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O Árabe do Futuro – Uma Juventude no Oriente Médio (1978-1984)

Uma História em Quadrinho com caráter autobiográfico sempre nos chama a atenção, assim como um filme que inicia com a frase “baseada em fatos reais”.

O trabalho de Riad Sattouf tem o mesmo poder quando começamos a leitura, outro motivo que chama a atenção foi período retratado, mostrando a Líbia nos primeiros anos do governo ditatorial de Muamar Kadafi (morto em 2011 no movimento conhecido com A Primavera Árabe) e o governo na Síria de Hafez AL Assad.

Porém durante a leitura da HQ os fatos do cotidiano retratados por Sattouf foram deixando a história mais interessante. Como o fato que na Líbia a propriedade privada havia sido abolida, assim se uma casa estivesse vazia, qualquer pessoa tinha o direito de se instalar no lugar, ou a luta pela comida, que era racionada para cada família.

 

 

Além de uma boa leitura, esta HQ nos leva a conhecer como são os costumes, a arquitetura e as peculiaridades do mundo árabe. Observando também como conceitos religiosos, políticos interferem no cotidiano dos cidadãos comuns e principalmente na vida e na formação de uma criança.

O traço cartunesco de Riad Sattouf e a escolha das cores para retratar cada capítulo da história dão ao “Árabe do Futuro” personalidade e complementam a narrativa, criando uma espécie de “respiro” entre os capítulos.

Outro ponto interessante, como é retratado a relação educacional do personagem, que por muitas vezes é visto como uma criança superdotada, observadora e criativa, mas o próprio ambiente (familiar/escolar) o fez questionar estas habilidades.

 

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Dica de Leitura: Bocas Malditas – Curitiba e suas Histórias de Gelar o Sangue.

Existe uma forma melhor de conhecer uma cidade do que conhecendo sua história?

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Mas não estou falando aqui das histórias oficiais documentadas nos livros, mas sim aquelas que ouvimos desde de crianças, que nossos pais e avós nos contavam, ou até mesmo as que nosso irmão mais velho contava para nos assustar.

As Histórias, assim como as pessoas, atribuem caraterísticas de um bairro ou uma comunidade. Quem nunca ouviu uma história de aconteceu naquela localidade “há muito tempo atrás”.

É disso que se trata o álbum Bocas Malditas: Curitiba e suas Histórias de Gelar o Sangue do Dogzilla Studio.

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O álbum teve como base o projeto ” Notas e lendas Urbanas” de Fúlvio Pacheco foi lançado em 2014 e traz 26 histórias divida entre 30 artistas, além dos editores Antônio Eder, Walkir Fernandez e Carol Sakura, que colocam sua personalidade nos traços e roteiros das histórias, as deixando mais interessantes e menos cansativa a leitura (estamos falando de 180 páginas), em histórias como ” A loira Fantasma”, “A vaca Cherrie”, “A grávida da praça da Ucrânia” , “Tindiquera” e a “Noiva de Preto”.

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Ler Bocas Malditas é como um passeio pela cidade, pois cada ponto turístico, bairro, ou monumento tem uma história para contar, mas na maioria das vezes estamos muito ocupados com outras coisas e não prestamos muita atenção.

Dica de Leitura: X-men – Deus ama, o homem mata.

História lançada 1982  nos Estados Unidos com roteiro de Chris Claremont, arte de Brent Anderson e cores de Steve Oliff teve sua primeira publicação no Brasil na série Graphic Novel da editora Abril como o nome “O conflito de uma raça”, recentemente recebeu uma nova republicação pela Panini agora com o título original “Deus ama, o homem mata”.

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A trama começa quando uma grupo de extermínio intitulado os Purificadores, assassinam duas crianças mutantes no pátio de uma escola, esta ação dá o tom de toda a história, quando os X-men entram na mira do fanático religioso William Stryker e sua cruzada.

A história tem seu mérito por apresentar diferentes formas de conflitos  entre os personagens que compõe a história, temos a Kitty Pryde (Ariel), uma judia e Noturno que é um católico convicto,  Professor Xavier e Magneto que possuem opiniões diferentes sobre o  os Mutantes, e o debate entre a Ciência e a Fé quando Stryker considerar os mutantes  e uma afronta contra Deus e Sua Criação e não um passo da evolução como acreditam Xavier e Magneto.

A HQ tem como tema central a intolerância, colocando questionamentos de como seria possível grupos com opiniões diferentes coexistirem em uma sociedade plural.

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Os X-men desde sua gênese representam as minorias e multiculturalidade e a HQ coloca em questão, como realmente eles são vistos pela sociedade, ou por uma sociedade manipulada por uma crença. Atualmente essa HQ teve uma grande relevância devido aos últimos atos de intolerância que presenciamos, como Chris Claremont coloca na texto introdutório( de 2003) da nova versão brasileira, ” A ironia em Deus Ama é que ela é um produto de seu tempo e, ainda assim, quase vinte anos depois os sentimentos – e a inspiração que me fez escrever a história – mantêm sua relevância. Pessoas ainda são jugadas mais pela sua cor de sua pele, por sua nação de origem e pela fé que professam do que por seu caráter“.

Dica de Leitura: Os Pequenos Perpétuos e A Festa de Delirium.

foto 3A pequena Delirium está perdida! Barnabás, seu cãozinho favorito e protetor, já percorreu o mundo desperto em busca de sua pequena princesa, mas não teve sucesso. Sua única alternativa é percorrer os estranhos reinos dos outros Perpétuos, os misteriosos irmãos de Delirium, para descobrir se eles sabem o paradeiro de sua dona…

 

Uma história que se inicia assim, não tem como ser ruim, este livro é escrito e ilustrado por Jill Thompson baseada na obra prima Sandman de Neil Gaiman e faz parte do selo, Sandman Apresenta.

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Essa versão infantil dos Perpétuos é tão sutil, que nem parece baseada em uma história adulta, os diálogos dos personagens estão em uma linguagem simples e acessível a pessoas de todas as idades, e o principal, o leitor não precisa estar familiarizado com o universo de Sandman para entender a história. Outro ponto positivo da história são as ilustrações, Jill Thompson faz um trabalho lindo utilizando aquarela, e as versões pequeninas dos Perpétuos estão lindas, deixando os personagens muito mais leves do que os originais dos quadrinhos.

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Para aqueles que não conhecem, Sandman é uma revista de História em Quadrinhos criada por Neil Gaiman em 1988 para a o selo adulto da DC COMICS, Vertigo, Suas histórias descrevem a vida de Sonho, o governante do Sonhar (o mundo dos sonhos) e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas. No total, são 13 arcos que contam a história de Sandman em 75 números,  além dos spin offs de Sandman Apresenta.

 

Na segunda história, A Festa de Delirium, a Delirium decide criar uma festa para curar a tristeza de sua irmã Desespero de uma vez por todas, ela decide convidar os seus irmãos Sonho, Destruição, Desejo, Destino e Morte para tentar animar a mais mal humorada dos Perpétuos .

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Mas observando estes livros com um olhar pedagógico, como estes livros com meus alunos?

Bem, em primeiro momento, Os Pequenos Perpétuos e A Festa de Delirium, são livros infantis, que é possível fazer uma contação de histórias como qualquer outra, principalmente com as séries iniciais do Ensino Fundamental, podendo utiliza-la como disparador para trabalhar relações sociais e  diversidade, por exemplo.

A partir do 3º ano os livros podem ser trabalhados na disciplina de História, relacionado as Mitologias, lendas e mitos (modernos e antigos), Língua Portuguesa, Artes (técnicas de desenho, como lápis de cor, aquarela, colagens), Geografia e  Filosofia, por exemplo.

Estes livros também serve como porta de entrada para a leitura das Histórias em Quadrinhos de Sandman, principalmente para alunos do 5º ao 9º ano e Ensino Médio, que podem trabalhar alguns arcos de histórias como Despertar, onde  William Shakespeare aparece na história para cumprir uma promessa feita ao Senhor dos Sonhos.

 

A série dos Pequenos Perpétuos fez enorme sucesso quando foram lançados no início dos anos 2000, ganhando até uma linha de bonecos e roupas, as duas edições incluem ainda esboços originais e os segredos por trás da história.

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A ARTE, CONVERSAS IMAGINARIAS COM MINHA MÃE

À maneira de jogo entre vários gêneros narrativos – ensaio, autobiografia e novela -, o autor espanhol Juanjo Sáez reconstrói alguns dos capítulos mais interessantes da história da arte. E o faz por meio de uma conversa com sua mãe, criando assim um vínculo com o leitor, convidando-o a refletir sobre algumas obras de arte e sobre a própria figura do artista.

No entanto, não se trata de um livro acadêmico que pretenda falar de cátedra. Sáez mostra sua visão de arte e, para exemplificá-la, detém-se no trabalho de alguns dos criadores mais representativos dos últimos tempos: Calder, Picasso, Warhol, Dalí e Chillida, dentre outros.

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Em outro plano, o autor cumpre uma missão de natureza mais sentimental: percorre salas de museus junto com sua mãe, relembra cenas familiares cotidianas, revisitando sua própria memória.

Dicas de leitura na internet

Excelente artigo sobre o Laerte, de Diogo Guedes no Suplemento Pernambuco [AQUI]

Esse é o primeiro ponto em que é impossível ver Laerte: definir sua obra é sempre falar do seu passado, porque o presente será atualizado amanhã, talvez de forma radical. É como se só houvesse a pegada do autor, nunca as suas pernas, e como se cada novo rastro indicasse que quem caminha mudou de direção.

Uma entrevista interessantíssima com Chris Ware [AQUI], feita pelo Ramon Vitral como preparação para uma matéria para revista Galileu [AQUI].

Acho que o potencial dos quadrinhos para capturar o fluxo e refluxo da consciência em toda sua complexidade visual e linguística foi muito pouco explorado, principalmente por eu achar que histórias em quadrinhos são por definição uma arte da memória. E eu tento expandir essa concepção em quase tudo o que faço,de preferência sem alienar o leitor durante esse processo. A utilidade desse meu esforço pode ser questionada, é claro.

Quadro de Planeta Ruiva, uma das séries do site Outros Quadrinhos

E aqui um punhado de HQs online e traduzidas para o português, no site Outros Quadrinhos, que é atualizado toda semana com novas páginas. Tem pra todos os gostos. Visite [AQUI] e escolha uma série para acompanhar.

viaDicas de leitura na internet.

Dica de Leitura: Maus – A História de um Sobrevivente.

Professores de História para trabalhar a 2º Guerra Mundial e o tema do Holocausto com esta Graphic Novel com os alunos em sala. A HQ pode ser um disparador de discussões sobre a forma que o autor retrata cada etnia dentro da história. A narrativa em forma de depoimento abre um leque de possibilidades de trabalho. Por exemplo: Os alunos podem pesquisar na família ou na vizinhança alguém que teve alguma relação ou contato com o conflito e coletar depoimentos, para posteriormente expor em sala.

Maus -  A História de um Sobrevivente.
Maus – A História de um Sobrevivente.

Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.

Nos quadrinhos, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto.

Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Segundo Umberto ECO, “Maus é um livro que ninguém consegue largar. Quando os dois ratos falam de amor, você se emociona; quando eles sofrem, você chora.”
E digo mais…se você realmente gosta de ler quadrinhos, tem a obrigação de ler MAUS.

http://http://www.youtube.com/watch?v=SF0aQwRQVhw