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As Histórias em Quadrinhos como incentivo a leitura.

Buscar novas formas de incentivar a leitura no âmbito escolar está cada vez mais difícil por parte de professores, principalmente com as novas formas de informação que chamam a atenção cada vez mais cedo das crianças.

As novas gerações que “já nascem com um tablet na mão” cada vez mais tem menos interesse pela leitura, e principalmente menos paciência. Conseguir que um aluno tenha cinco minutos de atenção na leitura de um livro é quase impossível, e esta falta de interesse na leitura reflete diretamente no aprendizado.

Alunos que não sabem interpretar textos, compreender problemas matemáticos, não tem repertório histórico e que não sabem escrever. Todos problemas influenciados pela falta de hábito de leitura.

Uma possibilidade para a melhoria nesse déficit de leitura seria pela inserção das Histórias em Quadrinhos nas séries iniciais. Por ser um meio de comunicação de massa, o acesso pode acontecer tanto dentro quanto fora da sala de aula, em bancas de jornal e livrarias existem espaços dedicados a essa linguagem e o preço na maioria das vezes é acessível.

Hoje com algumas políticas educacionais, a leitura das Histórias em Quadrinhos já é recomendada nas escolas, como por exemplo, os Cadernos de Alfabetização da Prefeitura de Curitiba que recomenda o uso dos gibis pelos professores para o incentivo da leitura; assim como os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) para o ensino da Língua Portuguesa que recomendam atividade com Histórias em Quadrinhos e tiras de jornais para a ampliação do repertório dos alunos.

Mas, mesmo com as políticas de ensino recomendando o uso de histórias em quadrinhos para o incentivo à leitura objetivando ampliação do repertório dos alunos, percebemos que professores e instituições de ensino ainda encontram problemas com a utilização dessa linguagem.

Um desses fatores é exatamente o fato de que os educadores não entendem as Histórias em Quadrinhos como uma linguagem, muitas vezes confundidas com uma forma de literatura, as HQs são consideradas uma linguagem por utilizarem de imagens em sequência para transmitir uma informação, o traço do artista dá o tom da história, assim como as cores, os tamanhos dos quadros e os tipos de balões e até as fontes utilizadas nos textos tem uma informação própria antes mesmo do texto em si. Além de ser uma linguagem autônoma os quadrinhos também são considerados uma forma de Arte, a Arte Sequencial (definição de Will Eisner autor de Quadrinhos e a Arte Sequencial – Martins Fontes.) ou a 9º arte (assim como a pintura, a dança, a literatura, a escultura), um fato totalmente desconsiderado pelos educadores quando utilizam os quadrinhos em sala de aula. Posto isto, quadrinhos são quadrinhos e ponto final.

Atualmente coleções como Graphic Novels, e Adaptações Literárias em quadrinhos que são indicadas nos PNBE (Plano Nacional da Biblioteca na Escola) e mesmo assim não encontramos educadores utilizando essa linguagem.

O que podemos nos perguntar é, como uma linguagem que desperta o interesse dos alunos há décadas ainda não é explorada em sua totalidade nas escolas?

Falta de políticas de incentivo não é, pois nas últimas décadas tivemos PCN, LDB, PNBE citando o uso de quadrinhos e outras linguagens em sala de aula; interesse dos alunos também não, pois mesmo com a tecnologia, ainda encontramos alunos lendo os gibis da Turma da Mônica ou mangás quase que diariamente fora de sala de aula. Seria a falta de divulgação dos quadrinhos? Também não, quase que bimestralmente temos adaptações nos cinemas de Histórias em Quadrinhos com sucesso de bilheteria. Então sobraram as escolas e os professores: qual seria o interesse desses educadores em buscar novos métodos para que a aprendizagem se torne mais significativa para os alunos?

Por fim, para mudarmos esse panorama da falta de interesse dos alunos à leitura, devemos buscar novas (ou não tão novas assim) estratégias. As Histórias em Quadrinhos poderiam ser uma ferramenta a ser explorado, repensar nossos planejamentos e respeitar o que os educandos já conhecem deve ser outro ponto a ser pensado.

Talvez a solução da maioria dos problemas educacionais que enfrentamos hoje, esteja na banca mais próxima.

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Dica de Leitura: Os Pequenos Perpétuos e A Festa de Delirium.

foto 3A pequena Delirium está perdida! Barnabás, seu cãozinho favorito e protetor, já percorreu o mundo desperto em busca de sua pequena princesa, mas não teve sucesso. Sua única alternativa é percorrer os estranhos reinos dos outros Perpétuos, os misteriosos irmãos de Delirium, para descobrir se eles sabem o paradeiro de sua dona…

 

Uma história que se inicia assim, não tem como ser ruim, este livro é escrito e ilustrado por Jill Thompson baseada na obra prima Sandman de Neil Gaiman e faz parte do selo, Sandman Apresenta.

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Essa versão infantil dos Perpétuos é tão sutil, que nem parece baseada em uma história adulta, os diálogos dos personagens estão em uma linguagem simples e acessível a pessoas de todas as idades, e o principal, o leitor não precisa estar familiarizado com o universo de Sandman para entender a história. Outro ponto positivo da história são as ilustrações, Jill Thompson faz um trabalho lindo utilizando aquarela, e as versões pequeninas dos Perpétuos estão lindas, deixando os personagens muito mais leves do que os originais dos quadrinhos.

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Para aqueles que não conhecem, Sandman é uma revista de História em Quadrinhos criada por Neil Gaiman em 1988 para a o selo adulto da DC COMICS, Vertigo, Suas histórias descrevem a vida de Sonho, o governante do Sonhar (o mundo dos sonhos) e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas. No total, são 13 arcos que contam a história de Sandman em 75 números,  além dos spin offs de Sandman Apresenta.

 

Na segunda história, A Festa de Delirium, a Delirium decide criar uma festa para curar a tristeza de sua irmã Desespero de uma vez por todas, ela decide convidar os seus irmãos Sonho, Destruição, Desejo, Destino e Morte para tentar animar a mais mal humorada dos Perpétuos .

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Mas observando estes livros com um olhar pedagógico, como estes livros com meus alunos?

Bem, em primeiro momento, Os Pequenos Perpétuos e A Festa de Delirium, são livros infantis, que é possível fazer uma contação de histórias como qualquer outra, principalmente com as séries iniciais do Ensino Fundamental, podendo utiliza-la como disparador para trabalhar relações sociais e  diversidade, por exemplo.

A partir do 3º ano os livros podem ser trabalhados na disciplina de História, relacionado as Mitologias, lendas e mitos (modernos e antigos), Língua Portuguesa, Artes (técnicas de desenho, como lápis de cor, aquarela, colagens), Geografia e  Filosofia, por exemplo.

Estes livros também serve como porta de entrada para a leitura das Histórias em Quadrinhos de Sandman, principalmente para alunos do 5º ao 9º ano e Ensino Médio, que podem trabalhar alguns arcos de histórias como Despertar, onde  William Shakespeare aparece na história para cumprir uma promessa feita ao Senhor dos Sonhos.

 

A série dos Pequenos Perpétuos fez enorme sucesso quando foram lançados no início dos anos 2000, ganhando até uma linha de bonecos e roupas, as duas edições incluem ainda esboços originais e os segredos por trás da história.

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Dica de Leitura: Pobre Marinheiro

A História em Quadrinhos lançada pela Balão Editorial em 2013 foi roteirizada e desenhada pelo norte-americano Sammy Harkham, que se baseou livremente no conto do francês Guy de Maupassant (1850-1893) At Sea.

Henri René Albert Guy de Maupassant, era escritor e poeta que seguia estilo literário Naturalista, teve como amigo e como influência o escritor francês Gustave Flaubert, outros autores que o influenciaram foram:  Balzac, Hippolyte Taine, Émile Zola, Arthur Schopenhauer.

Maupassant deixou cerca de 300 contos entre eles At Sea. O autor teve um fim trágico falecendo internado em um manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis.

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A HQ e o Conto são sobre a história de um jovem vive uma vida tranquila no interior quando seu irmão surge e o convida para uma expedição comercial no mar. Com possibilidades de ganhos financeiros e aventuras, o jovem aceita, partindo sem a anuência da esposa. Mas a viagem e seu retorno guardam experiências que mudarão o curso de sua história. A sua adaptação para os quadrinhos é um primor de sutileza, por mais que a história seja pesada, o uso de um quadro por página fazem com que o leitor tenha um ritmo de leitura calmo, deixando aquela expectativa de “e agora que vai acontecer” a cada virada de pagina. Outro ponto interessante foi a colorização, os tons de verde também amenizam o clima da história, assim como a ausência quase que total de balões, que faz o leitor construir os diálogos para os personagens.

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O conto original é marcado os estilos literários Naturalista e Realista, que se baseia em tramas psicológica e em personagens inspirados na realidade. No Brasil tivemos como expoentes destes estilos Machado de Assis e Aluísio de Azevedo.

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O conto original e a adaptação em Histórias em Quadrinhos se mostram interessantes para se trabalhar em sala de aula, até para fugir um pouco do tradicional Dom Casmurro e Memórias Póstumas… (que também possuem ótimas adaptações em HQ), ou até mesmo trabalhar todas as estas obras juntas.

Artigo: Gêneros textuais e a diversidade do trabalho pedagógico no ensino da língua portuguesa: arte sequencial

Resumo do projeto que será apresentado este ano O Seminário de Iniciação Científica (SEMIC) e a Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação da PUCPR e que já foi apresentando na 2a Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da USP.

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OLIVEIRA, Fabiane Lopes de 2
PIBIC – Bolsa PUCPR-PIBIC

Introdução: Segundo SILVA e NETO (2011): “Nosso fascínio pela imagem, bem como a necessidade de se comunicar, data desde os primórdios da história da humanidade”. Partimos do principio que utilizar imagens em sequencia para contarmos uma história poderia auxiliar os alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio com suas dificuldades de leitura e interpretação de textos. Objetivo: Verificar como estão sendo elaboradas as políticas de incentivo a leitura dentro do âmbito escolar, quais são as ferramentas utilizadas, e como objetivo específico, buscamos identificar se as histórias em quadrinhos estão sendo usadas em sala de aula pelos professores e os benefícios que elas trazem para o aprendizado, propondo espaços adequados dentro das bibliotecas escolares para a leitura das histórias em quadrinhos. Metodologia: Consultamos os PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais – que citam a necessidade de uma nova releitura das práticas pedagógicas dentro da escola, mencionando os quadrinhos. Como arcabouço teórico utilizamos, autores como EISNER (1995), RAMOS (2012), VERGUEIRO (2010) para melhor entendimento da linguagem das HQs. Inicialmente visitamos o espaço da Escola de Ensino Fundamental e diálogo com a direção e professores do primeiro ciclo para verificar qual o entendimento que tinham sobre o assunto. Na Escola de Ensino Médio foi preparada uma apresentação para os professores no Núcleo de Linguagens e Códigos e logo em seguida foram preparadas cerca de cinco aulas abordando a origem e como ler uma HQs, além de discutir com os alunos assuntos relacionados à língua portuguesa e as HQs, utilizando os princípios da necessidade da “alfabetização necessária” apresentados por VERGUEIRO (2012). Resultados: Com o acompanhamento do professor de Literatura, trabalhamos com os alunos a obra de Álvares de Azevedo “Noite na Taverna”, em um primeiro momento a leitura da obra original, publicada em 1855, onde os alunos apontavam suas impressões e dificuldades, após o contato com a obra original, apresentamos a adaptação em História em Quadrinhos lançada em 2011 para fazermos um comparativo. Posteriormente os alunos produzirão seus próprios contos que serão adaptados em quadrinhos para uma futura exposição ou publicação. Conclusões: A partir da pesquisa feita e aplicada, na Escola de Ensino Fundamental, foram firmadas parcerias para a criação de um espaço para apreciação da Arte Sequencial para os alunos e professores, com o intuito de ampliar essa atividade para outras disciplinas e modalidades.

Palavras-chave: Arte Sequencial; Leitura e escrita; Criatividade e metodologia diferenciada

Artigo: Quadrinhos podem ajudar a formar leitores e na educação de crianças

Zoraia acredita que o trabalho com quadrinhos dentro da escola pode quebrar um pouco a seriedade do livro

Artigo: Quadrinhos podem ajudar a formar leitores e na educação de criançasA gerente executiva de Projetos do Instituto Pró-Livro (IPL), Zoraia Failla, disse nesta segunda-feira (9/9), em entrevista à Agência Brasil, que as histórias em quadrinhos (HQ) podem ser uma ferramenta para formar leitores e auxiliar na educação de crianças e adolescentes. “Eu penso que dentro de um espaço de mediação, todo tipo de leitura é importante, especialmente para a gente tirar aquela imagem que se cria em relação a um livro que é oferecido em uma sala de aula e que se transforma em obrigação, em tarefa”.

Zoraia acredita que o trabalho com quadrinhos dentro da escola pode quebrar um pouco a seriedade do livro, contribuindo para trazer a criança e o jovem para a leitura de uma forma mais prazerosa e interessante. “Eu acho que pode ser um meio, nunca um fim. Porque o quadrinho pode até trabalhar algum conteúdo, mas o faz de forma superficial. Como incentivo à leitura, ele pode ser um mobilizador”, disse.

Para a gerente do IPL, a HQ pode desenvolver habilidades na escola, entre as quais a concentração e o interesse pela leitura em geral. “Sem dúvida, deveria ser melhor trabalhada para conseguir que, a partir dali, o aluno se interesse por uma leitura um pouco mais complexa, com mais conteúdo”. Zoraia avaliou que é preciso se usar hoje todos os meios para conseguir conquistar as crianças e jovens para a leitura.

Zoraia indicou que a HQ pode ser um instrumento eficiente para passar conteúdos de disciplinas curriculares, como história, ciências e geografia, para os estudantes. “É uma forma talvez mais agradável, mais interessante, para a garotada de hoje, de levar o conhecimento”. Como as crianças, em geral, sentem uma atração forte pelos quadrinhos, que são considerados uma forma de entretenimento, ela avalia que “seria inteligente usar essa ferramenta como uma forma de trazer a garotada seja para a leitura, seja para conteúdos mais complexos”.

O diretor comercial da Comix Book Shop, uma livraria especializada em histórias em quadrinhos, Jorge Rodrigues, destacou a qualidade, inclusive literária, das histórias em quadrinhos feitas no Brasil. “Hoje, a gente tem crescido bastante na produção de quadrinhos nacionais. O mercado independente, onde o autor mesmo produz o seu livro, edita e lança, aumentou muito de uns anos para cá e há gráficas que imprimem com demanda menor. Com isso, há muitos projetos e ideias muito boas sendo lançadas que, de repente, não encontraram respaldo nas editoras”, disse.

Rodrigues ressaltou que muitas editoras têm investido em adaptar literatura clássica para quadrinhos. “É uma vertente que tem crescido muito no mercado”. O objetivo, conforme enfatizou, é que o governo compre e as escolas venham a consumir esse produto, visando que seja uma ferramenta na parte da educação. O estande da Comix na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, encerrada domingo (8/9), foi um dos mais frequentados durante os 11 dias do evento, com filas extensas na porta que reuniam público de todas as faixas etárias.

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) supre as escolas de ensino público das redes federal, estadual, municipal e do Distrito Federal de obras e materiais de apoio à prática da educação básica, incluindo HQs. Em 2013, serão atendidas as escolas dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, informou a assessoria de imprensa do Ministério da Educação. O programa vai distribuir cerca de 6,7 milhões de obras literárias a mais de 68,8 mil escolas de todo o país. Os investimentos na compra dos livros alcançam em torno de R$ 66 milhões.

Em 2006, por exemplo, o Ministério da Educação incluiu livros de histórias em quadrinhos e de imagens na coleção do PNBE. Dom Quixote em Quadrinhos, de Caco Galhardo; Toda Mafalda , de Quiño; Na Prisão (mangá – quadrinho japonês), de Kazuichi Hanawa; Santô e os Pais da Aviação, de João Spacca de Oliveira; e Café Van Gogh, de Ana Maria Machado Mello & Mayer Design, foram alguns dos HQs incluídos na lista.Artigo: Quadrinhos podem ajudar a formar leitores e na educação de crianças

Com licenciatura em desenho pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denis Mello tem experiência na aplicação de oficinas em salas de aula da rede pública de ensino, inclusive em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Sesc), utilizando a HQ e o desenho como ferramenta principal. Falando à Agência Brasil, ele disse que consegue ver como os quadrinhos despertam a curiosidade dos alunos. “Eles tendem a colaborar mais, a se interessar mais pelo assunto”

Mello salientou que a HQ é uma forma de arte. “Do mesmo jeito que as outras formas de arte podem colaborar como ferramenta de educação, a HQ também funciona. Da mesma forma que você pode usar música, literatura e pintura, você pode usar história em quadrinhos”, manifestou.

Denis Mello está desenvolvendo agora, com um grupo de amigos, um projeto voltado à produção de quadrinhos educativos, que será efetuado em parceria com secretarias municipais de educação do estado do Rio de Janeiro. O projeto deverá ser iniciado em Magé. “Foi a primeira secretaria a se interessar pelo projeto”. Pretende-se suprir a carência de material didático onde ela exista, nas escolas, por HQ. “Na educação ambiental, por exemplo, a gente chegaria com a história em quadrinho para suprir essa necessidade e com um material didático que vai conversar mais com os jovens do que o material burocrático tradicional”

Fonte: http://zinebrasil.wordpress.com/2013/09/10/artigo-quadrinhos-na-educacao/#comment-6373 – Publicado originalmente em: http://www.correiobraziliense.com.br/