Livro lançado pelo jornalista, professor e pesquisador Paulo Ramos em  2012, a Revolução do Gibi trata-se de um livro jornalístico que traça um panorama sobre lançamentos, publicações relacionadas as Histórias em Quadrinhos no Brasil na última década.

De uma forma clara e didática Paulo Ramos utiliza muito bem as 500 páginas divididas em 20 capítulos para explorar momentos importantes do mercado nacional das Histórias em Quadrinhos como por exemplo: a entrada dos quadrinhos na lista do PNBE, os Quadrinhos virtuais, o circuito independente, entre outros.

O livro é muito indicado para pesquisadores, professores e leitores de HQs que buscam conhecer como o mercado os quadrinhos se desenvolveram na década passada.

Conheça o Blog dos Quadrinhos de Paulo Ramos.

Dica de Leitura: Bocas Malditas – Curitiba e suas Histórias de Gelar o Sangue.

Existe uma forma melhor de conhecer uma cidade do que conhecendo sua história?

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Mas não estou falando aqui das histórias oficiais documentadas nos livros, mas sim aquelas que ouvimos desde de crianças, que nossos pais e avós nos contavam, ou até mesmo as que nosso irmão mais velho contava para nos assustar.

As Histórias, assim como as pessoas, atribuem caraterísticas de um bairro ou uma comunidade. Quem nunca ouviu uma história de aconteceu naquela localidade “há muito tempo atrás”.

É disso que se trata o álbum Bocas Malditas: Curitiba e suas Histórias de Gelar o Sangue do Dogzilla Studio.

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O álbum teve como base o projeto ” Notas e lendas Urbanas” de Fúlvio Pacheco foi lançado em 2014 e traz 26 histórias divida entre 30 artistas, além dos editores Antônio Eder, Walkir Fernandez e Carol Sakura, que colocam sua personalidade nos traços e roteiros das histórias, as deixando mais interessantes e menos cansativa a leitura (estamos falando de 180 páginas), em histórias como ” A loira Fantasma”, “A vaca Cherrie”, “A grávida da praça da Ucrânia” , “Tindiquera” e a “Noiva de Preto”.

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Ler Bocas Malditas é como um passeio pela cidade, pois cada ponto turístico, bairro, ou monumento tem uma história para contar, mas na maioria das vezes estamos muito ocupados com outras coisas e não prestamos muita atenção.

Dica de Leitura: X-men – Deus ama, o homem mata.

História lançada 1982  nos Estados Unidos com roteiro de Chris Claremont, arte de Brent Anderson e cores de Steve Oliff teve sua primeira publicação no Brasil na série Graphic Novel da editora Abril como o nome “O conflito de uma raça”, recentemente recebeu uma nova republicação pela Panini agora com o título original “Deus ama, o homem mata”.

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A trama começa quando uma grupo de extermínio intitulado os Purificadores, assassinam duas crianças mutantes no pátio de uma escola, esta ação dá o tom de toda a história, quando os X-men entram na mira do fanático religioso William Stryker e sua cruzada.

A história tem seu mérito por apresentar diferentes formas de conflitos  entre os personagens que compõe a história, temos a Kitty Pryde (Ariel), uma judia e Noturno que é um católico convicto,  Professor Xavier e Magneto que possuem opiniões diferentes sobre o  os Mutantes, e o debate entre a Ciência e a Fé quando Stryker considerar os mutantes  e uma afronta contra Deus e Sua Criação e não um passo da evolução como acreditam Xavier e Magneto.

A HQ tem como tema central a intolerância, colocando questionamentos de como seria possível grupos com opiniões diferentes coexistirem em uma sociedade plural.

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Os X-men desde sua gênese representam as minorias e multiculturalidade e a HQ coloca em questão, como realmente eles são vistos pela sociedade, ou por uma sociedade manipulada por uma crença. Atualmente essa HQ teve uma grande relevância devido aos últimos atos de intolerância que presenciamos, como Chris Claremont coloca na texto introdutório( de 2003) da nova versão brasileira, ” A ironia em Deus Ama é que ela é um produto de seu tempo e, ainda assim, quase vinte anos depois os sentimentos – e a inspiração que me fez escrever a história – mantêm sua relevância. Pessoas ainda são jugadas mais pela sua cor de sua pele, por sua nação de origem e pela fé que professam do que por seu caráter“.

Dica de Leitura: Metrópolis- Osamu Tezuka.

“…Mas será que não vai chegar o dia que os humanos vão se desenvolver tanto a ponto de se extinguirem com sua própria Ciência?” com esta pergunta que incia a história em um futuro “não tão distante” de Metrópolis.

A história  inicia-se com a Convenção Internacional de Cientistas, entre as discussões ocorridas, está a da criação das células sintéticas, desenvolvida pelo Dr. Charles Lawton mas para essas células funcionarem é necessário a radiação emitida de manchas negras que surgiram no Sol.

Infiltrado na Convenção está o Duque Red, líder do Partido Red, que onde cientista  Dr. Lawton e o obriga a criar uma criança, através da pesquisa de células sintéticas (Michi) para transformá-la em arma, e a partir daí o enredo se desenvolve.

Com medo que essa criança se torne uma ameaça, Lawton simula uma explosão do se laboratório e foge com Michi,o criando como seu próprio filho.

Publicada originalmente em 1949 com mais de 150 páginas o mangá de ficção científica, traz de uma forma bem humorada temas sérios, sendo voltada para o público infantil e infanto-juvenil, podendo ser utilizado em sala de aula como ferramenta da discussão, por exemplo “Qual o limite da Ciência?”, Ética, Homem X Ciência, ou o contexto histórico (Pós Guerra) em que a obra foi criada.

Dica de Leitura: Os Pequenos Perpétuos e A Festa de Delirium.

foto 3A pequena Delirium está perdida! Barnabás, seu cãozinho favorito e protetor, já percorreu o mundo desperto em busca de sua pequena princesa, mas não teve sucesso. Sua única alternativa é percorrer os estranhos reinos dos outros Perpétuos, os misteriosos irmãos de Delirium, para descobrir se eles sabem o paradeiro de sua dona…

 

Uma história que se inicia assim, não tem como ser ruim, este livro é escrito e ilustrado por Jill Thompson baseada na obra prima Sandman de Neil Gaiman e faz parte do selo, Sandman Apresenta.

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Essa versão infantil dos Perpétuos é tão sutil, que nem parece baseada em uma história adulta, os diálogos dos personagens estão em uma linguagem simples e acessível a pessoas de todas as idades, e o principal, o leitor não precisa estar familiarizado com o universo de Sandman para entender a história. Outro ponto positivo da história são as ilustrações, Jill Thompson faz um trabalho lindo utilizando aquarela, e as versões pequeninas dos Perpétuos estão lindas, deixando os personagens muito mais leves do que os originais dos quadrinhos.

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Para aqueles que não conhecem, Sandman é uma revista de História em Quadrinhos criada por Neil Gaiman em 1988 para a o selo adulto da DC COMICS, Vertigo, Suas histórias descrevem a vida de Sonho, o governante do Sonhar (o mundo dos sonhos) e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas. No total, são 13 arcos que contam a história de Sandman em 75 números,  além dos spin offs de Sandman Apresenta.

 

Na segunda história, A Festa de Delirium, a Delirium decide criar uma festa para curar a tristeza de sua irmã Desespero de uma vez por todas, ela decide convidar os seus irmãos Sonho, Destruição, Desejo, Destino e Morte para tentar animar a mais mal humorada dos Perpétuos .

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Mas observando estes livros com um olhar pedagógico, como estes livros com meus alunos?

Bem, em primeiro momento, Os Pequenos Perpétuos e A Festa de Delirium, são livros infantis, que é possível fazer uma contação de histórias como qualquer outra, principalmente com as séries iniciais do Ensino Fundamental, podendo utiliza-la como disparador para trabalhar relações sociais e  diversidade, por exemplo.

A partir do 3º ano os livros podem ser trabalhados na disciplina de História, relacionado as Mitologias, lendas e mitos (modernos e antigos), Língua Portuguesa, Artes (técnicas de desenho, como lápis de cor, aquarela, colagens), Geografia e  Filosofia, por exemplo.

Estes livros também serve como porta de entrada para a leitura das Histórias em Quadrinhos de Sandman, principalmente para alunos do 5º ao 9º ano e Ensino Médio, que podem trabalhar alguns arcos de histórias como Despertar, onde  William Shakespeare aparece na história para cumprir uma promessa feita ao Senhor dos Sonhos.

 

A série dos Pequenos Perpétuos fez enorme sucesso quando foram lançados no início dos anos 2000, ganhando até uma linha de bonecos e roupas, as duas edições incluem ainda esboços originais e os segredos por trás da história.

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Dica de Leitura: Pobre Marinheiro

A História em Quadrinhos lançada pela Balão Editorial em 2013 foi roteirizada e desenhada pelo norte-americano Sammy Harkham, que se baseou livremente no conto do francês Guy de Maupassant (1850-1893) At Sea.

Henri René Albert Guy de Maupassant, era escritor e poeta que seguia estilo literário Naturalista, teve como amigo e como influência o escritor francês Gustave Flaubert, outros autores que o influenciaram foram:  Balzac, Hippolyte Taine, Émile Zola, Arthur Schopenhauer.

Maupassant deixou cerca de 300 contos entre eles At Sea. O autor teve um fim trágico falecendo internado em um manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis.

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A HQ e o Conto são sobre a história de um jovem vive uma vida tranquila no interior quando seu irmão surge e o convida para uma expedição comercial no mar. Com possibilidades de ganhos financeiros e aventuras, o jovem aceita, partindo sem a anuência da esposa. Mas a viagem e seu retorno guardam experiências que mudarão o curso de sua história. A sua adaptação para os quadrinhos é um primor de sutileza, por mais que a história seja pesada, o uso de um quadro por página fazem com que o leitor tenha um ritmo de leitura calmo, deixando aquela expectativa de “e agora que vai acontecer” a cada virada de pagina. Outro ponto interessante foi a colorização, os tons de verde também amenizam o clima da história, assim como a ausência quase que total de balões, que faz o leitor construir os diálogos para os personagens.

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O conto original é marcado os estilos literários Naturalista e Realista, que se baseia em tramas psicológica e em personagens inspirados na realidade. No Brasil tivemos como expoentes destes estilos Machado de Assis e Aluísio de Azevedo.

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O conto original e a adaptação em Histórias em Quadrinhos se mostram interessantes para se trabalhar em sala de aula, até para fugir um pouco do tradicional Dom Casmurro e Memórias Póstumas… (que também possuem ótimas adaptações em HQ), ou até mesmo trabalhar todas as estas obras juntas.