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FIQ Jovem:curso de formação de quadrinistas

O Festival Internacional de Quadrinhos estará desenvolvendo o FIQ Jovem,  um curso gratuito de formação de quadrinistas. O curso foca na produção de quadrinhos, sendo assim, metade da carga horária do curso é voltada para a produção em sala de aula. A turma é reduzida e cada aula é ministrada por dois professores para que os alunos possam ser atendidos individualmente.

O curso é voltado para pessoas que já tenham alguma relação com a criação de histórias em quadrinhos, mas que ainda não sejam profissionais da área. Temos como meta a criação, produção e finalização de uma hq completa durante o período do curso. Os alunos acompanharão e participarão de cada etapa desse processo, tornando-se assim capazes de avançarem em seus projetos de forma independente a partir de então.

O curso acontecerá de 11 de Junho a 10 de Dezembro de 2016, ao sábados, de 8h às 14h. Na segunda metade do curso, em momentos específicos de produção, algumas aulas terão duração de 8hs. Ao longo do curso serão feitos tembém 8 encontros com quadrinistas de todo o país para conversarem sobre seus processos com os alunos e com o público em geral. Esses encontros extras acontecerão uma vez por mês sempre às terças-feiras.

O corpo docente é formado por quadrinistas experientes e que atuam na área, tanto no mercado nacional quanto internacional, tendo publicado em diversos meios.

Condições para inscrição:

Ter no mínimo, obrigatoriamente, 14 anos. (na hora da matrícula será requisitada a presença dos pais para os menores de 18 anos)

Ter no máximo, preferencialmente, 25 anos.

Ser residente em Belo Horizonte ou Região Metropolitana

Ter disponibilidade para participação em pelo 70% das aulas.

Preencher corretamente o formulário de inscrição.

Serão oferecidas 25 vagas para o curso. Haverá um processo seletivo baseado nos portfólios e na relação dos interessados com os quadrinhos. Os selecionados serão informados por email até o dia 6 de junho.

Ficha de Inscrição: AQUI!

Fonte: FIQ

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Livros infantis baseados nas histórias clássicas da Turma da Mônica.

Companhia das Letras, publicará uma coleção de livros ilustrados, baseados nas Histórias em Quadrinhos da Turma da Mônica.
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Nesta coleção serão  publicados as histórias clássicas, escritas e desenhadas por  Mauricio de Sousa, adaptadas para a literatura infantil e desenhadas por outros artistas brasileiros.
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A primeira história anunciada será  “Mônica é daltônica?”(originalmente publicada em maio de 1970 na edição nº1 pela Editora Abril), que terá as ilustrações de  Odilon Moraes.

O lançamento está previsto para Agosto deste ano.

Resenha: CENA CON AMIGOS

PERSPECTIVA TEÓRICA DA OBRA

Rodolfo Santullo, Mexico D.F., 1979, é jornalista, escritor, roteirista e editor de Histórias em Quadrinhos do Grupo Belerofonte, desde 1999. Santullo já ganhou vários prêmios por seus trabalhos, como o do (Fundos Concursais para a Cultura), ofertado pelo Ministério da Educação e Cultura do Uruguai. Já Marcos Vergara, San Nicolás, Argentina, 1973, é desenhista formado pela Escuela Superior de Diseño Gráfico e Bibliotecário graduado pelo Instituto Fray Luis Beltrán. Desde 2008 faz parte do grupo de “Historietistas Latinoamericanos – Historietas Reales”.

Em se tratando da obra gráfica “Cena con Amigos” Santullo (roteirista) e Vergara (desenhista) receberam o prêmio de “Melhor Roteirista” no evento “Solano López” outorgado pela Feira do Livro de Buenos Aires, 2010. Rodolfo e Marcos se apoiaram nos relacionamentos e experiências vividas no cotidiano, para compor esta narrativa gráfica.

BREVE SÍNTESE DA OBRA

A presente resenha tratará da narrativa gráfica “Cena con Amigos”, dos autores Rodrigo Santullo e Marcos Vergara.

A obra é a primeira versão de HQs do Uruguai apresentada em Webcómic e posteriormente impressa. Nesta narrativa, Santullo e Vergara iniciam o diálogo retratando o cotidiano de um grupo de amigos composto por Cristian, Marcela, Bernardo, Silvia, Jorge, Cinthia e Germán, que partilham diversas situações que permeiam os mais diferentes grupos e esferas sociais.

Em meio a traições, morte, violações, festas, piadas, jantares, companheirismo e questionamento de caráteres, Santullo e Vergara nos embarcam na viagem deste grupo, rumo a muitas descobertas e mistérios.

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Figura 1 – Foto capa da História em Quadrinhos Cena Con Amigos. Fonte: Historietasreales – https://historietasreales.wordpress.com/category/cena-con-amigos/ (2015).

A PROVOCAÇÃO FILOSÓFICA POR TRÁS DO ENREDO

Além de o tema envolver uma intriga policial, a obra apresenta uma identidade critico-reflexiva, no que tange ao comportamento social, uma vez que aborda os traços mais sórdidos da personalidade humana. Desde o início, o caráter duvidoso de Bernardo, fica exposto ao leitor, entretanto, através dos diálogos, observa-se que nenhum dos integrantes da turma tem seu caráter ilibado ou, ao menos, um histórico limpo. Nota-se, portanto, a tentativa do autor em despir toda a sociedade, no

concernente ao “politicamente correto”. O teor da obra nos remete a Nelson Rodrigues, quando afirma: “Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante”, ou seja, não há ser humano livre de desvios de caráter.

O autor deixa claro que existe um período etário de amadurecimento, no qual todo ser humano deve optar por se adequar às regras impostas pela sociedade, ou manter-se livre delas, sendo que, qualquer das opções resultará em uma potencialização do comportamento escolhido.

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Figura 2 – Foto Primeira Festa na nova casa de Bernardo – p.4 Cena Con Amigos. Fonte: Historietasreales – https://cenaconamigos.wordpress.com/ (2015)

Há uma dicotomia entre as perspectivas para a mesma situação: De um lado, considerando os valores morais, pode-se encarar Bernardo como uma pessoa de má índole, porém, partindo de uma perspectiva diferente, este personagem é o único que assume sua natureza humana.

O direcionamento à reflexão mais interessante desta HQ, é a afirmação implícita de que toda falsidade e ironia são recursos utilizados para a manutenção de um grupo social, que necessita da aceitação mútua de seus integrantes.

Fica bastante clara, a potência desta *** para transmitir uma quantidade significativa de informações. Um livro puramente descritivo necessitaria de muitas páginas caso quisesse transmitir todo o conteúdo desta historieta. As imagens, aliadas aos diálogos escritos, conseguem condensar um notável volume de informações, facilitando e agilizando o entendimento da mensagem do autor.

A presente resenha não objetiva trazer à tona, a discussão sobre a terceirização do imaginário do leitor. A proposta da ilustração, neste caso, é justamente promover a clareza, para o entendimento adequado e, nota-se nitidamente, que este propósito é alcançado.

Quanto à linguagem utilizada nesta obra, os autores optaram pelo nível informal, já que tratam de temas do cotidiano de um grupo jovem.

No que tange a ilustração dos cenários e os traços dos personagens, estes são nítidos e caracterizam com realismo, cada integrante e local, bem como complementam a entonação e emoção sentida por cada individuo da narrativa.

As pinceladas em preto e branco, também contribuem para a sintonia entre os espaços da narrativa e as experiências partilhadas.

 CONHECENDO O ENREDO

Tudo começa quando os colegas se reúnem na nova casa de Bernardo, para dar as boas vindas ao rapaz. À mesa, Cristian conta uma história de humor negro e todos dão muitas gargalhadas.

Logo após colocarem o papo me dia, Bernardo, o mais destemido e atrevido do grupo, comete mais um de seus gracejos desagradáveis, propiciando desconforto e desavenças entre os colegas, que não tardam em ir embora.

No dia seguinte, descobre-se que Bernardo está morto, e que este não estava sozinho no momento em que faleceu, por haver duas taças de vinho ao seu lado.

Com o passar do tempo, descobrimos que todos de certa forma, ocultam alguma informação para manterem-se bem diante do grupo, e que a relação entre eles, se dá por meio de ponderação e aparência, a fim de manter o grupo conectado.

Para esquecer todos esses desgostos e reforçar os laços, os amigos resolvem fazer uma viagem ao Glacial, a Perito Moreno, local que Bernardo tinha planejado levá-los.

Na viagem os conflitos começam a surgir e as máscaras caem. Questões como indiferenças, sexo, caráter, fidelidade, amizade e mentiras, são colocadas em cheque, para testar os limites do ser humano, frente aos laços básicos que unem os seres humanos. Por fim, Rodolfo e Marcos, parecem usar o personagem principal da história, Bernardo, um cara solitário, frio e destemido, que sem pudor, comete os mais grosseiros e vulgares atos, como uma armadilha para criar no leitor a curiosidade sobre os limites e disposição para mantermos um relacionamento “sadio”, ante a sociedade.

Ana Paula Rodrigues Ferro: Mestranda em Comunicação e Inovação – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Graduada em Letras Língua Portuguesa e Espanhola, Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Faculdade campos Elíseos, Especialista em Ensino de Espanhol para Brasileiro – PUC. Professora do Ensino fundamental e Médio do Colégio Cristo Rei e na Pós Graduação da Faculdade de Conchas – FACON. paula_verani@hotmail.com

Lançamento do Livro Como Escrever Quadrinhos, de Gian Danton.

O roteirista Gian Danton lança o livro Como escrever quadrinhos, dia 16 de junho, na Gibiteca de Curitiba. A partir das 19h, haverá também uma palestra com “Dez dicas para roteiristas” e sorteio de brindes. O livro também estará sendo vendido com desconto, ao preço de R$20.

O autor é roteirista desde 1989, quando publicou a história “Floresta Negra” na revista Calafrio, em parceria com Bené Nascimento (Joe Bennett). Desde então participou de diversos projetos entre eles a premiada graphic “Manticore” ou o álbum MSP+50, em homenagem a Maurício de Sousa. Foi um dos criadores do herói Curitibano O Gralha. É ganhador do Ângelo Agostini como melhor roteirista de 1999, além de vários outros prêmios.Como escrever quadrinhos

Quando começoua escrever HQs, não havia nenhuma referência sobre o processo de produção de quadrinhos ou mesmo sobre a formatação do roteiro. “Com esse início tão pedregoso, sempre fui muito solícito com novos roteiristas que me procuravam com dúvidas”, explica o roteirista, no texto de abertura do volume. Essas orientações deram origem ao primeiro livro, “O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos”, lançado também pela Marca de Fantasia, em 2010. Entretanto, mesmo com o livro, as questões continuaram a chegar, o que levou à idéia de produzir um segundo volume.
Um acaso contribuiu também para a produção do segundo livro. Convidado para o evento Muiraquicon, em Belém, em 2012, foi-lhe pedido que preparasse duas palestras diferentes sobre roteiro. “A saída foi produzir uma palestra auto-biográfica, explicando como escrever quadrinhos a partir da minha própria trajetória. Os problemas que enfrentei e como os resolvi”, conta o roteirista. Assim, além das técnicas de roteiro, o livro se debruça sobre o processo criativo a partir da experiência do próprio autor.
Ingresso: gratuito

Data(s): 16/06/2015

Horário(s): 19h

Público Dirigido: não

Espaço Cultural:

Gibiteca de Curitiba

fonte:http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/

É só entregar lápis e papel.

Para a criança e logo traços mais finos em meio a outros mais grossos começam a compor um desenho. “A criança começa a se interessar pela leitura por meio dos quadrinhos, por volta dos 4 ou 5 anos de idade. O humor gráfico e os quadrinhos atingem todos os estudantes, da Educação Infantil ao Ensino Médio”, comenta o cartunista e jornalista José Alberto Lovetro. Com a experiência de quem atuou em grandes veículos de comunicação, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Veja e TV Globo, José Alberto Lovetro garante que o uso de quadrinhos como ferramenta pedagógica pode resultar em atividades que se enquadram em qualquer disciplina e, ao inserir o próprio aluno no roteiro da tirinha, o educador traz ainda mais impacto para o trabalho. “Todos nós gostamos de ser personagens de uma historinha na qual podemos ser super-heróis ou apenas nós mesmos no dia a dia. Tive uma experiência na antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), de São Paulo (SP), com o uso de quadrinhos: sugeri aos professores que solicitassem aos jovens o desenho da própria história, já que quando desenhamos nossa história, conseguimos nos enxergar de uma forma diferenciada. Foi como estar em um divã, os meninos tiveram a oportunidade de refletir sobre os seus atos e reagir positivamente contra a violência. O resultado foi sensacional”, lembra.

Leia mais: http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/87/artigo225133-1.asp

Contos de fadas em Quadrinhos.

Quando foi chamado para organizar o livro “Contos de Fadas em Quadrinhos”, Chris Duffy, renomado escritor e editor de HQs, se viu, segundo ele, numa pesquisa “deliciosa”: a leitura do maior número de contos de fadas possível, em aproximadamente dois meses. Depois, o árduo foi escolher quais seriam transformados em histórias ilustradas. Dezessete fábulas, entre narrativas dos Irmãos Grimm, outras bem conhecidas e contos folclóricos não europeus, foram selecionadas.

Algumas fábulas se mantêm fiéis aos originais. Mas outras trazem reviravoltas divertidas e, muitas vezes, emocionantes. As histórias ganharam nova roupagem, colorido e humor. Uma nova maneira de interpretar antigas histórias. E de conhecer muitas outras.

Divulgação

Duffy ainda tentou equilibrar na triagem contos que contemplassem heróis e heroínas. Para cada história, um cartunista de peso foi eleito e recebeu a missão de fazer sua própria releitura do conto para os quadrinhos. O resultado são recontos com bom humor, muita cor e formas inéditas.

Nesta antologia única, histórias que todos conhecem se unem a outras não tão conhecidas. O resultado, divertido, mostra que nem tudo é estático no universo das fadas!

“Contos de Fadas em Quadrinhos”, organizado por Chris Duffy, com tradução de Rosa Amanda Strausz. Editora Galera Júnior, 128 páginas, R$ 55,00.

Fonte:http://wp.clicrbs.com.br/aldobrasil/2015/04/23/contos-de-fadas-em-quadrinhos/?topo=84,2,18,,,77

Para quebrar o preconceito.

Liniers afirma que uma parcela de leitores ainda acha que quadrinhos se resume a aventuras de super-heróis.

Na continuidade de sua entrevista, o cartunista argentino Ricardo Siri Liniers, criador do “Macanudos”, fala do preconceito que ainda se tem em relação à liberdade de expressão nos quadrinhos, muito além da ideia de aventura de super-heróis. Ele aponta também seus cartunistas brasileiros preferidos e fala de sua relação com o Brasil.

Entrevista

Você acredita que o público dos quadrinhos é específico ou pode ser mais acessível?

Acredito que os editores e nós, autores, temos a responsabilidade de acabar com o preconceito que se tem com os quadrinhos. O preconceito é que os quadrinhos seriam somente para crianças, que são aventuras, piadas e nada mais. Durante muito tempo foi assim. Não se podia fazer histórias em quadrinhos sobre temas sérios porque não eram um meio sério de comunicação. Não se podia fazer quadrinhos sobre o holocausto ou a Segunda Guerra Mundial. Só se podia fazer aventuras de super-heróis. E as histórias em quadrinhos atualmente não são encaradas pelo autores da mesma maneira que a literatura pelos escritores. Ninguém dizia a (Julio) Cortázar ou a Clarice Lispector “você não pode escrever isso porque isso não é literatura”. E agora, finalmente, já não dizem isso aos quadrinistas. Atualmente, o problema que temos é que as pessoas continuam com preconceito. Pensar que os quadrinhos são apenas sobre aventuras é o mesmo que pensar que o cinema é somente Arnold Schwarzenegger. É ficar com uma visão muito pequena de algo que é enorme e que, para mim, está em seu melhor momento.

Entre os cartunistas brasileiros, há algum de quem você goste?

Sim, adoro, eles me fazem rir muito. Laerte me faz rir muito, assim como Angeli. Há um desenhista de Porto Alegre que se chama Fabio Zimbres, que para mim é um gênio absoluto.

Há alguma perspectiva de visita ao Brasil em breve?

Eu sempre vou ao Brasil para participar de programas ou apresentar algum livro. Quem sabe aparece alguma razão para visitá-lo novamente. Adoro aproveitá-lo. Já fui a Recife, Porto Alegre, Brasília, Rio, Belo Horizonte, São Paulo. Tenho um cunhado que vive em Ubatuba, então qualquer desculpa que tenho faço uma visita. No Brasil, me aconteceu uma das coisas mais extremas com uma fã. Uma menina me mostrou o braço e disse: “desenha um pinguim pra mim?” E eu desenhei um pinguim com um guarda-chuva. Uma semana depois ela me mandou uma foto e tinha feito uma tatuagem do pinguim. Os fãs brasileiros são sempre intensos, me presenteiam quando vou aí, me dão bonecos dos personagens.

Lei a primeira parte da entrevista aqui

Fonte:http://www.otempo.com.br/

Quadrinhos brasileiros ganham destaque no Salão do Livro de Paris.

Entre os 48 autores brasileiros convidados para o Salão do Livro de Paris, há vários quadrinistas e roteiristas de HQ, que participam de debates com o público sobre o gênero no Brasil. A França é o segundo maior consumidor de quadrinhos do mundo, depois do Japão, um mercado que vem se abrindo e se interessando pelo Brasil.

 Alguns dos álbuns de HQ do Brasil em destaque no Salão do Livro de Paris.

Os irmãos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, com vários livros editados na França, estão lançando Deux Frères, Dois Irmãos, baseado no romance de Milton Hatoum. Eles contam a história dos também gêmeos Omar e Yaqub, que se odeiam, descendentes de libaneses em Manaus. “Uma oposição elevada à nona potência, que não é o nosso caso, mas que funcionou como um desafio”, diz Fábio.

“Foram quatro anos de trabalho – dois para o roteiro e o restante para o desenho”, conta Gabriel. “A fase do desenho é quando o projeto realmente toma forma”, acrescenta. O livro foi feito sem restrição de tamanho, traduzindo a tendência de o mercado aceitar as propostas de histórias mais longas e mais elaboradas. “São essas histórias que vão para as livrarias, que atingem o público leitor de livros”, completa Fábio.

Crônicas desenhadas

“Mes chers samedis” é a tradução de “Sábados dos meus amores”, de Marcello Quintanilha, que escreve e desenha. Crônicas em movimento, “reflexo do que eu vivi, do que me fez como ser humano”, explica o autor, de Niterói, que vive desde 2002 em Barcelona. Sobre seu processo de criação, ele explica que desenho e palavras “chegam junto, porque são elementos de uma mesma engrenagem”.

Já o clima noir de “Copacabana” conta a história nua e crua de uma prostituta na mais famosa praia do planeta. O roteirista, editor e tradutor Lobo revela que a ideia surgiu de uma noite que quase terminou mal. “Eu saí de uma festa bêbado e desci do ônibus no ponto errado; percebi que ia ser assaltado e resolvi pedir ajuda a um travesti, um gigante de salto alto.”

Livre do apuro e amigo do travesti, Lobo foi se interessando pela vida do bairro e percebeu o potencial para uma história em quadrinhos. “E hoje estou em Paris com o álbum; nunca imaginei que chegaria até aqui, é uma honra”.

Por: Patricia Moribe

Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/

Indianos criam super-heroína dos quadrinhos que foi vítima de estupro.

Uma nova HQ que tem como superheroína uma vítima de estupro foi lançado na Índia para chamar a atenção sobre o problema da violência sexual no país.

O Priya’s Shakti, inspirado por histórias motológicas hindus, conta a história de Priya, uma jovem que sobreviveu ao ataque de uma gangue de estupradores, e da deusa Parvati. As duas lutam juntas contra os crimes de gênero na Índia.

O cineasta indiano-americano Ram Devineni, um dos criadores da obra, disse à BBC que teve a ideia de fazer a história em quadrinhos em 2012, quando uma onda de protestos se espalhou pela Índia após o estupro e o assassinato brutal de uma estudante de 23 anos em um ônibus de Nova Déli.

“Eu estava em Déli quando os protestos começaram e me envolvi em alguns deles. Eu conversei com um policial e ele disse uma coisa que me surpreendeu. Disse que garotas sérias não andam sozinhas à noite”, afirmou Devineni.

“A ideia começou desse jeito. Eu percebi que o estupro e a violência sexual na Índia eram culturais e que se sustentavam pelo patriarcalismo, misoginia e percepção popular”.

Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual (Foto: Divulgação)Projeto de livro em quadrinhos quer mudar mentalidade da população sobre violência sexual (Foto: Divulgação)
Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro (Foto: Divulgação)Heroína é expulsa de casa por familiares ao revelar que foi vítima de estupro (Foto: Divulgação)

Na sociedade indiana, muitas vezes é a vítima do estupro – e não o agressor – que é tratada com ceticismo e acaba sendo submetida ao ridículo e à exclusão social.

“Eu conversei com sobreviventes de ataques de gangues de estupradores e elas disseram que foram desencorajadas por familiares e pela comunidade a procurar justiça, elas também foram ameaçadas pelos estupradores e suas famílias. Até a polícia não as levou à sério”, disse Devineni.

Os quadrinhos refletem uma realidade severa: quando Priya conta a seus pais sobre o estupro, ela é culpada por ele e expulsa de casa.

Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários (Foto: Divulgação)Heroína indiana tem ajuda de deuses da mitologia hindu para superar trauma e vencer adversários (Foto: Divulgação)

A personagem representa uma mulher indiana genérica e suas aspirações. “Ela é como todos os rapazes e moças que querem viver seus próprios sonhos. Mas esses sonhos foram destruídos após o estupro”, disse Devineni.

No livro, com alguma ajuda de Shiva e Parvati – o casal de deuses mais poderoso na cultura hindu – Priya consegue transformar sua tragédia em uma oportunidade.

No final ela volta à cidade montada em um tigre e derrota seus adversários.

Devineni disse que escolheu usar elementos da mitologia poque o hinduísmo é a religião majoritária do país – 80% da população, ou 1,2 bilhão de pessoas, são hindus – e seus mitos e histórias estão enraizadas em sua vida cultural.

Ele convenceu artistas de rua e criadores de pôsteres de filmes de Bollywood a pintar murais inspirados na história em quadrinhos na favela de Dharavi, em Mumbai, considerada a maior da Ásia.

As pinturas têm “recursos de realidade aumentada”, que permitem às pessoas ver figuras “saltarem” da parede quando são vistas por meio das câmeras de smartphones.

É possível baixar da internet cópias do livro em hindi e em inglês. O trabalho será exibido em uma feira de quadrinhos em Mumbai em dezembro.

“Nosso público alvo vai desde crianças entre 10 e 12 anos a jovens adultos. É uma idade crítica nas vidas deles e por isso estamos fazendo uma tentativa de conversar com eles”.

Na Índia, onde em média um estupro é comunicado a cada 21 minutos, o crime ocorrido em Déli no ano de 2012 foi um divisor de águas. A brutalidade dos seis agressores deflagrou uma série de protestos e forçou o governo a criar leis antiestupro, prevendo inclusive a pena de morte para violência sexual muito grave.

Mas analistas dizem que as leis mais duras resolvem apenas parte do problema. Ele seria resolvido apenas com a criação de consciência e mudança de atitudes sociais.

Davineni diz que esse é o objetivo do livro.

Urvashi Butalia, líder da editora feminista Zubaan Books, diz que o sucesso ou fracasso dependerá “muito da história” e de “quantas pessoas ela atinge”. Segundo ela, tudo que gera um diálogo ajuda.

Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet (Foto: Divulgação)Versão em inglês de livro em quadrinhos poderá ser baixado pela internet (Foto: Divulgação)

“Muitas das mudanças do mundo começaram como ideias. E essa é uma ideia interessante – não há muitas super heroínas”, disse ela.

Jasmeen Patheja é fundadora do Projeto Blank Noise, que realiza uma campanha chamada “eu nunca pedi isso” – referindo-se a agressões sexuais.

O projeto cria instalações urbanas e galerias de imagens na internet com as roupas que as vítimas estavam usando quando foram abusadas em uma campanha para “rejeitar a culpa”.

Cineasta criou heroína depois de ter contato com protestos contra a violência sexual na Índia (Foto: Divulgação)

A maior mudança, segundo ela, será quando “as pessoas entenderem que não há desculpa que justifique a violência sexual, como as roupas que as vítimas estava usando, a hora ou o lugar em que estavam”.

“Romances, quadrinhos, livros de histórias, filmes – todos têm grande potencial para ajudar”, ela disse.

Fonte: G1

HQs, narração de palavras e sequência de imagens.

As atividades com as histórias em quadrinhos (HQ) em sala de aula são sempre muito bem recebidas por oferecer diversão e humor no aprendizado. Este gênero textual remete a discussões e promove a leitura e o desenvolvimento de um estudo que apresenta tanto a linguagem verbal, como a não verbal. E assim, estimula o aluno a interagir e dialogar com o texto que está sendo lido.

Pensando nisso a professora Cícera Aparecida Tassoli que leciona para o quinto ano da Escola Municipal Rocha Pombo, em Ourizona, optou por relacionar as notícias do jornal “O Diário” aos desenhos, balões e histórias criativas fazendo os alunos produzirem em um formato novo para eles, as HQs.

“Faço parte do Diário na Escola há alguns anos e já participei das capacitações oferecidas pelo Programa sobre as histórias em quadrinhos. Isso me ajudou na hora de montar a atividade, pois eu precisava trabalhar sobre a “dengue”, um problema que tem afetado o município, mas queria fazer algo diferente”, conta Cícera.

Primeiro a professora separou exemplares que continham matérias sobre a temática escolhida para a criação dos trabalhos. Em seguida os estudantes tiveram acesso aos jornais selecionados para que através da leitura das notícias eles pudessem retirar argumentos e construir o enredo das historinhas.

“Eu adoro ler gibis, e montar quadrinhos com personagens que eu mesma criei é muito legal! O texto é a parte mais difícil, principalmente porque esta é a minha primeira produção”, comenta a aluna do 5º ano “B”, Maria Clara Costa Calvo.

“Utilizamos as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica nos momentos de leitura em sala, pois são conhecidas pelo público infantil e oportunizam trabalhar diferentes conteúdos. Como os personagens também são crianças os alunos se identificam com eles e sentem prazer na hora de ler”, ressalva a coordenadora Izabel Cristina Pessutti.

Vale salientar que o estudo deste gênero facilita a discussão de assuntos que envolvam, por exemplo, problemas sociais. Pois as histórias em quadrinhos retratam estes temas em uma perspectiva pedagógica e dinâmica. “As crianças gostam da HQ e encaram a produção como um momento de lazer no qual podem usar a imaginação”, fala Cícera.

Autores apontam que os quadrinhos tem caráter lúdico e muitos os consideram uma forma de arte. Além de entreter, estes são significativos no processo de ensino-aprendizagem dos mais diversos conteúdos, como geografia, matemática, história, português e até idiomas estrangeiros. A professora ressalta que o lúdico é essencial na vida cotidiana do indivíduo, “devemos educar as crianças sempre proporcionando momentos de interação uma com as outras, e nessa proposta a HQ facilita o trabalho.”

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