Arquivo da tag: Histórias em Quadrinhos

Prática Pedagógica: Projeto HqE! Histórias em Quadrinhos na Escola

A prática descrita abaixo foi realizada no ano de 2012 como parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Curso de Pedagogia na PUCPR. Estes resultados foram apresentados em formato de artigo nas 2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da USP (2013). 

DSC00294.JPG

No primeiro momento as atividades foram voltadas para o ensino fundamental, onde fomos verificar como os quadrinhos estavam sendo utilizados na escola, o que percebemos em nossas visitas é que havia uma lacuna entre a inserção dos quadrinhos na escola e seu uso com caráter didático. Na sequencia em decorrência do estágio em uma escola de Ensino Médio Técnico de Curitiba foi verificado nesta escola a dificuldade dos alunos sentiam com a disciplina da Língua Portuguesa, questões de interpretação e criação de textos, síntese e leitura em geral.

Por este motivo foi elaborado o Projeto HqE – Histórias em Quadrinhos na Escola, para justificar a leitura dos quadrinhos como auxilio no entendimento de temas complexos em que os alunos tem dificuldade de compreensão.

Observando a necessidade de matérias para as aulas de substituição, foram elaboradas atividades relacionadas ao tema de pesquisa de iniciação científica. Em um primeiro momento abordamos histórico da Arte Sequencial, sua origem e evolução até os dias de hoje.

A segunda aula foi abordada o tema da linguagem dos quadrinhos, por ser uma “linguagem autônoma” RAMOS (2012. p.17), e seus elementos narrativos precisam ser entendidos, enquadramentos, representação de fala e pensamento através dos diferentes tipos de balões, oralidade, onomatopeia, cena narrativa e qual a função os quadrinhos.
No terceiro momento entramos no tema de Como são elaborados os diálogos nas Histórias em Quadrinhos. Onde serão apresentadas as variações linguísticas aplicadas nas Histórias em Quadrinhos, com o objetivo de mostrar a homogeneidade da língua portuguesa e sua variação de acordo com o contexto social e histórico, trabalhando o uso de gírias, regionalidade, metáforas, humor e linguagem formal.

Esta terceira aula por ser um conteúdo amplo, foram divididos cada tema para aulas de cerca de 50 minutos para podermos nos aprofundar nos temas.
As atividades elaboradas estão de acordo com os P.A´s (Planos de Aprendizagem) de Gramática e Redação do 1º ao 4º ano dos cursos de Ensino Médio Técnico Integrados Informática e Administração, que tem em seu objetivo geral:

Desenvolver as competências comunicativas, centrada nos eixos oralidade/leitura/escrita/análise linguística, numa abordagem interdisciplinar que privilegia o questionamento reconstrutivo da realidade, visando à formação integral do educando, capaz de exercer a cidadania organizada e critica.

Com o término das aulas os alunos foram avaliados sobre o que foi compreendida sobre os temas. A avaliação não teve por objetivo pontuar o conhecimento do aluno, mas criar situações desafiadoras e problematizadoras, onde ele poderá socializar seus conhecimentos adquiridos durante as aulas com seus colegas.

Após apresentação e aprovação do projeto junto à direção da escola, foi apresentado aos professores no Núcleo de Linguagens e Códigos o projeto e a proposta de trabalhar os quadrinhos com a disciplina de Literatura no dia 13 de março de 2013, após dialogo com os professores foi acordado que trabalharíamos com os todos os alunos do segundo ano do ensino médio integrados aos cursos de Informática e Administração com o livro de Álvares de Azevedo, “Noite na Taverna” (que já estava no planejamento da disciplina) e sua adaptação em quadrinhos, roteirizada por Reinaldo Seriacopi e desenhada por vários quadrinistas. No planejamento para as aulas os temas abordados foram à origem das histórias em quadrinhos; entendo as histórias em quadrinhos; literatura, quadrinhos e o gênero de terror; totalizando 264 alunos em 11 turmas dos períodos da manhã e tarde.

1º Simpósio de Histórias em Quadrinhos, atividade de finalização do primeiro ano do projeto – Com palestras de Fúlvio Pacheco( quadrinista), Maristela Garcia ( Gibiteca de Curitiba) e José Aguiar( quadrinista).

A atividade proposta para os alunos foi à criação de uma FANZINE dos principais autores do Romantismo, para que eles pesquisassem sua biografia e a estruturassem em formato de um roteiro de histórias em quadrinhos, que foi previamente explicado em aula. Toda esta atividade se deu dentro de sala aula e em grupos para que os alunos interagissem e compartilhassem o conhecimento, já que muitos dos alunos também desenham. Também foi solicitado aos alunos que escrevessem uma releitura dos contos de “Noite na Taverna”, todo material que os alunos produzirem será foi selecionado para uma exposição dentro das dependências do colégio, além de integrar um e-Book que será foi disponibilizado para toda comunidade escolar.

 

Leia o artigo completo aqui

Referencial

BRASIL, Ministério da Educação. PCN-Ensino Médio. Disponível em <http://www.portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_24.pdf&gt;.

BRASIL, Ministério da Educação. PCN+ Ensino Médio – Linguagens Códigos e suas Tecnologias. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/linguagens02.pdf&gt;.

RAMOS, Paulo. A leitura dos quadrinhos. São Paulo: Ed Contexto. Coleção Linguagem & Ensino. 2012.

Anúncios

Prática pedagógica: Inserindo as HQs em sala de aula no Ensino Fundamental.

Trecho da pesquisa realizada entre os anos de 2013 e 2015 no Programa de Iniciação Cientifica da PUCPR e apresentando no artigo “Arte Sequencial em sala de aula para o desenvolvimento das Múltiplas Linguagens no Ensino Fundamental” no EDUCERE 2014.

 

No ano de 2013 os alunos do 3º ano os alunos foram convidados para a montagem coletiva de uma Gibiteca, utilizamos as histórias em quadrinhos que estavam disponíveis na escola. Para criarmos um diferencial, em um trabalho conjunto, montamos uma caixa para deixarmos disponíveis as Histórias em quadrinhos em sala de aula para os alunos com tipos de letra variados.

Os Gibis foram trazidos pelos alunos gradualmente, foi estabelecido um prazo e uma premiação de três livros infantis para o aluno que colaborasse com o maior número de revistas em quadrinhos, ela receberia três exemplares aleatórios da literatura infantil. Para isso oi estabelecida uma regra: apenas as revistas em quadrinhos entrariam para a contagem, assim já aproveitamos para falar sobre as características gráficas e de linguagem próprias das HQ’s e em um mês a nossa Gibiteca estava cheia.

Com exemplares variados raros, comuns, antigos, novos, rasgados e bem cuidados, foi o suficiente para começar o trabalho. A partir do dia seguinte as crianças tiveram 15 minutos do seu tempo de aula reservados para ler os gibis da Gibiteca, esses momentos eram concedidos de três a quatro vezes na semana, dependendo da programação dos eventos da escola.

As reações a esses momentos de leitura variavam muito, no inicio as trocas de gibis eram muito intensas, foi percebido que a leitura não estava acontecendo, mas que, apenas o fato de folhear os gibis era muito importante para despertar a identificação das crianças com o estilo e as personagens. Não convinha, por exemplo, neste momento fazer aquele trabalho paralelo de apresentar a linguagem dos quadrinhos para os alunos, como organizar os quadros das tirinhas em ordem, por exemplo, algo comum nas atividades de alfabetização, bem como preencher os balões de uma tira.

O primeiro momento foi focando na leitura, percebida a importância de variar as formas de leitura, em alguns momentos, combinávamos que por um dia não era permitido trocar de revista, isso fez com que as crianças que apenas folheavam quadrinhos, sem ler e começassem a se dedicar a leitura. Elas deixavam a pressa de lado e, deixando a ansiedade para trocar de gibis, levando à outra estratégia importante: dobrar o tempo de leitura nos dias mais agitados. Nesse caso, se aproveitavam apenas os minutos finais depois de ter atingido o nível de concentração necessária para o ambiente de leitura, e também nos dias em que a concentração estava muito propícia para a leitura produtiva.

Nesses dias, não foram indicados o término dos quinze minutos e geralmente a leitura fluía sem que as crianças se dessem conta que esse tempo já havia esgotado. Essas práticas preservaram a concentração das crianças e estimularam o envolvimento com a leitura em quadrinhos.

No final do mês de setembro, foi dado início às práticas de oralidade, onde os educandos tinham momentos para mostrar os seus gibis preferidos e contar para os colegas o que mais havia lhe chamado atenção, em algumas situações um colega escolhia a um gibi para o outro ler.

Além destas atividades, o trabalho que comtemplou os diferentes níveis de alfabetização, o mostrou-se o maior desafio, para tentar sincronizar as necessidades do grupo atendendo a diferentes níveis de aprendizagem. Um ótimo exemplo dessa tentativa foi trabalho realizado com os personagens da Turma da Mônica.

O motivo, longe de ser um favoritismo, era a comemoração dos 50 anos da personagem Mônica, que acontecera no mesmo ano. A comemoração favoreceu de diversas maneiras, pois, estavam disponíveis materiais atualizados sobre o assunto em jornais e revistas, possibilitando engatilhar atividades em sala de aula.

Todas as atividades pensadas para os alunos foram adaptadas para ir de acordo com a proposta de rede municipal de ensino. Por exemplo, em uma das atividades, as crianças classificadas como pré-silábicas, recebiam a atividade com os nomes das personagens escritos. As crianças classificadas como silábicas a atividade em que os nomes das personagens devem ser completados pelas vogais. E, por fim, as crianças classificadas como silábico-alfabéticas e alfabéticas recebiam a atividade com os nomes das personagens preenchidos apenas com a letra inicial.

Esta é uma atividade para colorir, recortar e colar igual para todos, com a diferença de ser pensada para os diferentes níveis de alfabetização. Um trabalho que demanda planejamento e que associá-los às histórias em quadrinhos significa vincular a uma proposta pedagógica que forme leitores de histórias em quadrinhos.

Finalizamos com a criação. Os alunos foram convidados a elaborar um roteiro para uma história de quatro quadros. Os roteiros foram submetidos a uma votação, e a partir do resultado cada criança ilustraria a sua maneira. Depois os trabalhos foram comparados, e as crianças puderam ver a história ganhando diferentes traços.

 

Histórias em quadrinhos ajudam crianças com mielomeningocele

Um projeto de extensão universitária do curso de enfermagem da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP) mudou a forma como as crianças, diagnosticadas com mielomeningocele, encaram a doença que exige muitos cuidados. Os pequenos leem as histórias em quadrinhos e passam a ter uma História ensina sobre doença e cateterismo (Foto: Reprodução / TV TEM)visão bem diferente da história.

“Além de ter a história da doença aqui, também explica porque ele tem que fazer o cateterismo intermitente. Ele pode mostrar para as outras pessoas a necessidade de realizar esse procedimento. Isso vai ajudar muito, é uma maneira simples, clara e lúdica”, explica a enfermeira Maria Virginia.

Um dos sintomas da doença é que o cérebro e a bexiga não se comunicam, então a criança precisa urinar, mas não tem vontade. Por isso precisa usar sonda de quatro a cinco vezes por dia para esvaziar a bexiga.  Uma rotina difícil, mas que o pessoal do Hospital das Clínicas deu um jeitinho de facilitar. Eles criaram uma história em quadrinhos em que o personagem, o Juca, é portador da mielomeningocele e viaja por dentro do aparelho urinário. Nas ilustrações ele mostra que o uso da sonda não deve ser um problema para a criançada […]

Leia Mais: G1

Exposição conta história dos quadrinhos curitibanos através de seus personagens

A cronologia das histórias em quadrinhos da cidade por meio de seus personagens está na exposição “Fabulosa Galeria de Personagens dos Quadrinhos de Curitiba”, que abre nesta sexta-feira (4), às 19h, na Sala Lápis do Museu da Gravura, no Solar do Barão. Com curadoria de Fulvio Pacheco, a mostra em formato de álbum de figurinhas tem entrada gratuita e fica em cartaz até o dia 1º de maio.Exposição quadrinhos curitibanos - Loira Fantasma

A galeria inicia com o Chico Fumaça de 1926 de autoria de Alceu Chichorro, passando por personagens como o Homem Relâmpago, do Poty Lazarotto; Maria Erótica, de Claudio Seto; Smilinguido, da Marcia D´Haese; Marcozinho, do Tako X; Loira Fantasma, do Fulvio Pacheco; Curitibinha, do Marcos Vaz; Amely, da Pryscila Vieira; Barão do Serro Azul, do Marcelo Lopez; Malu, do José Aguiar e vários outros, totalizando 65 personagens.De acordo com Pacheco, a exposição pretende mostrar que existe uma cronologia de quadrinhos consistente em Curitiba e de considerável volume. ”

A tradição da cidade quanto aos quadrinhos é conhecida em todo país, com méritos como a Grafipar, editora responsável pela maior produção de quadrinhos vista fora do eixo Rio-São Paulo, a primeira Gibiteca do Brasil e a Gibicon”, lembra Pacheco.Exposição quadrinhos curitibanos - O Gralha

A ideia do álbum surgiu com a Monografia “A História da Gibiteca e dos Quadrinhos
em Curitiba” editada em 2006 por Fulvio como trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Artes do Paraná. O artigo está à disposição para consulta na Gibiteca de Curitiba.

Serviço:
Exposição “Fabulosa Galeria de Personagens dos Quadrinhos de Curitiba”
Local: Sala Lápis, Museu da Gravura da Cidade de Curitiba – Solar do Barão
Data e horário: Abertura dia 4 de março de 2016 (sexta-feira), às 19h. Visitação: 5 de março a 1º de maio, das 9h às 12h e 14h às 18h (terça a sexta-feira) e das 12h às 18h (sábado e domingo)
Entrada gratuita

Fonte: Paraná Online

O Árabe do Futuro – Uma Juventude no Oriente Médio (1978-1984)

Uma História em Quadrinho com caráter autobiográfico sempre nos chama a atenção, assim como um filme que inicia com a frase “baseada em fatos reais”.

O trabalho de Riad Sattouf tem o mesmo poder quando começamos a leitura, outro motivo que chama a atenção foi período retratado, mostrando a Líbia nos primeiros anos do governo ditatorial de Muamar Kadafi (morto em 2011 no movimento conhecido com A Primavera Árabe) e o governo na Síria de Hafez AL Assad.

Porém durante a leitura da HQ os fatos do cotidiano retratados por Sattouf foram deixando a história mais interessante. Como o fato que na Líbia a propriedade privada havia sido abolida, assim se uma casa estivesse vazia, qualquer pessoa tinha o direito de se instalar no lugar, ou a luta pela comida, que era racionada para cada família.

 

 

Além de uma boa leitura, esta HQ nos leva a conhecer como são os costumes, a arquitetura e as peculiaridades do mundo árabe. Observando também como conceitos religiosos, políticos interferem no cotidiano dos cidadãos comuns e principalmente na vida e na formação de uma criança.

O traço cartunesco de Riad Sattouf e a escolha das cores para retratar cada capítulo da história dão ao “Árabe do Futuro” personalidade e complementam a narrativa, criando uma espécie de “respiro” entre os capítulos.

Outro ponto interessante, como é retratado a relação educacional do personagem, que por muitas vezes é visto como uma criança superdotada, observadora e criativa, mas o próprio ambiente (familiar/escolar) o fez questionar estas habilidades.

 

Coletânea dos primeiros quadrinhos brasileiros está disponível na livraria do Senado

Segundo o site do Senado Federal será disponibilizado para venda a coletânea de Quadrinhos “As Aventuras do Nhô-Quim” criadas por Ângelo Agostini.

Organizado pelo especialista em quadrinhos Athos Eichler Cardoso, a obra faz parte de um trabalho de restauração digital da Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado.

A coletânea dos primeiros quadrinhos brasileiros de Ângelo Agostini está disponível por 30 reais no site da livraria do Senado.

 

Pesquisa concluída: A utilização da arte sequencial e suas múltiplas linguagens pelos professores: uma ferramenta de ensino da língua portuguesa nas séries iniciais

“com imensa alegria recebo a divulgação de meu trabalho pelo Observatório de Histórias em Quadrinhos da USPMuito obrigado a todos que ajudaram de uma forma ou de outra para que esta pesquisa fosse realizada” – Marcio Garcia.

 A pesquisa foi desenvolvida como Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia da Escola de Educação e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, por Marcio Roberto da Silva Garcia, sob orientação da Profa. Fabiane Lopes de Oliveira.
O trabalho buscou promover a formação de professores no que tange à Arte Sequencial/Histórias em Quadrinhos e seu uso em sala de aula nas séries iniciais do ensino fundamental, bem como propor estratégias de uso das múltiplas linguagens encontradas na Arte Sequencial/Histórias em Quadrinhos. Em sua problematização, apresenta o seguinte questionamento: as linguagens e as estratégias utilizadas pelos professores para diversificar o ensino da Língua Portuguesa nas séries iniciais, como a Arte Sequencial/Histórias em Quadrinhos são utilizadas em sala de aula?
Como objetivos gerais e específicos, buscou identificar os aspectos da linguagem da Arte Sequencial/Histórias em Quadrinhos que estão sendo utilizados nas disciplinas de Língua Portuguesa nas séries iniciais do ensino fundamental pelos professores. Para este propósito, a abordagem metodológica foi  a abordagem qualitativa e como instrumentos foram utilizados a pesquisa bibliográfica, a observação participativa e o estudo de caso sobre o uso da Arte Sequencial e suas múltiplas linguagens no ensino da Língua Portuguesa.
O trabalho contou com o aporte teórico sobre a linguagem das Histórias em Quadrinhos , buscando seus benefícios para o processo de ensino-aprendizagem. O estudo desenvolvido no trabalho contou com a fundamentação teórica dos seguintes autores: Eisner (2012/2013); Freire (2006/2012); Morin (2012/2013/2014); Ramos (2012a/2012) Vergueiro e Rama (2012). Por meio da pesquisa, foi possível observar que as Histórias em Quadrinhos são uma estratégia envolvente para obter bons resultados no Ensino da Língua Portugesa, visto como um recurso pedagógico, esta ferramenta pode contribuir para aquisição de novos conhecimentos e de incentivo a leitura.
Interessados em conhecer o texto completo podem entrar em contato diretamente com o autor.
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

Livro: Quadrinhos & Educação Vol. 2

Foi publicado essa semana o livro QUADRINHOS & EDUCAÇÃO – VOLUME 2, a obra organizada pelos professores doutores Amaro Braga(UFAL) e Thiago Modenesi(FG-LAUREATE) e aborda nessa oportunidade as experiências com procedimentos didáticos envolvendo HQs.
Ambos os organizadores já possuem um conjunto de publicações e pesquisas na área e são membros da diretoria da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS.
O primeiro volume da coletânea foi lançado durante o II ENTRE ASPAS em Leopoldina, Minas Gerais, no mês de maio deste ano. A obra discutia relatos de experiências e análise de publicações envolvendo HQs e educação.
O novo volume foi lançado durante as 3as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos na Universidade de São Paulo de 18 a 21 de agosto desse ano também. A iniciativa é publicada pela Faculdade dos Guararapes, parte integrante da rede internacional Laureate, e já aponta para a publicação de ao menos mais 2 volumes, o terceiro já está bastante adiantado e deve ser lançado no começo de 2016.
Marca o atual volume a presença de autores de várias universidades brasileiras, além de artigos de pesquisadores uruguaios e peruanos, cabe destacar ainda a capa, esta foi produzida a partir de ilustração do artista brasileiro Luciano Félix que já publicou na versão brasileira da revista MAD.


O livro QUADRINHOS & EDUCAÇÃO (PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS) – VOLUME 2, possui 188 páginas, é formado por 12 artigos e pode ser adquirido por e-mail com os autores no endereço eletrônico thiagomodenesi@hotmail.com

Gibis estimulam alunos de Cmei a tomar gosto pela leitura

Entre os exemplos de aplicação, estão a análise de textos e ampliação do vocabulário. Com isso, o jovem leitor passa a se familiarizar com os momentos decisivos.

Gibitecas foram instaladas nos Centros Municipais de Educação Infantil

Já foi o tempo em que as revistas em quadrinhos eram proibidas em sala de aula. Agora, os gibis ganharam significado pedagógico e são uma excelente opção para incentivar a leitura entre aqueles que estão entrando no mundo das letras. A começar pelos personagens que, por si só, são atraentes para a garotada.

Assim, os alunos e professores dos 49 Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) comemoram a chegada das “Gibitecas Turma da Mônica”, recentemente adquiridas pela Secretaria Municipal de Educação (Seme).

“As histórias em quadrinhos ou gibis são revistas que unem o texto à imagem, criando uma sequência de quadros que acompanham o desenvolvimento do texto. Podem ser utilizadas como um dos recursos para a aquisição da linguagem escrita e da leitura nas crianças atendidas na educação infantil, constituindo-se em vivências prazerosas no desenvolvimento curricular”, disse a secretária municipal de Educação, Adriana Sperandio.

Aprender brincando

“Além de incentivar o hábito da leitura, a união da linguagem gráfica com a escrita ainda ajuda na assimilação de temas diversos, aumentando a capacidade de análise, interpretação e reflexão das crianças”, argumentou a gerente de Educação Infantil da Seme, Ana Paula Holzmeister.

Entre os exemplos de aplicação, estão a análise de textos e ampliação do vocabulário. Com isso, o jovem leitor passa a se familiarizar com os momentos decisivos e personagens que marcaram a história do Brasil e, ainda, recebe informações sobre meio ambiente, mudanças de paisagens e clima.

Literarte

O Cmei Valdívia da Penha Antunes Rodrigues, que fica em Santos Dumont, possui o projeto de leitura “Literarte – Literatura e Arte em Toda Parte” e comemora a chegada da Gibiteca. “O formato favorece a interação e a autonomia entre as crianças, uma vez que elas têm livre acesso à estante”, disse a diretora do Cmei, Patrícia Massaria Loureiro.

Ela completou: “O desafio é garantir às crianças uma aprendizagem significativa, realmente voltada para o desenvolvimento do pensamento crítico e criativo. O objetivo do nosso projeto é fazer com que a leitura seja fonte de descobertas, desperte emoções, estimule a criatividade e incentive a criticidade, com vistas à construção da identidade”.

Gibiteca Turma da Mônica
A série “Saiba mais com a Turma da Mônica” nasceu da intenção de levar educação e cidadania ao ambiente escolar, por meio da leitura descontraída encontrada nas histórias em quadrinhos. A partir dessa proposta, o projeto pretende estimular o aprendizado e o conhecimento dos temas fundamentais, objetivando formação de qualidade e apropriação da informação com o auxílio da linguagem inovadora presente nas histórias em quadrinhos.

Fonte: http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2015/03/gibis-estimulam-alunos-de-cmei-a-tomar-gosto-pela-leitura.html

As Histórias em Quadrinhos como incentivo a leitura.

Buscar novas formas de incentivar a leitura no âmbito escolar está cada vez mais difícil por parte de professores, principalmente com as novas formas de informação que chamam a atenção cada vez mais cedo das crianças.

As novas gerações que “já nascem com um tablet na mão” cada vez mais tem menos interesse pela leitura, e principalmente menos paciência. Conseguir que um aluno tenha cinco minutos de atenção na leitura de um livro é quase impossível, e esta falta de interesse na leitura reflete diretamente no aprendizado.

Alunos que não sabem interpretar textos, compreender problemas matemáticos, não tem repertório histórico e que não sabem escrever. Todos problemas influenciados pela falta de hábito de leitura.

Uma possibilidade para a melhoria nesse déficit de leitura seria pela inserção das Histórias em Quadrinhos nas séries iniciais. Por ser um meio de comunicação de massa, o acesso pode acontecer tanto dentro quanto fora da sala de aula, em bancas de jornal e livrarias existem espaços dedicados a essa linguagem e o preço na maioria das vezes é acessível.

Hoje com algumas políticas educacionais, a leitura das Histórias em Quadrinhos já é recomendada nas escolas, como por exemplo, os Cadernos de Alfabetização da Prefeitura de Curitiba que recomenda o uso dos gibis pelos professores para o incentivo da leitura; assim como os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) para o ensino da Língua Portuguesa que recomendam atividade com Histórias em Quadrinhos e tiras de jornais para a ampliação do repertório dos alunos.

Mas, mesmo com as políticas de ensino recomendando o uso de histórias em quadrinhos para o incentivo à leitura objetivando ampliação do repertório dos alunos, percebemos que professores e instituições de ensino ainda encontram problemas com a utilização dessa linguagem.

Um desses fatores é exatamente o fato de que os educadores não entendem as Histórias em Quadrinhos como uma linguagem, muitas vezes confundidas com uma forma de literatura, as HQs são consideradas uma linguagem por utilizarem de imagens em sequência para transmitir uma informação, o traço do artista dá o tom da história, assim como as cores, os tamanhos dos quadros e os tipos de balões e até as fontes utilizadas nos textos tem uma informação própria antes mesmo do texto em si. Além de ser uma linguagem autônoma os quadrinhos também são considerados uma forma de Arte, a Arte Sequencial (definição de Will Eisner autor de Quadrinhos e a Arte Sequencial – Martins Fontes.) ou a 9º arte (assim como a pintura, a dança, a literatura, a escultura), um fato totalmente desconsiderado pelos educadores quando utilizam os quadrinhos em sala de aula. Posto isto, quadrinhos são quadrinhos e ponto final.

Atualmente coleções como Graphic Novels, e Adaptações Literárias em quadrinhos que são indicadas nos PNBE (Plano Nacional da Biblioteca na Escola) e mesmo assim não encontramos educadores utilizando essa linguagem.

O que podemos nos perguntar é, como uma linguagem que desperta o interesse dos alunos há décadas ainda não é explorada em sua totalidade nas escolas?

Falta de políticas de incentivo não é, pois nas últimas décadas tivemos PCN, LDB, PNBE citando o uso de quadrinhos e outras linguagens em sala de aula; interesse dos alunos também não, pois mesmo com a tecnologia, ainda encontramos alunos lendo os gibis da Turma da Mônica ou mangás quase que diariamente fora de sala de aula. Seria a falta de divulgação dos quadrinhos? Também não, quase que bimestralmente temos adaptações nos cinemas de Histórias em Quadrinhos com sucesso de bilheteria. Então sobraram as escolas e os professores: qual seria o interesse desses educadores em buscar novos métodos para que a aprendizagem se torne mais significativa para os alunos?

Por fim, para mudarmos esse panorama da falta de interesse dos alunos à leitura, devemos buscar novas (ou não tão novas assim) estratégias. As Histórias em Quadrinhos poderiam ser uma ferramenta a ser explorado, repensar nossos planejamentos e respeitar o que os educandos já conhecem deve ser outro ponto a ser pensado.

Talvez a solução da maioria dos problemas educacionais que enfrentamos hoje, esteja na banca mais próxima.